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Mensagem Natalícia de 2011

Prezada gente do mar,
            No dia de Natal estamos convidados a refletir sobre o mistério da encarnação do Verbo eterno de Deus, como se lê no primeiro capítulo de São João: “No principio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus… e a Palavra se fez carne e veio morar entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que recebe do seu Pai como filho único, cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 1-14).
            O mistério da encarnação traz antes de tudo, uma mensagem de Amor universal que estamos convidados a compartilhar em um mundo marítimo cada vez mais internacional, multicultural e multireligioso. Um Amor que abraça toda a gente do mar sem barreiras nem discriminações e que se torna o fundamento de um novo modo de viver juntos, respeitando a diversidade e a dignidade de cada pessoa.
            Este mistério é a celebração do Emanuel, do “Deus conosco”, que nos convida a ser testemunhas de Jesus no mundo do mar, cada vez mais diversificado, para ser agentes de uma nova evangelização, mostrando neste modo como a perspectiva cristã ilumina de um modo completamente novo os principais problemas da história (Sínodo dos Bispos, XIII Assembléia Geral Ordinária, Lineamenta, 7).
            Além disso, o Natal anuncia que o Verbo de Deus se encarnou na nossa realidade humana dividida e imperfeita para levá-la à perfeição. Com a força que recebemos do Senhor Jesus, que caminha conosco, queremos nos comprometer a encontrar soluções duradouras para os diversos problemas que deveis enfrentar cada dia, entre os quais se encontram a exploração e os abusos em âmbito de trabalho, a criminalização das vossas ações, o abandono em portos estrangeiros, a separação da família e o perigo cada vez mais ameaçador da pirataria.
            Desejando-vos um Santo Natal, espero que os dons da alegria, a paz e a serenidade trazidos pelo Menino Jesus cheguem até vós, sejam compartilhados por vossas famílias e produzam frutos de amor e de felicidade. 
            Muitas felicidades
 
 
X Antonio Maria Vegliò
Presidente
 
X Joseph Kalathiparambil

    Secretário                          

Esperança em tempo de crise. Mensagem dos Bispos de Portugal

Estimados concidadãos e também vós, os imigrantes que connosco constituís Portugal, neste difícil fim de 2011:

É com inteira proximidade e muito afeto que vos dirigimos esta mensagem, querendo assinalar o nosso compromisso com todos, especialmente os mais atingidos pela presente crise e as grandes interrogações que ela levanta.
Atravessamos dificuldades grandes, como grandes são as incertezas quanto ao futuro, tanto na economia como na vida social, para a generalidade dos cidadãos e muito especialmente os mais pobres e frágeis. Como bispos católicos, devemos e queremos estar absolutamente com todos, em especial com quem mais precisa de palavras e gestos de esperança: esta nasce da solidariedade e de um Deus que nunca nos abandona. Na compreensão cristã da vida, a generosidade e a coragem com que se superam as dificuldades são fermento de uma sociedade nova.
Não é a primeira vez na nossa história que os sobressaltos na vida habitual e nas expectativas normais se tornam ocasiões de consciencialização e decisão coletivas. Aproveitemos este momento, que não desejávamos, para aprofundar valores que não deveríamos esquecer nunca, pois são a própria base duma sociedade justa e saudável.
É certo que se juntaram fatores externos e internos, como muitas análises, mais ou menos coincidentes, não deixam de evidenciar. Excessiva especulação financeira e pouca consistência económica somaram-se negativamente e tantos nos enfraqueceram internamente como nos prejudicaram internacionalmente. Alimentámos, ou alimentaram-nos, aspirações que agora são impossíveis de concretizar. Falha hoje a própria base material em que tudo o mais se sustenta, ou seja, uma vida económica saudável e suficientemente apoiada pelo investimento e pelo crédito, que garanta trabalho digno para todos: trabalho que é condição indispensável para o sustento e a realização das pessoas e das famílias.
Acompanhamos o esforço dos vários responsáveis nacionais e internacionais, agora mais premente pela magnitude dos problemas. É cada vez mais claro que a política internacional não pode reduzir-se, nem muito menos submeter-se, a obscuros jogos de capital que fariam desaparecer a própria democracia. Esta só acontece onde todos se reconhecem, respondendo cada um pelo que faz ou não faz, à luz de valores e direitos que a todos interessam e suportam. O capital provém do trabalho, que, realizando a pessoa humana, mantém prioridade absoluta. Nem podemos abster-nos da vida democrática, nem devemos cair nas mãos de novos senhores sem rosto. Também aqui se há-de respeitar a verdade, condição básica da justiça e da paz.
Nesta curta mensagem, que pretende ser um sinal de presença, oferecemos o que nos é mais próprio como Igreja Católica em Portugal:
– A nossa solidariedade ativa, como é exercida diariamente pelas instituições sociais católicas, com todas as possibilidades que tivermos e em franca colaboração com tudo o que se faça na sociedade em prol de um bem que tem de ser verdadeiramente comum e não deixe ninguém em condições desumanas.
– A nossa insistência nos valores e princípios fundamentais da doutrina social da Igreja, que aliás compartilhamos com a racionalidade humana em geral, concretizando-se em quatro pontos axiais: a dignidade da pessoa humana; o bem comum; a subsidiariedade, que suscita e apoia a contribuição específica de cada corpo social; e a solidariedade, expressão da fraternidade, que nunca procura o bem particular sem ter em conta o bem de todos.
– A certeza, mais uma vez afirmada, de que compartilhamos “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias” dos nossos concidadãos, querendo reproduzir agora os sentimentos daquele Cristo, que tendo nascido há dois mil anos, quer “renascer” também no Natal que se aproxima – e com a mesma luz para idênticas trevas.
Com todos e cada um de vós,
Os Bispos de Portugal
Fátima, 10 de novembro de 2011

