Painel Diác. José Alves
Presidente da direcção da Cáritas Diocesana de Aveiro
A Cáritas é uma Instituição da Igreja Católica, vocacionada para o apoio imediato e sobretudo em situações de emergência/urgência. Como tal, sente de forma profunda a situação actual, quer no atendimento social na sede da Cáritas Diocesana de Aveiro, quer no atendimento prestado pelos grupos paroquiais Cáritas.
Nos últimos tempos, o número de pedidos tem aumentado duma forma que se pode considerar quase alarmante. Só no atendimento da sede, verificaram-se 235 situações no mês da Agosto, contra 105 em igual mês do ano passado. Nos oito primeiros meses de 2011, verificou-se um aumento de mais de 60% em relação a igual período do ano de 2010.
Como principais causas entre outras, surgem as situações de corte nas prestações sociais, nomeadamente nos subsídios de desemprego, RSI, etc. Também o desemprego e os ordenados em atraso continuam a ter um peso relevante.
Isménia Franco
Presidente da direcção do Centro Comunitário da Vera Cruz
Não fomos afectados pelos cortes de subsídios atribuídos pelo governo central, mas não passados ao lado da crise. As dificuldades da população têm um reflexo directo na instituição. Os pedidos de apoio comunitário aumentam dia após dia, o que nos leva a ter uma preocupação diária acrescida, pois não queremos deixar ninguém sem apoio.
No que se refere ao financiamento recebido pela comparticipação dos utentes, através das mensalidades, aí sim, o reflexo é evidente. Pessoas que durante anos cumpriram escrupulosamente os seus deveres para com a instituição vêem-se hoje com dificuldades de o fazer. No entanto, não temos deixado ninguém em situação de carência sem apoio, o que muito me satisfaz.
O Lar que estamos a concluir foi, felizmente, pensado e projectado em bom tempo. É uma obra que engrandece a nossa freguesia e cidade. Há mais projectos nas nossas mentes, mas terão de ser repensados em termos temporais.
P.e António Costa Leite
Presidente da direcção do Centro Social Paroquial de Recardães
O CSPR tem vindo a sentir grandes dificuldades na sua sustentabilidade devido a estes factores: aumento do custo de vida, aumento do custo médio por utente; aumento do IVA; redução do número de utentes; da redução da comparticipação familiar; desemprego; redução dos apoios financeiros e investimentos por parte do Ministério da Solidariedade Social.
A sobrevivência não está em causa, mas avizinham-se mais dificuldades. Pensamos na reestruturação de alguns serviços e na criação de outros que possam dar respostas a novas necessidades. Sabendo já que os apoios económicos não serão garantidos, e tendo em conta as dificuldades acrescidas na obtenção de empréstimos e o enorme peso de juros, poderá estar em causa o fecho de algumas valências.
Gostaríamos que houvesse uma maior flexibilidade na legislação que permitisse mais autonomia na gestão. Apostar na divulgação dos serviços no mercado também importante.
P.e LicíNio Cardoso
Presidente da direcção do Centro Social Paroquial Maria da Glória – Silva Escura
Temos assistido a um ligeiro aumento no número de pedidos, sobretudo por parte de famílias anteriormente estáveis e autónomas economicamente. Por outro lado, os pais evitam a todo o custo colocar os filhos nas actividades de tempos livres e na creche. Só em casos extremos recorrem a estes serviços: a creche tem menos 50% de crianças e o ATL menos 40%.
Onde a crise nos afecta mais é no enorme atraso nas transferências de verbas de alguns projectos sociais, como é caso do CLDS [Contrato Local de Desenvolvimento Social “Por Terras de Se Ver”, um programa que visa a inclusão e o exercício da cidadania através de acções como a alfabetização e a formação profissional], já com 8 meses sem transferência de verbas.
A dificuldade em conseguir crédito junto dos bancos leva a que o projecto de construção das novas instalações do nosso centro social vá parar já no final deste mês de Setembro.
