O Leitor Pergunta – Grandes Teólogos – 2 Yves Congar (Sedan, 1904 – Paris, 1995) representa, na Teologia do séc. XX, o triunfo da paciência sobre o orgulho. Discípulo de M.-D. Chenu e Gardeil, na célebre escola dominicana “Le Sauchoir”, teve razão, antes do tempo, em três questões fundamentais na vida da Igreja; e por causa disso várias vezes sofreu a pressão dos organismos que na Igreja zelam pela ortodoxia, quer dos serviços do Vaticano, quer dos superiores da sua ordem, a de S. Domingos.
As suas três razões: a necessidade de reforma da Igreja; o papel dos leigos na Igreja; e o ecumenismo. Sobre o ecumenismo, Congar escreveu a obra “Cristãos desunidos. Princípios de ecumenismo” (“Les Chrétiens desunis”) em 1937. E em 1947 ainda, estava a ser chamado a Roma por causa de passagens do livro.
Em 1950, escreve “Verdadeira e falsa reforma na Igreja” (Vraie et fausse reforme dans l’Église”), que se vendeu num ápice. Mas, quando a edição em italiano estava a ser preparada, foi proibida, bem como as traduções noutras línguas. E, a partir de 1952, tem de submeter a Roma todos os escritos que deseje publicar, o que leva a que muitos se admirem por ter publicado, em 1953, “Jalons pour una théologie du laicat” (“Marcos para uma teologia do laicado”, em tradução livre), que, claramente, preconizava uma revolução na forma de entender a identidade e missão dos leigos.
Talvez por ter sofrido a prisão pelos nazis durante a II Gerra Mundial (1939-1945), o padre francês soube suportar a pressão psicológica que a Igreja, que tanto amava, lhe causava. No auge da pressão, escreveu: “Os que não sabem como sofrer, não sabem como esperar”. Congar soube esperar. Em 1958, o papa João XXIII sobe ao trono de S. Pedro e convoca o Concílio. Yves Congar é chamado para consultor e, depois, perito conciliar. As suas ideias são largamente aceites e torna-se, provavelmente, o teólogo mais influente no Concílio Vaticano II nas questões do laicado, da eclesiologia e do ecumenismo.
Em 1994, um ano antes de morrer, João Paulo II nomeou-o cardeal. Além das obras referidas, o “apóstolo da paciência” escreveu dois diários que infelizmente não estão traduzidos em português: “Diário de um teólogo 1946-1956” e “O meu diário do Concílio”. Em português existe “Ensaios Ecuménicos”, na Ed. Verbo, que reúne ensaios, conferências e artigos (dos anos 60, 70 e 80) sobre o diálogo entre cristãos separados.
