Out 19, 2006 | Documentos
Caros amigos
Directores diocesanos e colaboradores voluntários
Ao inicio de mais um ano pastoral saúdo os directores diocesanos e respectivos colaboradores religiosos e leigos que, em nome do bispo, são pacientes construtores de catolicidade, fermento de fraternidade cristã e sinal silencioso da solidariedade: características da acção do Reino de Deus presente na vida dos irmãos migrantes e suas comunidades de fé e cultura.
1. Estamos a trabalhar os desafios ecuménicos lançados pelo último Encontro Nacional realizado na acolhedora cidade de Viana do Castelo e que devem prolongar-se na acção pastoral, sobretudo, para com os europeus de leste, os africanos e brasileiros. Vamos procurar manter, na medida do possível, actualizada – em www.ecclesia.pt/ocpm – a lista nacional dos seus lugares de culto e contactos dos respectivos capelães religiosos ou leigos. O contributo informativo de cada Secretariado diocesano é muito importante.
2. Além do Boletim PONTES, segue para vossa organização e planeamento o Calendário Nacional da Pastoral das Migrações, relativo ao ano pastoral 2006-2007. Em espírito de efectiva comunhão entre nós – Secretariado nacional e diocesanos – procuremos dinamizar as datas e eventos apresentados, de modo a apurarmos a sensibilização das comunidades, movimentos e clero; a mobilizarmos para o voluntariado social e formação específica dos nossos colaboradores e parceiros; e, por fim, a favorecermos acções de evangelização para os emigrantes e imigrantes a partir das estruturas diocesanas, movimentos eclesiais e congregações missionárias.
3. Estamos a alinhavar, com os parceiros – Caritas Portuguesa e Agência Ecclesia – os últimos detalhes relativamente ao próximo Encontro de Formação, em agenda para Fátima, nos dias 12, 13 e 14 de Janeiro de 2007. Em breve, ireis receber o programa e ficha de inscrição. No domingo, dia 14, assinalaremos juntos em Fátima na comunhão da Igreja universal, o 93º Dia Mundial do Migrante e Refugiado para o qual o Santo padre Bento XVI escreverá a sua habitual mensagem.
4. Vamos dedicar ao longo do ano uma particular atenção aos “Portugueses no Mundo”, comprometendo-nos a conhecer melhor os novos e crescentes fluxos de saída de portugueses e suas famílias, quer para a União Europeia, quer para a América e África. Também, como foi manifestado por muitos de vós, em Viana do Castelo, vamos conhecer melhor os movimentos também crescentes e desacompanhados a nível transfronteiriço entre Portugal e Espanha.
Na sequência desta preocupação queremos centrar a sensibilização e celebração da próxima Semana Nacional na vertente das Comunidades Portuguesas, convidando um bispo de uma diocese onde resida uma consistente comunidade lusa. O que poderá ser feito mais nas dioceses para com as Comunidades Portuguesas e seus Missionários, realidade bastante adormecida nos planos diocesanos?
Por fim, recordo que o Secretariado Nacional, composto por mim, pela Fernanda e Eugénia, sob a atenta orientação de D. António Vitalino, está ao vosso inteiro dispor durante o horário de expediente da CEP para tudo o que necessitardes para o bom desenvolvimento, actualização e criatividade da missão a vós confiada.
Respeitosos cumprimentos em Cristo, senhor da história
Lisboa, 19 de Outubro de 2006
P. Rui M. da Silva Pedro cs.
Out 17, 2006 | Sem categoria
FESTA DOS POVOS
Organizada pelo Secretariado da Mobilidade Humana da Diocese, pela Paróquia de Santiago do Cacém e pela Capelania dos Ucranianos, foi celebrada no passado dia 15 na Paróquia de Santiago do Cacém a 1ª Festa dos Povos.
Esta festa congregou cerca de 300 pessoas de diversas nacionalidades vindas de toda a diocese. A Festa teve início com a Procissão presidida pelo Sr. Bispo Ucraniano Greco-Católico D. Iriney que percorreu algumas ruas de Santiago em direcção à Igreja Matriz onde foi celebrada a Eucaristia. A Eucaristia foi presidida pelo Sr. Bispo de Beja D. António Vitalino e concelebrada pelo Sr. Bispo da Ucrânia e pelo Pároco de Santiago, Pe Magalhães, pelo Padre Ivan da Capelania dos Ucranianos, pelos Srs. Padres da comunidade Vicentina de Santiago, pelo Director da Obra Católica Portuguesa, Padre Rui Pedro.
