“A vida de compromisso é sempre de barco a remos contra a maré (e não de avião a jacto)”

D. António Marcelino nas catequeses quaresmais: O matrimónio ainda é sagrado, quando… “casa-se hoje e descasa-se amanhã”?… Quando há nove centenas de casamentos católicos por ano na diocese de Aveiro, contra os dois milhares de há 25 anos? …Quando viver em união de facto deixou de ser factor de estigma social e é aceite com naturalidade, mesmo por famílias cristãs?… Quando o casamento parece estar dependente da “simples atracção afectiva”, do “sentimento espontâneo que depressa se pode tornar rotineiro e substituído”?

Sim. O matrimónio ainda é sagrado. E vai continuar a ser. Mesmo a recusa do matrimónio (“não sou capaz”; “é demasiado exigente”; “não são os papéis que dão a felicidade”…) “é uma afirmação do seu valor e importância”, reconheceu D. António Marcelino, na catequese quaresmal da última segunda-feira.

O matrimónio é sagrado porque se funda no acto criador de Deus (Gn 1,27; 2,18), porque o homem e a mulher que deixam a família original para fundar uma nova família são “sinal sério do acto criador que se perpetua para bem da humanidade”. Há algo de divino na origem de uma nova família. Por isso, escreve D. António Marcelino na folha que distribuiu aos participantes da catequese: “Todo o casamento autêntico, mesmo de não baptizados, pela fidelidade, unidade e fecundidade, tem uma dimensão sagrada. Assim a Igreja o fez sacramento [para os baptizados]”. E também por isso, quando dois adultos casados se baptizam, o seu casamento é “automaticamente” reconhecido como válido, sem necessidade de qualquer ritual ou processo. Não é por acaso que “na história da Israel, sempre que se pretende explicar a aliança de Deus com as pessoas, os profetas usam a linguagem da experiência conjugal e do amor dos esposos”, afirmou D. António Marcelino, referindo que “só ao anel dos esposos se chama aliança”, porque é “sinal da realidade mais profunda da união”, sinal do “pacto de sangue”, à semelhança do amor de Deus pela humanidade.

Assim se compreende que o casamento seja “indissolúvel por natureza”, apesar de “destrutível por vivência”, e que a relação de compromisso seja mais uma travessia de barco a remos, com os dois a remarem no mesmo sentido, do que uma viagem de avião a jacto. A vida em casal é “uma relação que se alimenta”, uma “dependência libertadora”, “uma vivência que se prolonga”, às vezes, até depois da morte de um dos cônjuges. A seguinte frase resume o fundamento e o apelo ao amor que o casamento significa: “Casa-se porque se ama, mas ama-se de modo diferente porque se é casado”.

Próxima Catequese: 12 de Março,

às 21h15, no Salão de S. Domingos

Tema: “Para casar na Igreja é necessário ter fé?