Nuno Rogeiro no CUFC Dois russos subiam de automóvel os montes Urais (Rússia). Têm um acidente e um deles cai pelo precipício. Pergunta o outro “Como estás Serguei?”. Responde a vítima: “Não sei, ainda não cheguei ao fim!” Esta foi uma das “parábolas” contadas pelo comentador político Nuno Rogeiro a propósito da “Arte de viver na Nova Ordem Mundial”, conferência que decorreu na segunda-feira, no Centro Universitário Fé e Cultura, integrada na Semana da Arte (ver notícia na página 13).
A nova ordem mundial é algo ainda indefinido. A queda ainda não chegou ao fim. “O futuro está aberto”, afirmou Nuno Rogeiro. Porém, “há razões para a esperança”, em especial no caso da Palestina, pois com a morte de Arafat “deixa de haver justificações em torno da sua figura histórica”, afirmou o comentador político, revelando que, na Palestina, “há personalidades influentes que agora podem adquirir mais visibilidade”, e em Israel, há forças crescentes que dialogam com o Irão, por exemplo, e têm negócios a meias com os palestinianos, ao contrário das ideias feitas da irredutível oposição.
A Palestina foi apenas um dos temas abordados por Nuno Rogeiro, já no espaço de diálogo com a assembleia, que também o interrogou sobre a sucessão de Collin Powell, nos EUA, ao que o comentador respondeu que os nomes na calha são Condoleezza Rice e John McCain (“seria óptimo para a Europa”). Contudo, a maior parte da conferência esteve centrada nas tendências preocupantes da sociedade actual. Uma delas é a ausência de estratégia nacional: “Faltam-nos grandes motivos colectivos para abraçar, uma Índia, um Brasil”. Mas tarde o comentador preconizaria o regresso dos jovens a África para trabalhar ou ensinar. Ou-tra: “Pátria e famílias”. Defendendo uma remuneração adequada das mães “donas de casa”, Nuno Rogeiro afirmou que “as pessoas têm necessidade de voltar às ‘tribos iniciais’, precisam de tempo para passar com a família e os amigos, espaços de criação de felicidade”. A comunicação social também esteve omnipresente, não só porque a televisão é a “empregada electrónica” que cuida das crianças, mas porque “não é uma inevitabilidade”. “A comunicação social é influente, mas não tem poder. Vive em regime de concorrência. Devemos escolher os melhores meios, os mais reputados, e podemos cortar o circuito de comunicação. A melhor arma [contra os meios de comunicação social de que não gostamos] é o botão de desligar”, afirmou o politólogo, ou “politicólogo”, como preferia que lhe chamassem.
Nuno Rogeiro, numa autêntica volta ao mundo actual em duas horas, fez a sua comunicação sobre o futuro, sempre pensando nos seus quatro filhos, e várias vezes realçou que o erro da sociedade actual é “desejar a salvação e pensar que vem de fora, esquecendo-se que pode começar a construí-la”. O comentador não falava de religião. Falava, sim, da participação na sociedade democrática.
J.P.F.
