A obrigação e o dever de votar

FLAUSINO SILVA Empresário
FLAUSINO SILVA
Empresário

As eleições para deputados à Assembleia da República realizam-se no próximo domingo, como todos os portugueses saberão.
O voto é a forma de participação por excelência nas escolhas políticas consagradas nos regimes democráticos. Quanto maior for o número dos que exercerem o direito de voto, mais representativo será o resultado das eleições.
Em Portugal, ao contrário do que sucede em outros países, o voto não é obrigatório, pelo que o ato de votar é uma opção pessoal e livre de cada cidadão. Sendo um direito cívico da máxima importância, o seu exercício constitui um dever e uma obrigação de cidadania.
É pela participação nas decisões políticas que exercemos os nossos direitos e cumprimos os deveres de cidadãos. Participar com responsabilidade exige conhecimento das realidades, discernimento face às alternativas e clarividência, para fazer uma opção consciente e esclarecida.
Mau grado o excesso de ruído e de confusão reinantes na apresentação das múltiplas propostas partidárias, é sempre possível e nossa obrigação orientarmo-nos, na escolha, por princípios e valores que garantam as melhores soluções governativas para o país.
Realizando os cristãos leigos a sua vocação e missão no mundo, pela sua intervenção no quotidiano da história, compete-lhes agir para que as escolhas políticas recaiam sobre quem der mais garantias de melhor vir a interpretar e realizar os legítimos anseios e esperanças do povo.
Sendo inalienável esta responsabilidade dos cristãos leigos, é seu primordial papel, como cidadãos, colaborar na formação das consciências para uma participação política e cívica esclarecidas, norteadas pela procura de soluções que privilegiem o maior bem comum.
As eleições do próximo domingo ocorrem num quadro de muitas incertezas e riscos para o futuro dos portugueses e em clima político muito tenso derivado das condições que marcaram os últimos quatro anos.
O clima de crispação e a oferta de múltiplas alternativas dificulta uma escolha serena e esclarecida. Responsáveis e conscientes devemos nortear-nos por princípios e valores éticos, morais e sociais, excluindo os extremos e os excessos, as quimeras e as pretensões irrealizáveis, mesmo que socialmente atractivas.
O caminho da governação, no quadro actual das inúmeras incertezas e dificuldades internas e externas, é muito estreito e cheio de escolhos e as soluções alternativas muito escassas.
O país não tem margem para experimentalismos e excessos, exigindo uma governação rigorosa e parcimoniosa, sem aventureirismos despesistas, para se manter o equilíbrio entre o que se produz e o que consome.
Nestas condições, a opção de voto e a escolha dos portugueses tem ainda de ser mais prudente e cautelosa, exigindo um maior esforço individual e colectivo de discernimento, bom senso e acerto na decisão a tomar.
Mas que ninguém fique em casa sem ir votar. Não deixemos que os nossos familiares, vizinhos e amigos embarquem na onda do “para quê votar se são todos iguais”, usada para dissuadir os cidadãos que, na sua maioria, têm no voto a sua única forma de afirmar a sua cidadania.
Quem não exercer este direito fundamental está a virar as costas futuro. Não votando perde toda a legitimidade para contestar a escolha e reclamar das decisões que vierem a ser tomadas. Quem não vota, exclui-se não participando da escolha!
Um cristão, por sê-lo, deve a si mesmo a responsabilidade e a obrigação de exercer este direito e de ser exemplo de cidadania na sua escolha consciente e livre!
Votemos!