
Cinco desafios do novo Bispo de Aveiro: espaços de fraternidade; cristãos discípulos e missionários; atenção às famílias; lugar privilegiado para os jovens; e libertação e promoção dos mais pobres.
D. António Manuel Moiteiro Ramos apresentou-se à Diocese de Aveiro na tarde de 14 de setembro, depois de no dia anterior ter tomado posse perante o Colégio de Consultores, junto ao túmulo de Santa Joana. Na Sé de Aveiro, foi acolhido com palmas dos fiéis, quer quando entrou para rezar na capela do Santíssimo, quer no cortejo do início da Missa. Um ambiente de alegria serena pela chegada do sucessor de D. António Francisco, atual Bispo do Porto.
Na homilia, em dia litúrgico da Exaltação da Santa Cruz, o prelado afirmou que a “missão da Igreja é dar visibilidade ao invisível” e que a evangelização é “a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade”, e equivale “ao esforço de renovação que a Igreja é chamada a fazer para corresponder aos desafios que a atual conjuntura social e cultural coloca à fé cristã, ao seu anúncio e ao seu testemunho, como consequência das profundas mudanças”.
No início do seu ministério episcopal em terras de Aveiro, o sexto bispo após a restauração de 1938, apontou desafios a que a Igreja deve responder “não cruzando os braços, não se fechando em si mesma, mas através de uma proposta de revitalização do seu próprio corpo, colocando no centro a figura de Jesus Cristo”. São eles: a geração de “espaços de fraternidade onde se realizem as palavras de Jesus: «Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles»”; a formação de cristãos como discípulos de Jesus e missionários, o que exige uma formação cristã profunda, uma catequese de adultos; a atenção às famílias, “nos imensos desafios que se lhes deparam na realização da sua missão”; um lugar privilegiado na vida das paróquias para os jovens, “que são o futuro da Igreja e da sociedade”; e a libertação e promoção dos mais pobres, porque “a falta de solidariedade nas suas necessidades influi diretamente sobre a nossa relação com o Pai bom que ouve o clamor dos seus filhos”.
D. António Moiteiro afirmou que evangelização exige novas formas de ser padre e de desempenhar um ministério na Igreja: “Se a evangelização se centra em configurar o cristão com Cristo, em ajudar as pessoas a conhecer a Deus e acreditar amorosamente n’Ele, este teria que ser um ministério especialmente apto para os que querem colocar a sua vida à escuta da Palavra de Deus e ao serviço da sua vontade, exigindo novas formas do exercício do ministério sacerdotal e a implementação da diversidade de ministérios eclesiais”.
Referiu ainda que a Igreja quer contribuir para a cidade dos homens. E porque o sonho da Igreja para o mundo “voa mais alto”, é necessário “educação, acesso aos cuidados de saúde e especialmente trabalho, porque no trabalho livrem crístico, participativo e solidário, o ser humano exprime e engrandece a dignidade da sua vida”, disse, citando o Papa Francisco.
Com o novo Bispo de Aveiro estiveram bispos de quase todas as dioceses de Portugal, padres e fiéis da Guarda, sua diocese de origem, e de Braga, onde serviu dois anos como bispo auxiliar, além, naturalmente, do clero, consagrados e leigos de Aveiro e de diversas autoridades. No final da celebração, durante quase duas horas, D. António Moiteiro recebeu os cumprimentos de centenas de pessoas.
J.P.F.
