“A Última Ceia” é a “Última Exposição” da Galeria Sacramento, uma vez que este espaço de arte deverá encerrar as suas portas no final de Julho.
O poeta e jornalista João Tomaz Parreira escreveu, a abrir o texto do catálogo da exposição, que “a ‘Última Ceia’ explica algumas coisas concretas e práticas religiosas da nossa Cultura Judaico-cristã”.Por isso, esse momento fundamental da vida de Jesus Cristo inspirou inúmeros artistas, poetas e escritores ao longo dos séculos. No entanto, foi Leonardo da Vinci o pintor que imortalizou a “Última Ceia”.
Em 1996, José Sacramento desafiou um considerável grupo de artistas plásticos a interpretarem a “Última Ceia”, tema que serviu de mote à XVIII Colectiva de Dezembro realizada nesse ano, pela Galeria “Grade” (posteriormente “rebaptizada” como “Galeria Sacramento – Arte Contemporânea”), exposição que foi um dos marcos dessa galeria aveirense.
Doze anos depois, José Sacramento voltou a lançar esse repto a um grupo de artistas, desafio aceite por cerca de três dezenas de artistas, entre pintores, escultores e fotógrafos, incluindo alguns estrangeiros. O resultado é um conjunto invulgar de “Últimas Ceias”, com interpretações que vão do mais clássico ao mais contemporâneo dos estilos artísticos, e da visão religiosa desse famoso momento da vida de Cristo, até aos olhares “agnósticos” de uma simples “ceia” do quotidiano. São mais de trinta obras, todas elas diferentes, como diferentes são os olhares, os estilos e as técnicas de cada um dos seus autores.
“Leituras com linhas diversas e mesmo contraditórias, próximas da teologia, ou contíguas até do ateísmo em algumas propostas metonímicas, todos os trabalhos criados e expostos procuraram o elo comum da solidariedade entre os comensais – o pão e os homens -, com algum simbolismo à mistura, mas do aspecto da traição pouco se pintou”, realçou João Tomaz Parreira, numa clara alusão a Judas, figura que mereceu pouco destaque (incluindo pela “negativa”, como era tradição) aos artistas presentes nesta colectiva.
A exposição apresenta obras da autoria dos artistas Abílio Febra, Alfredo Luz, André Capote, António Neves, Augusto Canedo, Branislav Mihajlovic, Cruzeiro Seixas, Inês Almeida – Mitsa, Isa Santos, Isabel Maia, João Dixo, João Pinheiro – Metatribe, José Gomes, Leandro Machado, Luís Repiso, Macias Wlosinski, Michael Barrett, Mário Silva, Moema Mattos, Ni Rodrigues, Nuno Quaresma, Paulo Neves, Pedro d’Oliveira, Pedro Tavares, Quintas, Sandra Ferro, Sheila Fraga, Sobral Centeno, Teresa Bravo, Teresa Brojo, Vaz Duarte e Xico Lucena.
O catálogo, com 24 páginas, totalmente a cores, apresenta reproduções de 34 obras, da autoria de 32 artistas. O texto de introdução é assinado pelo poeta e jornalista João Tomaz Parreira que, na parte inicial, faz uma resenha histórica sobre a evolução da representação pictórica e literária da “Última Ceia”, sobretudo a partir das obras deixadas por alguns dos maiores nomes da cultura mundial. Na segunda parte do texto, o autor faz uma breve apresentação de alguns dos trabalhos expostos na presente exposição, bem como de alguns que estiveram no evento realizado em Dezembro de 1996, na Galeria “Grade”.
C.F.
