D. António Francisco deixa Aveiro, mas não deixa de ser aveirense

Reitor Manuel Assunção e D. António Francisco
Reitor Manuel Assunção e D. António Francisco

 

 

Aspeto dos participantes na sessão
Aspeto dos participantes na sessão

O norte do distrito de Aveiro é da diocese do Porto, pelo que não deixa de ser aveirense. Na UA, a comunidade política, religiosa e académica despediu-se de D. António Francisco.

Ir para o Porto “implica deixar Aveiro”, mas “não me exige deixar de ser aveirense”, disse D. António Francisco na sessão de agradecimento que decorreu na Universidade de Aveiro, na noite de 19 de março. O bispo eleito do Porto reportava-se ao facto de, enquanto bispo da diocese nortenha, estar relacionado com a CIRA (Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro), pois esta entidade inclui o município de Ovar, que em termos religiosos é da diocese do Porto. Sendo a CIRA presidida por Ribau Esteves, que é também o presidente da Câmara Municipal de Aveiro, D. António assegurou ao autarca: “Ao nosso nível, continuaremos a trabalhar juntos”.
Por outro lado, D. António Francisco será o bispo de oito concelhos que são do distrito de Aveiro: Arouca, Castelo de Paiva, Espinho, Oliveira de Azeméis, Ovar, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Vale de Cambra. Se, sendo bispo de Aveiro, tinha 98 freguesias (antes da junção de freguesias), agora, sendo bispo do Porto, tem 101 freguesias do distrito de Aveiro. Como bispo de Aveiro, era o pastor de uma diocese com 320 mil habitantes (dados de 2009); agora, como bispo do Porto, tem 395 mil aveirenses entre os cerca de dois milhões de habitantes da área da sua diocese.
D. António Francisco passou em revista alguns momentos e temas marcantes dos seus sete anos em Aveiro. Além agradecer a colaboração dos autarcas (quase todos os presidentes das câmaras municipais estiveram presentes ou representados), em quem encontrou sempre “acolhimento e diálogo”, elencou as igrejas e capelas construídas ou restauradas e pediu “mais empenho” na ação social. “Também aqui e em comum somos chamados a servir”, disse. Em relação à Universidade de Aveiro (UA), lembrou alguns momentos passados na academia, quer nas bênçãos dos finalistas, quer numa visita que fez a cada departamento em que verificou o “valor das pessoas” e a “qualidade do ensino e da investigação”, e realçou que no ano do jubileu da diocese, 2013, se comemorou também o 40.º aniversário da fundação da UA, “dois acontecimentos maiores”.
O bispo eleito do Porto referiu-se ainda aos jovens, “herdeiros e protagonistas do amanhã”, e à reorganização do Seminário de Aveiro, que, com a Casa Sacerdotal, “foi certamente uma das marcas estruturantes do futuro como diocese”. D. António Francisco lembrou o encontro com Papa Francisco, no dia 27 de setembro de 2013, em Roma, e agradeceu aos “colaboradores generosos” que Deus lhe deu. “Sem vós, nada teria feito”, disse.
Antes de D. António Francisco, falaram Manuel Assunção, reitor da Universidade de Aveiro, monsenhor João Gaspar, que apresentou o seu livro “Diocese de Aveiro. Subsídios para a sua história” (ver notícia nesta página), P.e Querubim Silva, pela diocese de Aveiro, e Ribau Esteves, presidente de Câmara Municipal de Aveiro.
O reitor da UA, abrindo a sessão, disse ter o maior gosto de ver a UA associar-se ao momento de agradecimento a D. António Francisco, que “foi um formidável amigo da UA”. Manuel Assunção notou que o bispo de Aveiro sempre falou da UA como “a nossa Universidade” e realçou a sua importância nos espaços que frequentou. Por outro lado, disse, fez uma “grande cruzada pela relevância do conhecimento” junto dos “mais frágeis, onde é mais preciso”. Por fim, desejou a novo bispo do Porto “o melhor”. “Sei que vai estar à altura do desafio”, rematou.

“Mágoa por termos sido preteridos”
P.e Querubim Silva afirmou que “foram muito curtos estes sete anos”, mas “foram o suficiente para ficar bem clara a marca da sua fidelidade ao Evangelho e à Tradição Apostólica”. Com palavras emocionadas, disse que a presença de D. António Francisco nas “causas da pessoa humana, pessoais e institucionais, implementou um dinamismo novo na vivência da caridade, nas formas de solidariedade, na cooperação com todos os que procuram o bem das pessoas, o bem comum”. “Alguma mágoa por termos sido preteridos e a saudade justificada desta original comunhão de vida que nos foi dado saborear, comunhão de sonhos, de projetos, de canseiras, não minimizam a alegria de o termos sentido cristão connosco e Bispo para nós”, realçou.
Ribau Esteves, depois de uma divagação sobre a prioridade da substância sobre a forma, disse que D. António Francisco “foi muito” o exemplo de quem dá “primazia à substância das coisas e não à forma”. “Desde a primeira vez que o vi, percebi que tínhamos um bispo que nos reduzia a distância para com Deus”, disse, porque “é importante que os que representam autoridade reduzam a distância, seja o bispo, o reitor, o presidente da câmara ou o empresário”. O presidente da Câmara Municipal de Aveiro rematou as suas palavras afirmando que “a tristeza da partida tem sempre a alegria da chegada para alguém”.
A sessão, no auditório da Reitoria da UA, foi abrilhantada com momentos musicais proporcionados por Isabel Alcobia. Acompanhada pela pianista Xao Ling, a soprano interpretou dois andamentos do motete “Exsultate, jubilate”, de Mozart.
No final da sessão, muitas dezenas de pessoas quiseram despedir-se pessoalmente de D. António Francisco.

Jorge Pires Ferreira

 

 

Livro da história da Diocese de Aveiro


A sessão de agradecimento a D. António Francisco foi também o palco para apresentação do livro de Monsenhor João Gonçalves Gaspar, “Diocese de Aveiro. Subsídios para a sua história”. Trata-se, como explicou, de um avanço de 50 anos em relação à edição original, de 1964. O volume de mais de 800 páginas centra-se na ação dos bispos de Aveiro, mas não é possível desligá-los dos sacerdotes, diáconos e leigos, dos “múltiplos atores” que com eles colaboraram. Mons. João Gaspar, elogiado pelo reitor da UA por ser o autor do primeiro livro sobre a história da academia aveirense, de 1999, sublinhou que os bispos aveirenses alimentaram sempre “novos projetos” de evangelização, fizeram-se “ao largo”, e cumpriram o lema da diocese, “amar a Deus é servir”.