Movimentos migratórios: uma valiosa oportunidade

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 26 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – Às 11h30 da manhã desta terça-feira, na Sala João Paulo II da Sala de Imprensa da Santa Sé, foi realizada a coletiva de imprensa de apresentação da mensagem de Bento XVI para o 98º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que será comemorado em 15 de janeiro de 2012, com o tema “Migrações e novas evangelizações”.

No evento, intervieram Dom Antonio Maria Vegliò, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral com Migrantes e Itinerantes; Dom Joseph Kalathiparambil e o Pe. Gabriele Ferdinando Bentoglio, C.S., secretário e subsecretário, respectivamente, do citado Conselho.
Dom Vegliò recordou, há alguns anos, que a mensagem se dirige a três coletivos muito diferentes: trabalhadores migrantes, refugiados e estudantes internacionais.
Cada uma das três intervenções dos máximos representantes do Conselho Pontifício pretendia conjugar a nova evangelização com estes três âmbitos das migrações.
Dom Vegliò recordou que evangelizar é a missão essencial da Igreja. Segundo ele, nós nos encontramos diante de uma realidade caracterizada pela finalidade dos deslocamentos. Em consequência, “o mundo inteiro se tornou terra de anúncio evangélico”.
Citando os dados fornecidos em sua intervenção, afirmou que “é evidente que a mistura de nacionalidades e de religiões aumenta de modo exponencial. Nos países de antiga cristandade, observamos a penetração do secularismo e a crescente insensibilidade com relação à fé cristã, enquanto em alguns países de maioria não-cristã há uma influência emergente do cristianismo. Em todos os lugares aparecem os novos movimentos sectários, com a tentativa de ‘eliminar toda visibilidade social e simbólica da fé cristã’ (cf. Mensagem 2012, § 3), como se Deus e a Igreja não existissem”.
Concluiu afirmando que há campo aberto para “o otimismo cristão, que traça novos caminhos à ‘corrida da Palavra’ (2Ts 3,1), não no sentido de um vago espiritualismo, mas na certeza de que o tempo que estamos vivendo está enriquecido pela valiosa oportunidade dos movimentos migratórios”.
E acrescentou: “Estes, obviamente, devem ser legitimamente regulados, libertando-nos das pragas da pobreza, da exploração, do tráfico de órgãos e de pessoas. Na legalidade, com atenção a proteger a dignidade de cada pessoa humana, promovendo seu autêntico progresso, também as migrações contemporâneas podem se tornar uma bênção para o diálogo entre os povos, a convivência na justiça e na paz, o anúncio evangélico da salvação em Jesus Cristo”.
Por outro lado, Dom Joseph Kalathiparambil afirmou que “a sociedade em que vivemos está tornando-se cada vez mais multiétnica e intercultural, como mostra também a presença de demandantes de asilo e refugiados”.
A atenção a este grupo, na segunda parte da mensagem do Papa, disse, assume um destaque especial, porque este ano recordamos o 60º aniversário da convenção internacional sobre os refugiados, assinada em Genebra em 1951.
o Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em seu informe anual, difundido no Dia Mundial do Refugiado do último mês de junho, denunciou “profundos desequilíbrios no apoio internacional recebido pelas pessoas desenraizadas da sua terra”. Segundo o informe, 4 de cada 5 refugiados do mundo são acolhidos por países em vias de desenvolvimento, tanto em termos absolutos como em proporção aos seus sistemas econômicos.
O maior número de refugiados está hoje sediado no Paquistão (1.900.000), Irã (1.100.000) e Síria (1 milhão). O ACNUR adverte que “isso ocorre em um período caracterizado por crescentes sentimentos de hostilidade com relação aos refugiados em muitos países industrializados”.
Cita Bento XVI quando afirma que “os refugiados que pedem asilo, fugindo de perseguições, violências e situações que põem em perigo a sua vida, têm necessidade da nossa compreensão e acolhimento, do respeito pela sua dignidade humana e seus direitos, assim como da consciência dos seus deveres. O seu sofrimento reclama dos diversos Estados e da comunidade internacional que haja atitudes de mútuo acolhimento, superando temores e evitando formas de discriminação e que se procure tornar concreta a solidariedade também mediante adequadas estruturas de hospitalidade e programas de reinserção”.
Por outro lado, o Pe.Gabriele Ferdinando Bentoglio, C.S., enfatizou a parte final da mensagem papal, dedicada aos jovens que saem do seu país por razões de estudo ou formação profissional., Bento Xvi afirma que “enfrentam problemas de inserção, dificuldades burocráticas, aflições na busca de alojamento e de estruturas de acolhimento”.
No final do primeiro decênio deste século, o número de estudantes no estrangeiro superou os três milhões e se prevê que chegue a sete milhões em 2025. Os principais países que os acolhem são Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França. No decênio que acada de terminar, no entanto, os mais bruscos aumentos percentuais se deram em Nova Zelândia e Coreia, seguidos da Austrália, Canadá e Japão. Mais de 50% dos fluxos totais de estudantes internacionais em 2008 procediam de vinte países, entre os que, nos primeiros lugares, figuravam China, Polônia, Índia e México.
Nos anos precedentes, os maiores incrementos eram da Colômbia, China, Romênia e Marrocos. Diminuíram os procedentes das Filipinas e da Federação Russa.
O Pe. Bentoglio sublinhou que, se a mobilidade dos estudantes internacionais aumenta, cresce também a urgência de que “os lugares de educação e formação, sobretudo no âmbito universitário, adquiram e valorizem a relação necessária e estratégica entre a profunda sede de verdade e o desejo de encontrar Deus”, como recomenda o Papa, referindo-se às comunidades cristãs, para que “mostrem-se sensíveis com tantos jovens que, além do crescimento cultural, têm necessidade – precisamente devido à sua tenra idade – de pontos de referência”.
Com o fim de concretizar estas reflexões, o Conselho Pontifício realizará o 3º Congresso Mundial de Pastoral para os Estudantes Internacionais, em Roma, de 30 de novembro a 3 de dezembro deste ano, com o tema “Estudantes internacionais e encontro das culturas”.

Leia a mensagem aqui

Há vinte cinco anos a difundir a mensagem de Fátima

Neste mês de Outubro, mês do rosário, são muitas as Comunidades Portuguesas dispersas pelo mundo que assinalam o aniversário da última aparição da Virgem Maria aos três pastorinhos na Cova da Iria.

