República Recriação na Praça da República evoca vivências aveirenses da implantação do novo regime. Aveiro só soube no dia seguinte.
A partir do artigo “Notas sobre a Implantação da República em Aveiro e seus antecedentes” escrito pelo Aveirense Ilustre Eduardo Cerqueira, publicado na Revista “Aveiro e o seu Distrito” de 1976, foi elaborado o projecto “Aveiro nas páginas da República” pelo professor Joaquim Rocha (Jackas), que tem como finalidade trazer à memória dos aveirenses excertos do que aconteceu há 100 anos em Aveiro.
Esta acção envolve a participação de cerca de 30 associações e entidades culturais do concelho de Aveiro. Terá lugar no dia 5 de Outubro, na Praça da República, com várias acções entre as 11h00 e as 17h30 horas. Durante este período de tempo será apresentada uma feira à moda antiga.
Enquanto Lisboa vivia intensamente uma revolução que viria a terminar com a monarquia em Portugal, as gentes de Aveiro, absorvidos pelo seu quotidiano, não deixam de manifestar alguma inquietude sobre o que se estará a passar, uma vez que as notícias são escassas. Nem telégrafo, nem jornais, nem passageiros vindos do Sul conseguem trazer a esta cidade quaisquer esclarecimentos sobre o que se está a passar. Mergulhados na regular feira que ocorria junto à Capela de S. João (que se encontrava edificada no Rossio), entre hortaliças, aves, oleiros, ferreiros, batatas, padeiras, circulam ilustres aveirenses que buscam incessantemente entre os demais, novas da capital. Entre pregões, sobressai a voz dos jovens ardinas que fazem circular a informação existente. Os viajantes que chegam à estação são imediatamente invadidos por todos aqueles que anseiam pelo momento de gritar vivas à República.
A certeza irrefutável da proclamação da República torna-se uma realidade em Aveiro apenas no dia 6 de Outubro de 1910. O primeiro acto público da República em Aveiro foi o hastear da bandeira nos Paços do Concelho pelo Dr. André dos Reis, que seria nomeado presidente da Comissão Municipal Administrativa Republicana para Aveiro.
Depois de grandes aclamações à República pelos populares e os mais destacados defensores dos ideais republicanos, a Banda Amizade (à época designada por Banda dos Bombeiros Voluntários) interpretou o hino “A Portuguesa”, composto em 1890, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, e que seria adoptado como hino nacional em 19 de Junho de 1911.
Tal como aconteceu em 1910, a Banda Amizade irá interpretar “A Portuguesa” após o hastear da Bandeira nos Paços do Concelho, na próxima terça-feira, pelas 15h45.
Seguindo algumas das referências que existem sobre a implantação da República e de como se terá manifestado na cidade de Aveiro, os grupos polifónicos do concelho de Aveiro vão entoar em uníssono a “A Marselhesa” na sua versão original (ver programa em destaque).
Fonte: Câmara Municipal de Aveiro
Programa de 5 de Outubro “Aveiro
nas Páginas da República”
11h00 às 17h30 horas – Feira à moda antiga e Exposição Documental no Teatro Aveirense e Escola Secundária Homem Cristo. O Povo concentra-se na Praça para saber informações sobre a Revolução
11h00 – Arruada pelas Fanfarras
14h55 – Cantar de “A Marselhesa”
15h30 – Hastear da Bandeira da República nos Paços do Concelho
15h45 – Tocar de “A Portuguesa”
16h00 – Discursos Históricos
16h20 – Actuação das Bandas
16h30 – Tomada de posse da Comissão Municipal Administrativa
17h30 – Cantar de “A Portuguesa”