Esteve também presente o Padre Ortodoxo Oleg Chiaburu dependente do Metropolita da Moldávia, Patriarcado da Rússia, que dá apoio pastoral à comunidade moldava e romena presente em Moura.
Na homilia o Sr. Bispo alertou para a necessidade de nós cristãos nos fazermos próximos e facilitar o encontro e a convivência pacífica entre as pessoas. Referiu que Jesus Cristo é para nós modelo e estímulo do acolhimento ao próximo, sobretudo àquele que mais precisa, principalmente quando há obstáculos de língua, de religião, de costumes ou de dependência económica e social que separa e afasta as pessoas. Lembrou que no início da Igreja, no dia de Pentecostes, todos entenderam a pregação de Pedro, apesar de falarem línguas diferentes e serem provenientes de terras e povos distantes. Era a linguagem do amor, que é entendida por todos os homens de boa vontade. Também hoje, as línguas diferentes não devem ser impedimento de rezarmos juntos a nossa fé, sendo no entanto também importante podermos celebra-la nas nossas línguas e com os ritos das nossas culturas. Referiu que a experiência da oração em línguas diferentes nos une mais à fonte do amor e nos torna mais amigos uns dos outros e que a diversidade de expressões linguísticas e culturais nos enriquece a todos. Exortou a que fortalecidos pela comunhão com Cristo sejamos construtores da sociedade global da solidariedade no amor.
Durante a Eucaristia pudemos ouvir belos cânticos interpretados pelo coro ucraniano e pelo da paróquia. As leituras e oração dos fiéis foram lidas nas diversas línguas: portuguesa, brasileira, ucraniana, romena, húngara, cabo-verdiana.
A Igreja estava repleta e entre os participantes estava o Sr. Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas , Dr. Rui Marques e o presidente da Caritas Portuguesa, Prof. Eugénio Fonseca.
Após a Eucaristia seguiu-se o segundo momento com o almoço partilhado. Para a confecção do mesmo, pudemos contar com a colaboração preciosa da equipa da Caritas chefiada pela D. Manuela . Houve também ocasião de partilha gastronómica com pratos típicos de diversos países que as diversas comunidades trouxeram para o efeito.
Depois do almoço noutro recinto o momento de convívio cultural foi aberto com algumas palavras de boas-vindas proferidas pela Presidente da Caritas e responsável pelo Secretariado da Mobilidade Humana da Diocese, pelo Sr. Presidente da Câmara de Santiago do Cacém, pelo Sr. Alto Comissário e pelo Sr. Bispo. Os representantes das comunidades cabo-verdianos, ucraniana e romena tiveram ocasião de se apresentar e de reforçar a importância da concretização de eventos desta natureza como factor facilitador de inclusão.
Após este pequeno momento deu-se início ao espectáculo com a actuação dos meninos da Escola de Acordeão da Mª Adélia, do Grupo Ucraniano, do Grupo da Associação de Estudantes Cabo-Verdianos, do casal ucraniano proveniente da Abela, do grupo de dança cabo-verdiano de Sines e por último o Rancho Folclórico de de São Bartolomeu (Ninho de Uma Aldeia)
Durante o espectáculo esteve patente uma exposição de artesanato das diversas comunidades.
Já a tarde estava bastante avançada quando o Pároco de Santiago, Sr. Padre Magalhães encerrou a 1ª Festa dos Povos com votos de nos encontrarmos todos para o ano noutra Paróquia da Diocese na 2ª Festa dos Povos.
Este evento foi possível concretizar porque os organizadores puderam contar o apoio de diversas entidades: Câmara Municipal e Junta de Freguesia e Bombeiros Voluntários de Santiago do Cacém, de diversas autarquias que disponibilizaram o transporte para a deslocação das comunidades de imigrantes, as Associações de Imigrantes e comunicação social que divulgaram o evento para além da equipa da cozinha da Caritas e dos paroquianos de Santiago do Cacém, nomeadamente o Sr. Neves que foram incansáveis nas ajudas prestadas.
