


“Casa Paris”, “Ourivesaria Matias” e “Café Avenida”, na Avenida Lourenço Peixinho, são imóveis de “grande presença urbana”.
Foram classificados como imóveis de interesse público o conjunto de edifícios da Avenida Dr. Lourenço Peixinho, em Aveiro, conhecidos por “Casa Paris”, “Ourivesaria Matias” e “Café Avenida”, com os números compreendidos entre o 64 e o 88.
A portaria n.º 97/2014, assinada pelo secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que classifica esse conjunto arquitetónico, construído na década de 1930, realça que é composto “por edifícios desenvolvidos em dois andares, e ocupando cada um dois lotes da Avenida, o que possibilita fachadas simétricas e de grande presença urbana”.
O projeto da “Casa Paris” é “geralmente atribuído ao arquiteto aveirense Francisco Augusto da Silva Rocha”, imóvel que, segundo a portaria, é “o exemplo mais reconhecido da linguagem Arte Nova na Avenida, onde não existem muitos testemunhos deste estilo que chegou a fazer escola na região. Na sua estrutura sóbria, destacada pelas cantarias e ferros forjados de primoroso desenho e lavor, conjugam-se as referências classicizantes e uma requintada decoração à base de linhas curvas, temas vegetalistas e motivos florais, já articulada com um geometrismo incipiente que deixa antever o gosto retilíneo prevalecente nas fachadas seguintes”.
Sobre os dois prédios seguintes, a portaria atribui os seus projetos aos arquitetos Jaime Rodrigues e Aníbal Ramos, referindo que “correspondem mais propriamente á fase de transição da linguagem beaux-arts das primeiras casas da Avenida, muitas vezes ecleticamente misturada com elementos típicos da ‘Casa Portuguesa’, para a estética mais geométrica e depurada da Art Déco, ainda que entendida aqui de uma forma mais epidérmica do que propriamente estrutural, uma vez que neles se conserva a estrutura dos edifícios anteriores”.
“Malgrado a considerável descaracterização dos pisos térreos, causada pela evolução da sua ocupação comercial”, a portaria considera que esses três imóveis “destacam-se pela qualidade arquitetónica, integridade estrutural e grande coerência formal e cronológica que partilham, apesar das distintas linguagens decorativas empregues, constituindo testemunho privilegiado da evolução da arquitetura na cidade de Aveiro entre o século XIX e o século XX”.
Mérito da ADERAV
A classificação agora concretizada culmina um processo iniciado há mais de uma década pela ADERAV (Associação de Defesa e Estudo do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro), que incluía ainda a classificação de outros imóveis aveirenses, geralmente considerados de estilo Arte Nova.
Fotos: Jorge Pires Ferreira