Pelo vigésimo quinto ano consecutivo, os emigrantes portugueses e seus descendentes a residir na República da Argentina vão peregrinar ao Santuário de N. Sra. De Fátima de Tornquist, diocese de Bahia Blanca, um lugar a 600 km da capital Buenos Aires. Um santuário construído pelas famílias portuguesas na Serra da Janela para evocar em terra estrangeira a obra de evangelização protagonizada pelos emigrantes portugueses pelo mundo.
Os muitos autocarros apinhados de portugueses, seus descendentes e muitos peregrinos argentinos vão começar a chegar no sábado 29 de outubro para a grande e bonita procissão das velas pela serra acima, onde depois, no santuário visitado por alguns sacerdotes e bispos portugueses, terá lugar a eucaristia pelos jovens.
No domingo, 30 de outubro, os peregrinos estão convocados para a solene eucaristia pelas intenções da comunidade portuguesa de Argentina, seguida da tradicional e comovente procissão do adeus. Em Maio e Outubro acontecem, ao redor da Fé, as maiores manifestações religiosas da comunidade portuguesa, muito estimada pela Igreja local.
A estrutura que representa a comunidade católica de origem portuguesa na Argentina designa-se por “Comision pastoral portuguesa del Santuário de Nuestra Senora de Fatima em Tornquist, com sede na Cidade Gregorio de Laferrere, periferia de Buenos Aires. São duas as dioceses que acolhem a pequena e bem integrada comunidade portuguesa: San Justo e Gregorio Laferrere. E’ nesta área da periferia pobre da capital argentina que os portugueses se concentram com seus clubes suas igrejas: Pontevedra, Monte Grande e Isisdro Casanova. A Igreja de referencia, que se encontra em obras de alragemento estando prevista a sua reabertura para dezembro, situa-se em Gonsalez Catan. O actual capelão da coletividade e o P. Juan A. Ramirez Moreno, missionário scalabriniano.
No dia 15 de Outubro, como momento preparatório para a grande peregrinação nacional a Tornquist em pleno mês do Rosário, D. Baldomero Carlos Martini, bispo de San Justo, vai presidir a Missa e Procissão na Paróquia de N. Sra. de Fátima, em Isidro Casanova, após a qual será inaugurado um monumento centenário na rua República de Portugal aos fundadores da cidade em 1911, entre os quais se encontram famílias portuguesas. Mais uma história do protagonismo evangelizador dos cristãos portugueses ainda por contar!
P. Rui Pedro

Turismo e aproximação de culturas

No dia 27 de Setembro celebra-se a Jornada Mundial do Turismo, promovida pela Organização Mundial de Turismo (OMT), e que conta com a adesão da Santa Sé já desde a sua primeira edição, em 1980.


O tema deste ano, Turismo e aproximação das culturas, pretende sublinhar a importância que as viagens têm no encontro entre as diversas culturas do mundo, especialmente nestes tempos em que mais de novecentos milhões de pessoas fazem deslocações internacionais, favorecidas pelos modernos meios de comunicação e pela descida dos custos.

Deste modo, o turismo apresenta-se-nos como "uma actividade que derruba as barreiras que separam as culturas e fomenta a tolerância, o respeito e a mútua compreensão. No nosso mundo, tantas vezes dividido, estes valores representam a base para um futuro mais pacífico".1

Partindo de um conceito amplo de cultura que, além da história ou do património artístico e etnográfico, abarca os estilos de vida, as relações, as crenças e os valores, afirmamos não só a existência da diversidade cultural, mas também, na linha do Magistério da Igreja, a valorizamos como um facto positivo. Por isso, "é necessário fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro – como afirma Bento XVI –, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma",2 acolhendo o que esta possui de bom, de verdadeiro e de belo.

E para alcançar este objectivo, o turismo brinda-nos com todas as suas possibilidades. O Código Ético Mundial para o Turismo afirma a este propósito que "praticado com a necessária abertura de espírito, constitui um factor insubstituível de auto-educação, de tolerância mútua e de aprendizagem das diferenças legítimas entre povos e culturas, e da sua diversidade".3 Este, pela sua própria natureza, pode favorecer tanto o encontro como o diálogo, já que coloca em contacto com outros lugares, outras tradições, outros modos de viver, outras formas de ver o mundo e de conceber a história. Por tudo isso, o turismo é, certamente, uma ocasião privilegiada.

