Por que razão morreu Jesus?
Não morreu de doença, não morreu de velhice, de acidente ou vítima de um qualquer enfarte de miocárdio. Jesus não tinha de morrer tão cedo. Ele veio ensinar o perdão de Deus, mas “esqueceu-se” de uma outra realidade inacreditável: Os homens não perdoam! E vai daí, não O deixaram viver. Menos de três anos chegaram para Ele ser condenado como um criminoso, de outros tempos, porque os grandes criminosos de hoje safam-se sempre e são os inocentes quem paga as favas. O inocente é condenado ontem como hoje!
A Sua forma de estar na vida, a Sua maneira de inquietar, o incómodo constante, a Sua palavra e o Seu comportamento faziam prever tudo isto. Jesus não se vende aos poderosos, não se deixa seduzir pelas aparências, não aceita o convívio e o “conforto” das meias-verdades, não vai pelas conveniências. A frontalidade é o seu escudo, a subserviência não entra nos seus planos, a hipocrisia é desmascarada em toda a linha, o legalismo religioso é condenado, o espectáculo não faz parte do seu projecto. A autenticidade só Lhe traz incompreensões e dissabores.
Jesus não soube viver, dizemos nós hoje. Podia ter sido simpático, podia ter ficado calado perante os grandes, podia ter sido condescendente não desafiando religião estabelecida, poderia ter passado por cima de tudo isso, uma vez que a Cruz estava ali tão perto! Mas não! Por isso foi crucificado.
Ontem ou hoje, Cristo seria condenado à morte ao fim de poucos dias, ou poucas semanas. Muita coisa mudou, muitos processos evoluíram, muitas situações se alteraram, mas o ser humano continua refinado na sua hipocrisia: queremos verdade e frontalidade, mas quando nos deparamos com elas, não aguentamos o impacto, porque, na prática, elas são incompatíveis com a nossa forma de viver!
O que tem acontecido e continua a acontecer hoje àqueles que têm a coragem de desmascarar a podridão moral, os negócios escuros, as habilidades económicas, as violações dos direitos humanos, a exploração dos pobres, as vigarices, as desonestidades e mentiras dos políticos? O que acontece a quem se afirmar pela defesa dos valores de sempre, pelos princípios morais? O mínimo que lhes pode acontecer é chamarem-lhes retrógrados. Quem defende a degradação social, humana, moral, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, esse é progressista!
Querem que a Igreja entre por estes caminhos? Se o fizesse estaria completamente podre. O mundo das trevas não quer a luz para que não sejam descobertos os seus jogos escuros. Esse mundo facilmente cresce, enriquece, abre falências, rouba as economias dos pobres, foge à justiça, joga com “arbitragens” envenenadas pelos compadrios e pelos favores. E se fosse só no futebol… É na vida de todos os dias. Eles ganham fortunas, recebem gorjetas fabulosas, roubam democraticamente, engenhosamente sabem dar a volta ao texto, mas continuam a ser aplaudidos, e passam impunes diante da lei que eles fazem, em seu favor, com certeza. Um árbitro do desporto erra, reconhece o erro, mas ninguém lhe perdoa; a outros, que não são árbitros do desporto, que nos (des)governam, acumulando erros e mais erros que não reconhecem, toda a gente lhes perdoa tudo, mesmo aquilo que não deveria ter perdão. E querem que a Igreja e as pessoas sérias se calem e os apoiem.
Decidi para sempre não me deixar envenenar pela cobardia, pelo medo, pela graxa, pela sabujice e pela hipocrisia; assumo a luta e a guerra que resulta de tal posição. Assumo continuar a gritar as verdades que não são convenientes ou não se podem dizer.
Assumo lutar e denunciar este humanismo sem humanidade, esta sociedade democrática sem democracia, a suposta igualdade dos cidadãos perante a lei sem justiça e sem equidade. Assumo que os inocentes são as grandes vítimas desta sociedade.
Nego-me a ser conduzido por quem não me respeita como cidadão e me quer impor a sua liberdade, impedindo-me de viver a minha.
“Ai de vós, hipócritas, que jogais com cartas falsas e saudais com sorrisos de falsa diplomacia”, “Ai de vós, hipócritas, que viveis de privilégios, deitais abaixo os irmãos para poder subir mais alto, e nunca os defendereis de verdade.”
Uns lavam, cobardemente, as mãos, enquanto outros, alheados, abanam a cabeça. E tu?
