“Velhas certezas e formas familiares caem sob o chicote da prosa fulminante” de Francisco

A conferência do P.e Georgino está disponível em texto e vídeo na página da Diocese de Aveiro na Internet
A conferência do P.e Georgino está disponível em texto e vídeo na página da Diocese de Aveiro na Internet

“Esta maravilhosa exortação visa relançar o ardor missionário, vivendo e transmitindo a alegria do Evangelho”, afirmou o P.e Georgino Rocha na conferência sobre o documento do Papa Francisco “Evangelii Gaudium” (“A Alegria do Evangelho”). “Tem como motivação constante o amor de Jesus que recebemos, a experiência de ser salvos por ele que nos impulsiona a amar cada vez mais”, prosseguiu na sessão que decorreu na noite de 13 de fevereiro, no Seminário de Aveiro.

O palestrante, que na manhã daquele dia havia proferido conferência semelhante aos padres reunidos na Casa Diocesana, nas jornadas de formação permanente, considerou a certa altura que a prosa do Papa Francisco é como um chicote. “«A Alegria do Evangelho» é classificada como exortação apostólica; e é literalmente assim. O Papa exorta alegremente a Igreja, todos os seus membros, a repensarem quase tudo o que faz à luz do objetivo-chave, a evangelização. Não pretende redefinir algo parecido como um processo de «igrejificação» ou eclesialização, mas como quase o oposto. Velhas certezas e formas familiares, todas caem sob o chicote de sua prosa, às vezes, fulminante”. E citou Francisco para exemplificar: “Mais do que como peritos em diagnósticos apocalípticos ou juízes sombrios que se comprazem em detetar qualquer perigo ou desvio, é bom que possam ver-nos como mensageiros alegres de propostas altas, guardiões do bem e da beleza que resplandecem em uma vida fiel ao Evangelho”.

Para Georgino Rocha, é “bem claro” o objetivo da mensagem, que “surge num estilo leve, claro e assertivo, sem deixar de ser fortemente realista e interpelante”: “Que a nova etapa evangelizadora seja marcada pela alegria que brota da fé no Senhor ressuscitado e que os caminhos indicados na exortação para o percurso da Igreja nos próximos anos sejam criativamente assumidos e realizados. Aceitar e implementar com realismo criativo e entusiamo apostólico esta nova etapa constitui certamente outro grande desafio a que somos convidados a dar resposta coerente, não apenas pessoalmente, mas em Igreja diocesana e suas comunidades e movimentos”.

P.e Georgino observou que o Papa Francisco “é um verdadeiro pastor «empapado» por Cristo. Se “se espremesse, como se faz a uma esponja, sairiam, em catadupa, lufadas de amor apaixonado, de ânsia missionária, de predileção pelas periferias existenciais de todo o tipo”. Esta centralidade em Jesus Cristo está na origem da Igreja e deve estar no âmago da evangelização. “O papa Francisco sonha como uma Igreja centrada em Jesus Cristo, na comunhão missionária e evangelizadora. O modelo de Igreja decorrente da sua ação pastoral é o de uma Igreja mais participativa e aberta, mais descentralizada e fluida, mais disposta a assumir riscos, menos preocupada com a conformidade doutrinal, menos clerical. Mas acima de tudo, centrada em Cristo”, afirmou P.e Georgino Rocha.