Quando Maria estava para dar à luz, “as albergarias estavam todas cheias e todas se dispensaram de receber” a família de Nazaré. “Aqui, senti que havia albergaria para Deus”, disse D. António Francisco, no encerramento da visita pastoral à paróquia de Albergaria-a-Velha. O Bispo de Aveiro serviu-se do episódio de Belém para apelar à origem da terra Albergaria, patente no seu nome, e sublinhar algumas das características da comunidade humana e cristã. Disse D. António Francisco que encontrou espírito de acolhimento na vida carregada de trabalhos dos párocos que servem esta unidade pastoral, na comunidade religiosa que serve a Casa Diocesana, localizada nesta paróquia, nos imensos agentes de pastoral, nas crianças, jovens, idosos e doentes com quem se encontrou ou que visitou, nas entidades com quem dialogou. “Não faltam albergarias de Deus em Albergaria”, concluiu.
A visita foi marcada pelo espírito do Natal. Numa das escolas houve representações de Natal. Noutra, as crianças revelaram através de frases simples o verdadeiro espírito de Natal, em que “Jesus vai nascer na nossa casa” ou em que as prendas são colocadas por Deus “no coração”.
Sendo a conclusão da visita paroquial (a conclusão arciprestal está marcada para o Domingo, 28, às 18h, na Igreja de Albergaria, com crismas de jovens de todo o arciprestado) “um ponto de chegada e de partida”, o Bispo de Aveiro convidou a comunidade a “olhar o futuro à dimensão do arciprestado”, nomeadamente reactivando estruturas de trabalho pastoral que digam respeito às oito paróquias do arciprestado de Albergaria. Referiu, na mesma linha, que reconhece que os padres são poucos para uma população maior e mais exigente, pelo que assume que tem de dar uma “resposta consequente” a esta questão e lança “de novo e sempre a urgência da preocupação vocacional”. “Quatro das oito paróquias de Albergaria ainda não tiveram nenhum sacerdote depois da restauração da diocese em 1938”, notou. Como sinal positivo, apontou que há “desejos expressos de jovens que querem ser padres no nosso tempo”.
O Bispo de Aveiro deixou ainda um pedido de “atenção acrescida para os idosos e doentes”, principalmente para os que são “marcados pelo peso da solidão”, passando “dias inteiros sem ninguém”. A comunidade cristã tem de ser “solícita e criativa” para deles cuidar.
Ao Correio do Vouga, P.e Querubim Silva, pároco de Albergaria-a-Velha com o P.e Manuel Dinis, considerou que a semana de visita pastoral “foi um itinerário de diálogo, marcado pela simplicidade, pela proximidade a todos, pela esperança testemunhada e comunicada. Uma experiência de verdadeiro encontro do Pastor com as comunidades, com as pessoas, manifestando o cuidado de reconhecer cada um na sua realidade e de ajudar a abrir horizontes de futuro”.
J.P.F.
Visita ao Tribunal de Albergaria
“Felizes os que promovem a justiça”
D. António Francisco referiu na homilia da Eucaristia conclusiva da visita pastoral que o tempo de presença institucional da Igreja em actos públicos e oficiais é coisa do passado, mas que a esta deve “criar novas avenidas de diálogo” com os que procuram o bem comum. Inseriu-se neste espírito o diálogo com as instituições, destacando-se a visita do Tribunal de Albergaria, na sexta-feira, 19 de Dezembro.
O Bispo de Aveiro, acompanhado da equipa sacerdotal de Albergaria, passou por algumas dependências do tribunal e dialogou com os funcionários, desejando-lhes bom Natal. Num breve encontro com os magistrados e outros funcionários, louvou o trabalho de “promover a justiça e defender a população”, que “é missão de todos”, e lembrou, citando o Evangelho, que são “felizes os construtores da paz e os que promovem a justiça”.
Amélia Rebelo, juíza-presidente do Tribunal, agradeceu a disponibilidade e abertura do Bispo de Aveiro e referiu que o trabalho dos magistrados está “balizado por regras muito específicas” nem sempre sendo possível conjugar a “legalidade da terra” com a “justiça cristã” ou mesmo do “senso comum”, o que pode representar um problema de consciência para os funcionários da justiça. D. António Francisco sublinhou a “colaboração institucional” que é possível da parte de todos os que estão empenhados na mesma causa do bem comum e manifestou a “gratidão da Igreja de Aveiro” aos que têm como missão fazer justiça.
