A liberdade é um bem precioso, que não se entende, e muito menos se vive, numa degradante submissão à miopia da ideologia ou ao fundamentalismo da religião.
Pressuposto fundamental para aprender a liberdade é aprender a dignidade da pessoa humana e o consequente respeito por toda a pessoa humana, na sua integridade e extensão. Fixar-se no próprio umbigo perverterá a verdadeira visão de si próprio, impedirá reconhecer o outro, que está ao nosso lado, cerceará a possibilidade de descobrir horizontes que ultrapassem o cosmos.
Há gente que nunca ergueu a cabeça, libertando-se de fixar o próprio umbigo. Consequências: Não descobriu a verdade de si próprio; atropelou ferozmente quem se cruzou no seu caminho; meteu o “rossio da sua dignidade” na “betesga da sua sovinice”. E, mesmo que tenha pisado os palcos da fama, nunca olhou mais do que o palmo que lhe sobra na frente dos pés ao fixar o seu umbigo. Mesmo que venha participar em debates, rodopia sobre si mesmo, em círculos estonteantes, sem ouvir interpelações, sem articular respostas de diálogo.
Quando as opiniões diferentes não são a vozearia da arrogância, o narcisismo do crasso interesse materialista de vender, de ganhar, mesmo que muito distantes, merecem ser ouvidas, ponderadas, corrigidas ou acolhidas, para que o diálogo permita a progressão. Se se erguem “dogmas” de loucura e intolerância, de estertor de vidas vazias em busca de justificação para a sua nulidade, mesmo que tenham sido laureadas com prémios de conveniência, só resta uma atitude: deixar esses “profetas” a falarem sozinhos, até que se extinga o seu rancor, o seu pedantismo; até que se lhes vão, por entre os dedos, as “riquezas” apodrecidas a que tão ciosamente se agarraram.
Há ignorâncias invencíveis, que mais não merecem da nossa parte do que uma compaixão dolorosa, na esperança de que as suas monstruosidades se desfaçam como as estátuas de bronze com pés de barro!