Maria Teresa Chaves
Secretaraido diocesano da Mobilidade Humana de Beja
Out 15, 2006 | Sem categoria
A celebração do Dia Mundial do Turismo, fixada para 27 de Setembro próximo, oferece ao Sumo Pontífice Bento XVI a oportunidade de transmitir um cordial pensamento a quantos fazem parte do vasto mundo do turismo, e de lhes demonstrar a solicitude pastoral da Igreja. É interessante o tema escolhido pela Organização Mundial do Turismo para esta ocasião: Viagens e transportes: do mundo imaginário de Júlio Verne à realidade do século XXI.
Consultar o novo atlas geográfico
Júlio Verne, homem de letras, viajante e escritor de ardente imaginação, inteligentemente soube conjugar nos seus escritos fantasia e conhecimentos científicos do seu tempo. De facto, as suas viagens, reais ou imaginárias, constituíram um convite a consultar o novo atlas geográfico e um desafio à responsabilidade humana ao enfrentar os limites que não podiam mais ser dissimulados.
No final do século XIX, na sua incrível viagem, Verne superava estes limites impostos pela cultura dominante e por uma visão que fazia do Ocidente europeu o todo.
Também hoje existem obstáculos a superar se se quiser que a oferta turística, fruto de viagens e transportes, seja alargada a todos. Novas e inéditas possibilidades de viagens, com meios de transporte cada vez mais modernos e velozes, podem transformar o turismo numa providencial ocasião para compartilhar os bens da terra e da cultura. Um século após a morte de Júlio Verne muito do que ele imaginou tornou-se acessível e assumiu forma concreta. Está a realizar-se o sonho de um turismo sem fronteiras, que poderia contribuir para criar um futuro melhor para a humanidade.
Exigências éticas conexas com o turismo
Contudo, é necessário ter sempre em consideração as exigências éticas conexas com o turismo. É importante que quantos têm responsabilidade neste âmbito políticos e legisladores, homens de governo e das finanças se empenhem a favorecer o encontro pacífico entre as populações, garantindo segurança e facilidade de comunicação. Os promotores, organizadores e quantos trabalham no sector turístico estão chamados a produzir estruturas que o torne saudável, popular e economicamente sustentável, tendo sempre bem claro que em cada actividade, e portanto também no turismo, a finalidade principal deve permanecer sempre o respeito pela pessoa humana, no contexto da busca do bem comum. Quem viaja por turismo deve ser motivado pelo desejo de encontrar os outros, respeitando-os na sua diversidade pessoal, cultural e religiosa; deve estar pronto a abrir-se ao diálogo e à compreensão e com os próprios comportamentos veicular sentimentos de respeito, solidariedade e paz.
O papel das comunidades cristãs
Além disso, de notável realce é o papel das comunidades cristãs: ao acolher os turistas devem comprometer-se a oferecer-lhes a possibilidade de descobrir a riqueza de Cristo encarnada não só nos monumentos e obras de arte religiosa, mas na vida diária de uma Igreja viva. Também as viagens, desde o início do Cristianismo, permitiram e facilitaram a difusão da Boa Nova em todas as partes do mundo.
Ao desejar que o próximo Dia Mundial do Turismo traga os esperados frutos, Sua Santidade Bento XVI garante uma recordação na oração e de bom grado envia a todos a Bênção Apostólica.
Aproveito a ocasião para me confirmar com sentimentos de distinto obséquio.
Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano
Out 15, 2006 | Documentos
MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
PARA O DIA MUNDIAL DO TURISMO 2004
(27 de Setembro)
1. Na circunstância do próximo Dia Mundial do Turismo, que se celebrará no dia 27 do próximo mês de Setembro, é-me grato dirigir-me a todas as pessoas que exercem o seu trabalho neste sector da actividade humana, para oferecer algumas reflexões que ponham em evidência os aspectos positivos do turismo. Como já indiquei noutras circunstâncias, ele contribui para incrementar o relacionamento entre pessoas e povos que, quando é cordial, respeitoso e solidário, constitui como que uma porta aberta para a paz e a convivência.