Mas para dialogar, a primeira condição que se exige é a de saber escutar, querer ser interpelado pelo outro, querer descobrir a mensagem que encerra cada monumento, cada manifestação cultural, desde o respeito, sem prejuízos nem exclusões, evitando leituras superficiais ou tendenciosas. Assim, é tão importante o "saber acolher" como o "saber viajar". Isso implica que as actividades turísticas devam organizar-se a partir do respeito pelas peculiaridades, leis e costumes dos países acolhedores, pelo que os turistas deverão recolher informação, antes da partida, acerca das características do lugar que vão visitar. Mas também as comunidades que acolhem e os agentes profissionais deverão conhecer as formas de vida e as expectativas dos turistas que os visitam.4

Partindo do facto de que toda a cultura encerra em si mesma certos limites, o encontro com culturas diferentes permite um enriquecimento da própria realidade. Neste sentido se manifestava o Beato João Paulo II quando afirmava que "a ‘diferença’, que alguns consideram tão ameaçadora, pode chegar a ser, através de um diálogo respeitador, a fonte de uma compreensão mais profunda do mistério da existência humana".5

Um objectivo da nossa pastoral do turismo será certamente educar e preparar os cristãos de modo a que esse encontro de culturas que pode acontecer nas viagens não seja uma oportunidade perdida, mas que sirva certamente como um enriquecimento pessoal, que ajude a conhecer o outro, ao mesmo tempo que se conhece a si mesmo.

Neste diálogo que produz frutos de aproximação das culturas, a Igreja tem muito a dar. "Também no campo cultural – assinala Bento XVI – o Cristianismo tem para oferecer a todos a mais poderosa força de renovação e de elevação, ou seja, o Amor de Deus que se faz amor humano".6 É imenso o património cultural, entendido naquele sentido amplo a que anteriormente fizemos referência, que surge da experiência da fé, do encontro entre a cultura e o Evangelho, fruto da profunda vivência religiosa da comunidade cristã. Certamente, estas obras de arte e de memória histórica possuem um enorme potencial evangelizador, enquanto que se inserem na via pulchritudinis, o caminho da beleza, que é "um percurso privilegiado e fascinante para se aproximar do Mistério de Deus".7

Deve ser um objectivo primário da nossa pastoral do turismo mostrar o verdadeiro significado de todo este acervo cultural, nascido à sombra da fé e para glória de Deus. Nesta linha, ressoam ainda as palavras do Beato João Paulo II dirigidas aos agentes de pastoral do turismo: "Vós contribuis para a educação do olhar que é um despertar da alma para as realidades do espírito, ajudando os visitantes a subirem até às fontes da fé que fez nascer estes edifícios e tornando visível a Igreja de pedras vivas que formam as comunidades cristãs".8 Importa, por isso, que apresentemos este património na sua autenticidade, mostrando-o na sua verdadeira natureza religiosa, inserindo-o no contexto litúrgico no qual nasceu e para o qual nasceu.

Porque sabemos que a Igreja "existe para evangelizar",9 devemos nos perguntar constantemente: como acolher as pessoas nos lugares sagrados de modo a que este os ajude a conhecer e a amar mais o Senhor? Como facilitar um encontro com Deus e cada uma das pessoas que ali acodem? Devemos sublinhar, antes de mais, a importância de um acolhimento apropriado, "que tenha em conta o que é específico de cada grupo e de cada pessoa, as expectativas dos corações e as suas autênticas necessidades espirituais",10 e que se manifesta em diversos elementos: desde os simples detalhes até à disponibilidade pessoal para a escuta, passando pelo acompanhamento durante o tempo que durar aquela presença.

A este propósito, e com o intuito de favorecer este diálogo intercultural e aproveitar o nosso património cultural ao serviço da evangelização, convém adoptar um conjunto de iniciativas pastorais concretas. Todas elas devem integrar-se num vasto programa de interpretação que, juntamente com a informação de tipo histórico-cultural, mostre de forma clara e acessível o original e profundo significado religioso destas manifestações culturais, usando para isso meios actuais e interactivos, aproveitando os recursos pessoais e tecnológicos que estão à nossa disposição.

