Acordem! Acordem!

FLAUSINO SILVA Empresário

FLAUSINO SILVA
Empresário

Este apelo do nosso saudoso Bispo D. Manuel de Almeida Trindade, na manifestação dos cristãos de Aveiro, no verão quente de 1975, não para de ecoar nos meus ouvidos, desde que o atual governo tomou posse.
Em dezembro passado, sob este mesmo título, lançamos o alerta contra as evidenciadas tendências estatizantes do novo poder instituído, fundado no oportunismo político dos seus líderes sedentos de poder, alcançado a qualquer preço.
Cedo se revelaram os seus intentos: renacionalizar o que fora privatizado e reverter o que fora concessionado, para satisfazer os minguados apetites sindicais e suportar os seus dirigentes, enfraquecidos pela perda dos bastiões dos centros grevistas.
Reverter as medidas de contenção implementadas pelo governo anterior, acabando com a austeridade, aumentar o rendimento das pessoas com a reposição dos cortes nas remunerações e nas pensões e pôr a economia a crescer mais de 3%, foram promessas do novo governo, apoiadas pelos parceiros da coligação com entusiasmo.
E o povo, claro, recebeu as promessas com grande expectativa e uma certa esperança, alimentadas também pela lua de mel presidencial que se vem prolongando no tempo.
E lá vamos cantando e rindo, levados, levados, sim … que o sonho é lindo! Lembram-se?
Mas, começamos a acordar e o sonho começa a dar sinais de vir aí um novo pesadelo, com mais e mais impostos, que já comeram todo o escassíssimo aumento de rendimento que o Governo anunciou e propagandeou.
Hoje, estamos mais ou menos na mesma, com mais uns feriados na algibeira – rebuçado prometido, que não acrescenta nada ao rendimento das famílias, nem faz crescer a economia do país.
Amanhã teremos menos horas de trabalho – outro rebuçado prometido para funcionário público saborear, que não acrescentará um cêntimo ao bolso dos seus beneficiários e tirará muitos cêntimos a todos os cidadãos para pagarem o aumento da despesa com novos funcionários, aumentando o défice e atrofiando a economia!
Tanta desfaçatez, tanta promessa vã, tanta festa, com tanta pobreza e miséria à mistura.
E nós cidadãos, calados, pacíficos, ouvindo os dislates dos novos arautos políticos, alguns com grande Curriculum Vitae, universitários, doutores, especialistas, defendendo causas inúteis para entreter o povo, jogando com o sexo das palavras!
Os mesmos que afirmam que o Parlamento é o santuário da democracia e que lá é que dirimem todas as decisões, sobre casais e uniões, sobre paternidade, maternidade e adoção, sobre aborto à vontade do freguês.

Mas quando se trata de votar o Programa de Estabilidade (como em anos anteriores) os partidos que suportam o governo já não acham que o Parlamento se deva pronunciar, isto é, dois pesos e duas medidas.
Afinal os partidos que querem que Portugal não pague a sua dívida externa e que saia do euro (enchem a boca com o bem estar do povo mas, quanto pior, melhor) propõe-nos hoje, pasme-se, o caminho do “orgulhosamente sós” do tempo da ditadura! Valentes!
Não pagar as dívidas, sair do euro, aumentar benefícios e regalias aos cidadãos, nacionalizar, estatizar, são os novos caminhos que o triunvirato do governo nos propõe: RECUSEMOS!
RECUSEMOS, NOMEADAMENTE, A ESTATIZAÇÂO DO ENSINO!
O Governo decidiu asfixiar o ensino privado, nomeadamente as escolas com contrato de associação, acabando com os financiamentos e obrigando os alunos a frequentar o ensino público. Em nome de quê e para atender a quem?
Vozes das esquerdas radicais afirmam que o Estado está a financiar o ensino privado com o dinheiro dos contribuintes. Sim é isso mesmo; mas não são os contribuintes porventura todos privados? Não são os contribuintes que estão a pagar aos seus partidos, para estarem comodamente instalados na Assembleia da República e fazerem as suas campanhas políticas, contra as ideias da maior parte dos cidadãos?
Qual a legitimidade do atual governo para alterar os contratos celebrados com as escolas privadas pelo governo anterior?
Porque se esconde o Primeiro Ministro detrás de um Ministro da Educação, cujas decisões têm sido intensamente contestadas, considerando-o um dos piores do governo??
Terá o Senhor Primeiro Ministro compromissos obscuros com os seus parceiros que o obriguem a desfazer tudo o que foi feito e a atacar tudo o que é privado e – neste caso das escolas privadas, desfazer o que é bom, que é bem feito, que gera emprego, que educa os jovens com valores e que agrada às pessoas e às famílias?
Quis o Senhor Primeiro Ministro, no interior do seu governo, com a anunciada medida de corte dos apoios, eliminar escolas, atacar princípios e valores, incluindo os da ética e da moral cristã?
Se assim for, é preciso que os pais, professores, educadores, famílias, associações de leigos e a própria hierarquia da Igreja, saiam para a rua, como fizemos há 41 anos, para defender os nossos direitos e dizer: NÃO É ESTA POLÍTICA QUE QUEREMOS: BASTA! BASTA! ACORDEM!