Com efeito, muitas das situações de violência, pelas quais a humanidade está a passar nos nossos dias, encontram a sua raiz na incompreensão e inclusivamente na rejeição dos valores e da identidade das culturas diversas. Por isso, muitas vezes elas poderiam ser ultrapassadas mediante um melhor conhecimento recíproco. Neste contexto, penso também nos milhões de emigrantes, que devem participar na sociedade que os recebe, fundamentando-se sobretudo no apreço e no reconhecimento da identidade de cada pessoa ou grupo.
Por conseguinte, o Dia Mundial do Turismo não só oferece de novo a oportunidade de afirmar a contribuição positiva do turismo para a construção de um mundo mais justo e pacífico, mas também de reflectir profundamente sobre as condições concretas em que ele é gerido e praticado.
A este propósito, a Igreja não pode deixar de reiterar uma vez mais o núcleo da sua visão do homem e da história. Com efeito, o princípio supremo que deve reger a convivência humana é o respeito pela dignidade de cada indivíduo, criado à imagem de Deus e, por conseguinte, irmão de todos os outros.
Este princípio deveria orientar toda a actividade política e económica, como se desejou ressaltar na Doutrina Social da Igreja, e inspirar também a convivência cultural e religiosa.
2. No corrente ano, o tema do Dia é: “Desporto e turismo: duas forças vitais para a compreensão mútua, a cultura e o desenvolvimento dos países”. Desporto e turismo fazem referência sobretudo ao tempo livre, em que se devem fomentar actividades que contribuam para o desenvolvimento físico e espiritual. Não obstante, existem numerosas situações em que o turismo e o desporto se entrelaçam de maneira específica e se condicionam reciprocamente, como quando o desporto se transforma precisamente no motivo determinante para os deslocamentos tanto dentro do próprio país como no estrangeiro.
Com efeito, o desporto e o turismo estão estreitamente vinculados nos grandes acontecimentos desportivos, em que participam os países de uma determinada região ou do mundo inteiro, como nos Jogos Olímpicos, que não devem renunciar à sua elevada vocação de vivificar os ideais da convivência, da compreensão e da amizade. Todavia, também em muitos outros casos menos espectaculares, como nas actividades desportivas no âmbito escolar ou nas associações do próprio bairro ou da própria localidade. Noutros casos, praticar um determinado desporto é o que motiva a programação de uma viagem ou das próprias férias. Trata-se, pois, de um fenómeno que diz respeito tanto aos desportistas elitários, aos seus respectivos grupos e seguidores, como aos clubes sociais mais modestos e também a muitas famílias, jovens, crianças e, finalmente, a quantos fazem do exercício físico um dos motivos importantes da sua viagem.
Tratando-se de uma actividade humana que se refere a tantas pessoas, não causa admiração o facto de que, não obstante a nobreza das finalidades proclamadas, se produzam também em muitos casos absusos e desvios. Não se pode ignorar, entre outros fenómenos, o mercantilismo exacerbado, a competição agressiva, a violência contra as pessoas e as coisas, até chegar à degradação do meio ambiente ou à ofensa contra a dignidade cultural de quem acolhe.
3. O Apóstolo São Paulo apresentava aos cristãos de Corinto a imagem do atleta para explicar a vida cristã, como exemplo de esforço e de constância (cf. 1 Cor 9, 24-25). Com efeito, a prática correcta do desporto deve ser acompanhada da temperança e da educação à renúncia; com muita frequência, ela exige inclusivamente um bom espírito de grupo, atitudes de respeito, apreço pelas qualidades do próximo, honestidade no jogo e humildade para reconhecer os limites pessoais. Em síntese, o desporto, especialmente nas suas formas menos competitivas, convida a uma celebração festiva e à uma convivência caracterizada pela amizade.
Também o cristão pode encontrar no desporto uma ajuda para desenvolver as virtudes cardeais fortaleza, temperança, prudência e justiça na corrida pela coroa “imarcescível”, como escreve São Paulo.
