A coragem da verdade

Querubim Silva Padre. Diretor

Querubim Silva
Padre. Diretor

O conflito está aberto e aceso. A miopia ideológica formata mentes totalitárias e intolerantes. Uma grande parte dos que gritam pelas liberdades de Abril não sabe o que é Abril, clama “fascismo” e “reacionários” em todos os tons, mas nunca soube o que foi opressão e privações. Ou então herdou uma cassete de processos históricos falidos, que reduz a liberdade ao bem-estar de uma nomenclatura dominante, ignorando a massa do povo ou considerando-o rude e incapaz de pensar e tomar decisões, substituindo-se, em consequência, à vontade desse povo simples mas digno.
Uma das canções de Abril exprime bem a raiz da autêntica liberdade: “Não há machado que corte a raiz ao pensamento! Não há morte para o vento!…”. É que a pessoa humana é única e irrepetível. A sua dignidade, plasmada também pela presença do Espírito, que sopra onde quer, como quer e quando quer, não se deixa agrilhoar por ideologias, por disciplinas partidárias, por algemas, grades das prisões ou desterros.
E, por essa razão, não hipoteca a ninguém o seu direito de pensar, de escolher, de decidir. Nem que seja ao primeiro-ministro, ainda que ele fosse legitimado pelo voto de uma maioria do povo. Não lhe confere, nem a qualquer ministro ou governo, o direito de dispor dos seus créditos para decidir unilateralmente que é prioritário aquilo que serve a sua ideologia – ou dos comparsas – chamando-lhe o interesse público.
O Estado não tem dinheiro! Tem o nosso dinheiro, o dinheiro dos nossos impostos. E outro que tenha, pedido emprestado sem nos consultar, dele nos tem de dar contas, porque nós é que teremos de pagar a dívida!
Por isso, deixe de edificar os caprichos das suas ideologias! Olhe para todos e cada um dos portugueses que também sabe pensar, a quem não pode cortar a raiz do pensamento, e respeite cada criança, cada jovem, cada adulto, cada idoso, como pessoa que é. Deixe de rotular as pessoas em escalões! Distribua equitativamente a cada Família aquilo que, por obrigação constitucional, tem obrigação de dar para educação dos filhos e deixe que os Pais pensem e decidam onde querem colocar os seus filhos para lhes preparar o futuro!
Cada aluno, no serviço público de educação, só é pago uma vez pelos nossos impostos, seja por uma escola estatal seja por uma escola de iniciativa da sociedade civil. Redundâncias?… Só de salas, de betão, esbanjando os nossos impostos, para esmagar os recursos físicos generosamente ofertados por iniciativa privada, municipal ou cooperativa.
Tenham a coragem de assumir a verdade, senhores governantes, em vez de multiplicarem mentiras e endeusarem caprichos sectários!