Questões Sociais 1. A acção social, entendida em sentido lato, abrange a actuação do Estado e seus organismos, bem como a de outras entidades, sobretudo das organizações sem fins lucrativos. Dentro dela são indispensáveis três pilares: o voluntariado; as instituições públicas e particulares; e os centros de decisão política.
Relativamente ao voluntariado, justifica especial referência o de proximidade, em cooperação regular com instituições locais, públicas e particulares (onde também pode haver trabalho voluntário); e os centros de decisão política.
2. Os grupos de voluntariado social de proximidade em cada freguesia, e em cada um dos seus bairros, aldeias ou agregados populacionais de outro tipo, permite o conhecimento imediato de cada situação de carência e a cooperação na procura das soluções necessárias. Mais concretamente, podem assegurar: o conhecimento directo de cada situação de carência; a prestação da ajuda possível; a mediação junto de entidades competentes para a solução dos problemas; e o acompanhamento de cada caso social até à respectiva solução.
Os tipos de grupos podem variar naturalmente: desde conferências vicentinas a grupos de acção social ou de voluntariado, com motivação religiosa, laica ou mista.
3. Estes grupos não se caracterizam pela capacidade de resposta às situações de carência, mas sim pela cooperação solidária, com quem as vive, e pela articulação com as instituições que dispõem das competências para as soluções necessárias. Tal articulação deverá ser regular, e não meramente pontual, sob pena de não se aproveitarem sistematicamente os meios de resposta disponíveis.
Contrariamente a uma tradição bastante arreigada, os grupos de voluntariado social de proximidade deveriam fazer um tratamento, ainda que mínimo, dos dados relativos à sua actividade. Bastará, por ora, uma ficha sumária de cada caso social, e o apuramento estatístico, simplificado, de todos os que são atendidos em cada período. Tais dados visariam três objectivos fundamentais: a análise periódica do trabalho realizado; a apreciação dos problemas sociais juntamente com outras entidades, visando as soluções possíveis; e a intervenção, que seja necessária, junto dos centros de decisão política, através dos canais apropriados.
Os grupos de voluntariado social de proximidade correm o sério risco de se fecharem dentro de si mesmos, quando não cooperam com outras entidades e quando não intervêm junto dos centros de decisão política, para a adopção das medidas consideradas indispensáveis para a solução de problemas não solucionáveis com os meios disponíveis.