4. Sem dúvida, o turismo deu um impulso poderoso à prática do desporto. As facilidades que ele oferece, e inclusivamente as numerosas actividades que ele promove ou patrocina por sua própria iniciativa, incrementaram de modo concreto o número daqueles que apreciam o desporto e que o praticam no seu tempo livre. Desta forma, multiplicaram-se as ocasiões de encontro entre diferentes povos e culturas, num clima de bom entendimento e de harmonia.
Por isso, sem deixar de prestar a devida atenção aos desvios que, lamentavelmente, continuam a verificar-se, desejo exortar de maneira encarecida e com renovada esperança, a promoção de “um desporto que salvaguarde os mais frágeis e não exclua ninguém, liberte os jovens do risco da apatia e da indiferença, e suscite neles um sadio espírito de competição; um desporto que seja um factor de emancipação dos países mais pobres e contribua para eliminar a intolerância e para construir um mundo mais fraternal e solidário; um desporto que contribua para fazer com que a vida seja amada e a fim de que se eduque para o sacrifício, o respeito e a responsabilidade, levando à plena valorização de cada um” (Discurso por ocasião do Jubileu dos Desportistas, 28 de Outubro de 2000, n. 3).
Com estas considerações, convido as pessoas que desempenham actividades relacionadas com o mundo do desporto no âmbito do turismo, os desportistas e todos os que praticam o desporto nas suas viagens, a dar continuidade aos seus esforços, em vista de alcançar estes nobres objectivos, enquanto invoco sobre cada um deles as abundantes bênçãos divinas.
Vaticano, 30 de Maio de 2004, Solenidade de Pentecostes.
JOÃO PAULO II
Out 15, 2006 | Documentos
MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
PARA O DIA MUNDIAL DO TURISMO 2003
(27 DE SETEMBRO)
1. No dia 27 do próximo mês de Setembro vai celebrar-se o Dia Mundial do Turismo, que terá como tema: “O turismo como elemento propulsor de luta contra a pobreza, para a criação de empregos e de harmonia social”. Na perspectiva desta significativa celebração, desejo propor-vos a todos, especialmente aos fiéis católicos, algumas reflexões sobre este tema, à luz da doutrina social da Igreja e das mudanças em curso no Planeta, transformações estas que colidem inclusivamente com o âmbito do turismo.
Com efeito, o turismo deve ser considerado como uma expressão particular da vida social, com os seus aspectos económicos, financeiros e culturais, e com consequências decisivas para os indivíduos e os povos. A sua relação directa com o desenvolvimento integral da pessoa deveria orientar o seu serviço, assim como as outras actividades humanas, para a edificação da civilização, no sentido mais autêntico e completo, ou seja, para a construção da “civilização do amor” (cf. Sollicitudo rei socialis, 33).
A atenção do próximo Dia Mundial vai concentrar-se no turismo, em relação às áreas de pobreza existentes em cada um dos continentes. O drama da pobreza constitui um dos principais desafios contemporâneos, enquanto se agrava o fosso entre as várias regiões do mundo, embora se disponha dos meios necessários para resolver este problema, uma vez que a humanidade alcançou um extraordinário desenvolvimento científico e tecnológico. Por conseguinte, é mais oportuno do que nunca “reafirmar um princípio óbvio por si mesmo, apesar de ser não raro desatendido: é necessário procurar não o bem de um restrito círculo de privilegiados, mas a melhoria das condições de vida de todos. Somente sobre este fundamento se poderá construir aquela ordem internacional, orientada realmente para a justiça e na solidariedade, a que todos almejam” (Mensagem para a Quaresma de 2003, n. 2).
2. Não é possível permanecer indiferente e inerte diante da pobreza e do subdesenvolvimento. Não podemos fechar-nos nos nossos interesses egoístas, abandonando inúmeros irmãos e irmãs que vivem na miséria e, o que é ainda mais grave, deixando que um grande número deles vá ao encontro de uma morte inexorável.
Contando com a capacidade criativa e com a generosidade de que a humanidade dispõe para pôr termo a este flagelo social e moral, é necessário encontrar adequadas soluções de carácter económico, financeiro, técnico e político. Porém, como tive a oportunidade de recordar noutra circunstância, “todas estas medidas seriam insuficientes, se não fossem animadas por valores éticos e espirituais autênticos” (Discurso ao Embaixador da Bolívia, n. 3).
