XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano B – Dedicação da Basílica de Latrão

À Luz da Palavra A basílica de S. João de Latrão é a catedral do Papa. Ao comemorarmos a dedicação desta basílica, que é o centro de unidade do Povo de Deus, celebramos o mistério da Igreja de Cristo. Unindo-se à igreja de Roma, todas as igrejas do mundo reconhecem que ela continua a manter a “presidência da comunidade”, de que falava já Santo Inácio de Antioquia. As três leituras desta festa ajudam-nos a transpor os horizontes da Igreja visível, composta pelo Povo de Deus, que peregrina ainda sobre a terra, e conduzem-nos à contemplação do templo espiritual, onde Deus habita. Este templo está fundado em Jesus Cristo, pedra fundamental e essencial, e constrói-se com cada pessoa baptizada.

A primeira leitura, do livro do profeta Ezequiel, é constituída por uma alegoria, onde a vida espiritual, simbolizada pela água, ocupa o lugar principal. O templo vai-se enchendo de água pura e revitalizante, capaz de alimentar todos os seres vivos que nela habitam e de transformar as águas salobres em águas potáveis. Nele crescerão árvores com folhas e frutos, que “servirão de alimento e de remédio”. Esta vida simboliza a acção do Espírito de Deus que vivifica a sua Igreja.

João, na perícopa que lemos na terceira leitura, coloca na boca de Jesus a declaração de que, afinal, o templo judaico, apesar da sua beleza e grandeza sagrada, é transitório. Um dia desmoronar-se-á, não ficando pedra sobre pedra. Porém, o seu Corpo, verdadeiro templo onde habita a plenitude da divindade, é o único que vai permanecer, crescendo na medida em que, pela fé, a Ele se vão unindo os cristãos e as cristãs conscientes, a fim de formarem o Corpo Místico de Cristo. Este Corpo substitui com grande vantagem o antigo templo judaico e, doravante, passa a ser o «lugar» onde cada crente se une a Deus e lhe presta culto. É em Cristo que temos acesso ao Pai, no Espírito Santo.

Na segunda leitura, Paulo afirma que os cristãos são o edifício de Deus, numa alusão clara ao Corpo Místico de Cristo. E adverte a igreja de Corinto de que Jesus Cristo é o único alicerce sobre o qual esta igreja há-de ser construída. Manifesta-se preocupado com as raízes destes cristãos, não estejam elas a mergulhar em águas salobras. Porque o único fundamento é Cristo. “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”.

Ao celebramos a dedicação da basílica de Latrão, dentro dos nossos templos, todos somos convidados a unir-nos num só Corpo, o de Cristo, e a revermos o estilo do nosso ser cristão. A minha fé comunga da fé da Igreja universal? É realmente em Cristo que fundamento a minha existência cristã?

Leituras do XXXII Domingo Comum – Ano B

Dedicação da Basílica de Latrão

Ez 47,1-2.8-9.12; sl 45 (46); 1 Cor 3, 9c-11.16-17; Jo 2,13-25