Anda-me deitar!

Olho de Lince A garota é já bem crescidinha. Não é propriamente a necessidade de a ajudar a preparar-se para o indispensável sono reparador o motivo que a leva a fazer ao pai esse pedido. É outra coisa. E essa é que me leva a registar o facto.

Percebe-se que o relacionamento familiar é condicionado pelas ocupações dos pais, pela obrigatoriedade de horas da filha no deitar. Não é fácil de gerir: o trabalho, os estudos, as obrigações de casal, os deveres de pais…

O que há é uma cumplicidade de todos, para que cada um possa prosseguir com os seus projectos, sem ficarem para trás dimensões essenciais do relacionamento familiar. A mãe precisa de mais uns mo-mentos para pôr em ordem matérias das aulas do dia seguinte. O pai não regateia, solícito, este aconchego que a filha ainda lhe pede…

É possível manter um clima de ternura, mesmo quando a vida tem ritmos exigentes. Continua, pequena, a pedir ao pai que te vá deitar! Continua, ó pai, a dar esse carinho à tua filhota! Os dois estais a dar à mãe razões para prosseguir a sua valorização; assim lhe dais também a melhor prova do vosso afecto.

Q.S.