Oscar Romero
Roberto Morozzo della Rocca
Apostolado de Oração
232 páginas
13 euros
O historiador Andrea Riccardi, mais conhecido como fundador da Comunidade de Santo Egídio, assina o prefácio de “Oscar Romero” com palavras que, sem dúvida, despertam para a leitura desta obra pelo seu valor historiográfico e religioso: “A investigação histórica de Morozzo (…) permitiu reconstruir a verdadeira imagem do arcebispo assassinado, que tinha sido encoberta por tantas camadas polémicas e ideológicas, e que se tinha tornado uma bandeira partidária”. E mais à frente: “O estudo de Morozzo foi importante para a causa da beatificação de Romero, na qual era indispensável elucidar a riqueza e a complexidade da sua figura de cristão latino-americano e de bispo católico”.
Diz ainda Riccardi que o não reconhecimento eclesial do martírio do bispo salvadorenho era como se uma mãe não reconhecesse o sangue derramado por um filho seu que tinha vivido para ela. Mas porque é que a mãe não reconhecia o filho? De facto, foi preciso um Papa do “fim do mundo”, mas geográfica e espiritualmente perto de Romero, para o processo avançar. Foi preciso vencer a “tenaz oposição de setores católicos e episcopais latino-americanos, que o consideravam uma figura ideológica, esvaziada e progressista, manipulada por grupos de teólogos da teologia da libertação”.
O reconhecimento através da beatificação, como é sabido, acabou por acontecer no dia 23 de maio de 2015, em San Salvador.
A investigação do historiador Roberto Morozzo della Rocca desenvolve-se ao longo de sete capítulos. O primeiro abarca os primeiros cinquenta anos de Romero (1917-1967). Os outros seis, a vida e o trabalho do bispo Romero, até ao assassínio, no dia 24 de março de 1980, enquanto celebrava a Eucaristia. Há subcapítulos que, só pelo título, tornam irresistível a leitura; “Perseguições à Igreja e injustiça social”, “A ideologização da esperança”, “Infinitamente político”, “Invejas eclesiásticas”, “Romero e João Paulo II”, “A Quaresma de Romero”.

