XXXI Domingo do Tempo Comum – Ano B, Comemoração dos Fiéis Defuntos

À Luz da Palavra Dada a importância que a Igreja dá à vida para além desta vida, à vida eterna, a Liturgia do XXXI domingo é substituída pela da Comemoração dos Fiéis Defuntos. O culto dos defuntos é tão antigo como as mais antigas civilizações. Embora com crenças muito diversificadas, muita gente acredita que a vida humana tem em si um gérmen de eternidade, que não a deixa acabar para sempre com a morte pessoal. A certeza desta intuição foi-nos dada pela experiência de Jesus Cristo, que morreu e voltou à vida pela Sua ressurreição. Muitos O viram e n’ Ele acreditaram. E este testemunho contém em si uma força tão poderosa, que os séculos vão passando e cada vez há mais crentes na vida para além da vida. Estudos científicos acompanhados de depoimentos pessoais nos vão informando de que a vida humana, uma vez iniciada, não tem fim. Isto corresponde à aspiração de cada pessoa, embora algumas correntes de pensamento nos apresentem a vida como um absurdo incontornável ou como uma simples matéria desagregável.

A Palavra deste domingo pode iluminar-nos nesta perspectiva. Deus tem um projecto de vida para o ser humano e, no horizonte final da sua carreira terrestre, está uma vida de comunhão com Deus, com a humanidade e com o cosmos, uma vida sem fim, plenamente realizada e feliz. Esta ideia aparece na primeira leitura, tirada do livro de Isaías, sob a imagem de um “banquete”. O próprio Senhor prepara, para todos, “um banquete de manjares suculentos”. Aí não haverá mais morte, nem lágrimas, nem dor. Por este facto havemos de nos encher de esperança e de serenidade, porque os nossos medos e fragilidades não são a última palavra da nossa existência. Antes, porém, todos caminhamos ao encontro da festa definitiva que Deus prepara para todos os que aceitam este Seu convite. Paulo, na segunda leitura, exorta os cristãos a não viverem na ignorância relativamente aos defuntos, de modo a que não andem abatidos e tristes, como os que não têm fé nem esperança. “Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido. Assim estaremos sempre com o Senhor. Consolai-vos uns aos outros com estas palavras”. A certeza da felicidade eterna há-de encher a nossa existência quotidiana da busca de vida e de felicidade e há-de empenhar-nos na luta pela paz e pela justiça, na certeza de que é no aqui e agora, com gestos concretos, que começamos a construir o mundo novo e a anunciar a ressurreição plena das pessoas e de todo o mundo criado. O evangelho segundo João apresenta-nos Jesus a fazer o Seu dis-curso sobre “O pão da vida”. Jesus afirma: “Eu sou o pão vivo. Quem comer deste pão viverá eternamente”. Esta é a maravilha do amor de Deus, que enviou Jesus ao mundo (o pão da vida) para que nós pudéssemos chegar à vida eterna. Comer este pão significa, antes de mais, acolher e interiorizar a proposta de vida de Jesus, colocar a nossa vida ao serviço do projecto de vida de Deus e fazer da nossa vida um dom de amor aos outros. Não há dúvida que a eucaristia é o momento privilegiado do encontro com Jesus Cristo, o pão da vida, e do compromisso com a vida nova e eterna que Ele incessan-temente nos oferece. Deste modo, a comunhão sacramental há-de reforçar a nossa comunhão fraterna e, no mesmo movimento, banir do seio das nossas comunidades tudo o que é divisão, conflito, ciúme e indiferença face às dores e necessidades dos irmãos. Alimentados pelo pão eucarístico, havemos de ser um grito do novo mundo de fraternidade, de paz e de justiça, que nos espera, de modo definitivo, na vida para além desta vida terrena.

“Felizes os convidados para a Ceia do Senhor”, é-nos dito em cada celebração eucarística antes do momento da comunhão do “Corpo de Cristo”. Como crente, assumo a dinâmica do compromisso com Jesus e sou testemunha de um mundo novo que se encaminha desde já para o definitivo e eterno?

Leituras do XXXI Domingo Comum – Ano B

Comemoração dos Fieis Defuntos

Is 25,6a.7-9; Sl 22 (23); Tes 4,13-18; Jo 6,51-58