Entre estas propostas concretas encontra-se a elaboração de percursos turísticos que possibilitem a visita aos lugares mais importantes do património religioso/cultural das dioceses. Ao mesmo tempo deve-se favorecer um alargado horário de abertura, bem como dispor de uma estrutura de acolhimento adequada. Nesta linha é importante a formação espiritual e cultural dos guias turísticos, enquanto que se poderia estudar a possibilidade de criar organizações de guias católicos. E juntamente com isso, a elaboração de "publicações locais em forma de folhetos turísticos, de páginas na internet ou de revistas especializadas no património, com o fim pedagógico de evidenciar a alma, a inspiração e a mensagem das obras e com uma análise científica dirigida à compreensão profunda da obra".11

Não nos podemos conformar com conceber as visitas turísticas como uma simples pré-evangelização, mas deve funcionar de plataforma para realizar o anúncio claro e explícito de Jesus Cristo.

Aproveito a ocasião para anunciar oficialmente a celebração do VII Congresso Mundial da Pastoral do Turismo que se realizará em Cancún (México) na semana de 23 a 27 de Abril de 2012. Este evento, organizado pelo nosso Conselho Pontifício em colaboração com a Conferência Episcopal Mexicana e a Prelatura de Cancún-Chetumal, será certamente uma importante oportunidade para continuar a aprofundar as propostas que a pastoral do turismo exige para o tempo presente.

+ Antonio Maria Vegliò
Presidente

+ Joseph Kalathiparambil
Secretário
_____________________________
1 Taleb Rifal, Secretário Geral da OMT, Mensagem para o Dia Mundial do Turismo de 2011.
2 Bento XVI, Mensagem por ocasião da jornada de estudo sobre o diálogo entre culturas e religiões organizada pelo Conselho
   Pontifício para o Diálogo Inter-religioso e pelo Conselho Pontifício para a Cultura, 3 de Dezembro de 2008.
3Organização Mundial de Turismo, Código Ético Mundial para o Turismo, 1 de Outubro de 1999, art. 2, § 1.
4 Cfr. Organização Mundial de Turismo, Código Ético Mundial para o Turismo, 1 de Outubro de 1999, art. 1.
5 João Paulo II, Discurso à L Assembleia Geral das Nações Unidas, 5 de Outubro de 1995, n. 10.
6 Bento XVI, A abertura recíproca entre as culturas é um terreno privilegiado para o diálogo. Discurso ao Pontifício Conselho
   para a Cultura, 15 de Junho de 2007.
7 Bento XVI, Audiência Geral, 18 de Novembro de 2009.
8 João Paulo II, Discurso aos participantes do IV Congresso Mundial da pastoral do turismo, 17 de Novembro de 1990, n. 4.
9 Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, sobre a evangelização no mundo contemporâneo, 8 de Dezembro de 1975,
   n. 14.
10 Conselho Pontifício para a O santuário. Memória, presença e profecia do Deus vivo, 8
   de Maio de 1999, n. 12.
11Conselho Pontifício para a Cultura, Documento final da assembleia plenária "La Via pulchritudinis. Caminho privilegiado de
   evangelização e de diálogo", 27-28 de Março de 2006.

39ª Semana Nacional de Migrações

 “Uma só Família Humana”