A actividade turística pode desempenhar um papel relevante na luta contra a pobreza, tanto a partir do ponto de vista económico, como social e cultural. Viajando, o homem conhece diferentes lugares e situações, dando-se conta da profundidade do fosso entre os países abastados e as nações pobres. Além disso, pode valorizar melhor os recursos e as actividades locais, favorecendo o compromisso das camadas mais pobres da população.
As viagens e as permanências turísticas constituem sempre um encontro com diferentes pessoas e culturas. Em toda a parte, mas em primeiro lugar nos países em vias de desenvolvimento, o visitante e o turista dificilmente podem evitar o contacto com dolorosas realidades de pobreza e de fome. Neste caso, é preciso não apenas resistir à tentação de se fechar numa espécie de “ilha feliz”, isolando-se do contexto social mas, sobretudo, é necessário evitar aproveitar-se da posição de privilégio para explorar as “necessidades” das pessoas do lugar. Por conseguinte, a visita seja uma ocasião de diálogo entre pessoas de igual dignidade; um motivo de maior conhecimento dos habitantes do lugar e da sua história e cultura; e uma abertura sincera à compreensão do próximo, que leve a gestos concretos de solidariedade.
Devemos comprometer-nos para que o bem-estar de poucos privilegiados nunca seja alcançado em detrimento da qualidade de vida da maioria. Aqui, é válido o que escrevi na Encíclica Sollicitudo rei socialis, em sentido mais geral, a propósito das relações económicas: “É necessário denunciar a existência de mecanismos económicos, financeiros e sociais que, embora sejam orientados pela vontade dos homens, funcionam muitas vezes de maneira quase automática, tornando mais rígidas as situações de riqueza de uns e de pobreza dos outros… Apresenta-se como necessário submeter mais adiante estes mecanismos a uma análise atenta, sob o aspecto ético-moral” (n. 16).
3. O tema do próximo Dia Mundial do Turismo traz à mente as palavras de Jesus: “Bem-aventurados os pobres em espírito” (Mt 5, 3), um convite sempre actual à solidariedade para com os pobres, os famintos e os necessitados, que interpela os fiéis.
Como recorda o Catecismo da Igreja Católica, “as bem-aventuranças dão-nos a conhecer o rosto de Jesus Cristo… exprimem a vocação dos fiéis… iluminam os actos e as atitudes características da vida cristã” (n. 1717). Seria grave, se o discípulo de Cristo se esquecesse disto, precisamente no tempo livre ou durante uma viagem turística, ou seja, quando pode dedicar-se a uma contemplação mais tranquila do “rosto de Cristo” no próximo, com quem entra em contacto. Quando o ensinamento do Senhor ilumina a nossa vida, sentimo-nos comprometidos a fazer com que todas as actividades, inclusivamente as turísticas, sejam realizações daquela “nova “fantasia da caridade””, que nos torna solidários para “com quem sofre, de tal modo que o gesto de ajuda seja sentido não como uma esmola humilhante, mas como uma partilha fraterna” (Novo millennio ineunte, 50).
Esta solidariedade manifesta-se, em primeiro lugar, no respeito da dignidade pessoal da população local, da sua cultura e dos seus costumes, numa atitude de diálogo que visa promover o desenvolvimento integral de cada indivíduo. Na viagem turística, esta atitude torna-se ainda mais exigente, porque é mais palpável a diversidade entre as civilizações, as culturas, as condições sociais e as religiões.
Formulo votos sinceros a fim de que a actividade turística seja um instrumento cada vez mais eficaz para a redução da pobreza, para a promoção do crescimento pessoal e social dos indivíduos e dos povos e para a consolidação da participação e da cooperação entre as nações, as culturas e as religiões.
A Bem-Aventurada Virgem Maria proteja quantos, a vários níveis, se encontram comprometidos no vasto campo do turismo e os conserve sempre sensíveis no que diz respeito às pessoas que sofrem por causa da pobreza, da injustiça, da guerra e da discriminação. Sobre cada um de vós, invoco a abundância das dádivas divinas e, do íntimo do coração, concedo-vos a todos a minha Bênção.
Vaticano, 11 de Junho de 2003