A Dignidade e o Papel da Consciência

Ecos de Roma Na última década, as questões e os problemas éticos começaram a ser notícia. Com frequência são abordados pelos meios de comunicação social, o que prova uma nova sensibilidade. As causas são diversas: o desenvolvimento técnico-científico, que põe à luz do dia o discernimento entre o bem e o mal, fazendo depender o futuro da nossa capacidade e vontade de decidir e actuar na base de opções válidas, que defendam a dignidade da pessoa humana; os sofrimentos e as injustiças, que se revelam como responsabilidade de indivíduos e de grupos; a recuperação da subjectividade, que, constituindo um dado incontornável da cultura moderna, desencadeou a reflexão moral sob a dimensão subjectiva do agir humano (Os actos humanos são, hoje, dissecados nas relações que os ligam ao mistério da pessoa e da história); por último, a cumplicidade crescente dos desafios e dos problemas hodiernos, considerando que, por exemplo, comprar uma ‘coca-cola’ confirma uma estratégia, uma política, e não se trata simples e inocentemente de um acto de compra.

Num contexto pluralista, como o actual, as diversas dimensões da vida humana apelam para a consciência, para um maior empenho na sua formação, pois as problemáticas que se põem à humanidade reclamam decisões da pessoa humana, que são particularmente graves e põem em jogo o futuro da humanidade e do planeta.

Nunca, como hoje, a pessoa humana foi chamada a fazer tantas opções e em tão curto espaço de tempo, mas, também nunca como hoje, a pessoa se demitiu tanto desta tarefa, escondendo-se por detrás de frases como ‘para quê decidir se tudo já está decidido!’

O aprofundamento da dignidade da consciência é tarefa urgente e central, para que exista vida moral, uma vida orientada por critérios de defesa da dignidade da pessoa e dos direitos humanos, sobretudo dos que não têm vez nem voz. Promover a formação da consciência significa criar as premissas para o correcto agir humano, mediante uma consciência recta.

A consciência, enquanto centro profundo do eu pessoal, é considerada como fonte última das nossas opções, que dá sentido, consistência e verdade às nossas atitudes humanas.

Falar da consciência é, necessariamente, tocar nas entranhas profundas da pessoa, cujo futuro se quer carregado de sentido segundo o projecto de Deus na história pessoal de cada um como cidadão do mundo.