As palavras poderão ser o mel da gratidão, a doçura do carinho. As palavras poderão saber ao amargo da ingratidão, à confusão da insensatez, à perturbação da mentira, ao requinte do egoísmo. E podem mesmo trazer o sangue do rancor, a punhalada do ódio!
Manifestar o descontentamento e a dificuldade não é o mesmo que fomentar a subversão e a anarquia. Gritar o desencanto a rondar o desespero é diferente de trazer à rua o insulto, a acusação injusta, a má educação. Dizer que há muita gente descontente é distinto de tomar a parte pelo todo e, sobretudo, confundir a ordeira manifestação com o oportunismo encapotado dos vampiros do poder.
Confunde a maioria do povo português, o verdadeiro povo trabalhador e sofredor, o discurso em seu nome, a organização de ações à sua custa… Quem paga os prejuízos de uma greve de trabalhadores portuários? Não são os que ficam sem os materiais chegados e necessários à manutenção dos postos de trabalho? Não são os que ficam com as encomendas retidas, pondo em causa a continuação de encomendas, por não serem entregues a horas? Não são os que ficam privados de realizarem o seu negócio de turismo pelos cruzeiros desviados?
E quem paga os custos da greve de transportes? Não serão aqueles que precisam de se deslocar para os seus locais de trabalho, vendo os custos das viagens acrescidos e multiplicado o tempo perdido, à espera do transporte que não chega?
É fundamental podermos exprimir as nossas opiniões. Mas elas terão de passar por insultos e injúrias, porventura dirigidas propositadamente a alvos errados, para deixar na sombra os verdadeiros responsáveis da calamidade pública?
E, se tantas “sábias” soluções há para os problemas nacionais, qual a razão que levou a omitir essas soluções no passado? E no presente: importa mais defender e preservar o bem comum ou derrubar um governo ou zelar o bem de um partido ou preservar e camuflar mordomias “insondáveis”?
Nunca é demais evocar a palavra de Jesus Cristo, que nos recomenda não seguirmos os critérios “mundanos”, quando investidos em autoridade: que o nosso desempenho não seja para sermos servidos, mas para servir. E a autoridade também vem da possibilidade de ter e usar a palavra! Tanta hipocrisia e manipulação que vemos e ouvimos nestas ocasiões!
Eu tenho esperança de que um dia tenhamos verdadeiros políticos, isto é, peritos, sábios e dedicados, para servir a polis, para gerir o bem público, no respeito pela dignidade fundamental da pessoa humana e da pessoa humana como ser em relação, ou seja, no esforçado trabalho de educar para uma busca de felicidade que tenha em conta os outros.
É uma falácia dizer que “a minha liberdade termina onde começa a liberdade dos outros”. As nossas liberdades entrecruzam-se, só são possíveis na corresponsabilidade social! Tenhamos consciência dos direitos; mas ponhamos em primeiro lugar os deveres! E, desse modo, promoveremos os direitos de todos!