 
O Tema da Mensagem do Santo Padre para o 97º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, “Uma só Família Humana”, que é também o lema da Obra Católica Portuguesa de Migrações, foi acolhido como tema da 39ª Semana Nacional das Migrações. Diz o Papa que “todos, tanto os migrantes como as populações locais que os acolhem, fazem parte de uma só família e todos têm o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino é universal, como ensina a doutrina social da Igreja”.
É esta a tónica que queremos acentuar na nossa reflexão deste ano, promovendo uma tomada de consciência de que as sociedades actuais são, cada vez mais, multiétnicas e interculturais, constituídas numa só família de irmãos e irmãs, chamados ao diálogo que promove uma convivência frutífera e serena no respeito pelas legítimas diferenças e pela verdadeira justiça social.
O projecto eterno de Deus para a humanidade é, de facto, constituir “uma só família humana”, filhos do mesmo Pai revelado em Jesus Cristo, que se sentem como verdadeiros irmãos, independentemente da sua origem étnica, cor de pele, religião ou condição social, não havendo espaço para racismos, xenofobias ou exclusões, nem para a criação de guetos ou de tensões.
Ser família humana é reconhecer no outro, no diferente, um irmão no mesmo percurso de vida, o que só é possível quando se caminha com o outro e não contra o outro. Os milhões de pessoas que se lançam na aventura de procurar um lugar onde se possam estabelecer e trabalhar, na busca de condições de vida com o mínimo de dignidade e com algum horizonte de esperança, entre eles milhões de portugueses e milhares de imigrantes a residir em Portugal, assim como as populações autóctones, precisam de se dar as mãos, para construir uma nova civilização, no respeito mútuo pela diversidade e pela riqueza humana que cada pessoa transporta.
A Semana Nacional das Migrações, assim como a Peregrinação anual do Migrante e do Refugiado a Fátima, oferecem à Igreja uma oportunidade para reflectir sobre o tema relacionado com o crescente fenómeno da migração. Como diz o Papa Bento XVI, trata-se de uma oportunidade “para rezar a fim de que os corações se abram ao acolhimento cristão e trabalhem para que cresçam no mundo a justiça e a caridade, colunas para a construção de uma paz autêntica e duradoura. «Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 34) é o convite que o Senhor nos dirige com vigor e nos renova constantemente: se o Pai nos chama para sermos filhos amados no seu Filho predilecto, chama-nos também para nos reconhecermos a todos como irmãos em Cristo”.
 

Jornada de Solidariedade para com a Pastoral da Mobilidade Humana
14 de Agosto – XX Domingo do Tempo Comum
 
Sugestões para a Eucaristia
 
Convidar os imigrantes e emigrantes para uma participação activa na Eucaristia.
Pode utilizar-se as orações da “Missa pelos Emigrantes”
Sugere-sea Oração Eucarística V/A
Motivar para a generosidade nos ofertórios que, neste dia, revertem a favor da Pastoral da Mobilidade Humana: Migrantes, Povo Cigano, Marítimos e Refugiados.
A Liturgia da Palavra é a própria deste Domingo:
1ª Leitura – Is 56, 1.6-7
Salmo Responsorial – Sal 66 (67), 2-3.5.6.8 (R. 4)
2ª Leitura – Rm 11, 13-15.29-32
Evangelho – Mt 15, 21-28
 
Oração Universal:
 
Pres. Irmãos e irmãs, oremos a Deus que quer reunir todos os homens numa só família humana, para que todos os que vivem em condição de migrantes ou refugiados possam sempre sentir a presença paternal de Deus e o acolhimento na sua Igreja, e digamos com fé:
 
Uni, Senhor, a família humana numa só fé
 
1 – Para que a Igreja, peregrina e estrangeira neste mundo, acolha com amor maternal todos os que vivem a condição de mobilidade humana. Oremos irmãos.
 
2 – Pelos nossos emigrantes espalhados pelo mundo, para que saibam testemunhar a fé que levaram do seu país de origem e para que ao regressarem se sintam acolhidos com amor fraterno. Oremos irmãos.
 
3 – Pelos imigrantes que vivem em Portugal, para que encontrem os meios necessários que lhes permitam viver com dignidade e para que encontrem, na Igreja, uma solicitude pastoral que os ajude a integrar-se no seio das nossas comunidades cristãs. Oremos irmãos.
 
4 – Pelos migrantes, que são discriminados, marginalizados, explorados ou injustiçados, para que encontrem, na solicitude pastoral da Igreja, ouvidos atentos aos seus apelos de justiça. Oremos irmãos.
 
5 – Por todas as vítimas que morrem a tentar alcançar a “terra da promessa”, através da migração clandestina, para que o Senhor as acolha no seu seio e nos dê uma sensibilidade solidária com o drama humanitário das migrações no nosso mundo. Oremos irmãos.
 
Pres. Senhor nosso Deus, que unistes todos os povos na confissão de uma só fé, concedei aos migrantes a graça de se sentirem uma só família humana, acolhida no seio da vossa Igreja. Por Nosso Senhor…