Não fiques fora do banquete!

À Luz da Palavra XXVIII Domingo do Tempo Comum – A A liturgia deste domingo utiliza a imagem do “banquete” para descrever esse mundo de felicidade, de amor e de alegria sem fim, que Deus quer oferecer a todos os seus filhos e filhas. Na nossa vida corrente, quando queremos homenagear alguém ou celebrar um grande acontecimento, fazemos um banquete. Porque o comer e o beber juntos, em ambiente fraterno, é fonte de muita alegria e felicidade, é que o povo bíblico deu ao banquete um valor sagrado. Ele é símbolo da Aliança e entra nos grandes acontecimentos dos povos e da relação de Israel com Deus. A própria eucaristia foi instituída no interior de um banquete. À eucaristia chamamos “sagrado banquete”.

Na primeira leitura, Isaías anuncia o “banquete” que um dia Deus, na sua própria casa, vai oferecer a todos os povos. Isto significa que Deus tem, para nós, um projecto de vida, de amor e de festa, porque somos pessoas amadas por Ele, com um amor eterno e incondicional. É importante que tomemos consciência desta realidade, para que ela projecte luz, serenidade e confiança na nossa vida quotidiana. A nós, basta-nos aceitar o convite de Deus para participar neste “banquete”, isto é, basta-nos aceitar viver em comunhão com Ele, para que, na nossa vida, saibamos dar prioridade ao amor, testemunhar os valores do Reino e construir, aqui e agora, um mundo novo, onde brote a justiça, a solidariedade, o amor e a partilha, a todos os níveis.

O evangelho utiliza também a imagem do “banquete”, como exemplo, para designar a felicidade escatológica, isto é, aquela felicidade eterna, a que somos chamados no fim da nossa vida sobre a terra, e que começa desde agora e aqui. Esta felicidade advém-nos da participação no “banquete” celeste oferecido a todos, mulheres e homens, pobres e ricos, cristãos e pagãos, pecadores e fiéis. É um banquete universal! Não há nenhuma condição humana que nos possa impedir de ter acesso a este “banquete”, se nós quisermos “agarrar” o convite de Deus. Os interesses e as conquistas deste mundo não podem distrair-nos dos desafios de Deus. A opção pela participação no “banquete”, que fizemos no dia do nosso baptismo, é um compromisso sério, que deve ser vivido de forma coerente.

Na segunda leitura, Paulo apresenta-nos o exemplo de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e vive na dinâmica do Reino. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e no testemunho do evangelho diante de todos, pela partilha dos seus bens com os mais necessitados. Por outro lado, S. Paulo convida-nos ao desprendimento e à alegria, tanto na pobreza como na abundância, porque não são as coisas materiais que nos aproximam ou afastam de Deus. O essencial é a nada nos apegarmos, porque só o Senhor é a nossa segurança; só Ele é verdadeiramente rico e magnânimo para fazer face a todas as nossas necessidades. E, quantas vezes, estas são, sobretudo, de natureza espiritual e afectiva!

Leituras do XXVIII Domingo Comum

Is 25,6-10a; Sl 23 (22); Fl 4,12-14.19-20; Mt 22,1-14

Deolinda Serralheiro