Galopim de Carvalho defende Barreiro de Aveiro, junto ao Centro Cultural e de Congressos. É o único testemunho geológico, na região, de um tempo habitado por dinossauros e crocodilos
Galopim de Carvalho, geólogo que ficou conhecido pelo estudo, defesa e valorização dos fósseis e outros vestígios de dinossauros em Portugal, é, desde há muito, um acérrimo defensor da preservação do “Barreiro de Aveiro”, situado junto ao Centro Cultural e de Congresso de Aveiro, defesa que uma vez mais voltou a fazer no Congresso Internacional de História e Património – Aveiro 250 Anos.
Este professor catedrático jubilado e antigo director do Museu Nacional de História Natural sublinhou que “Aveiro, a cidade da ria e dos moliceiros, tem no seu centro urbano um belo exemplo de conjugação de dois bens patrimoniais importantes na sua história. Um deles, construído, é a antiga fábrica de cerâmica de Jerónimo Pereira Campos, uma pérola da arquitectura industrial, em barro vermelho, do primeiro quartel do século XX. De grande relevância na história da economia local, esta grande e desactivada unidade fabril foi inteligentemente adaptada, em 1995, a Centro Cultural e de Congressos. O outro bem patrimonial, natural, é o barreiro anexo, do qual se extraiu, durante décadas, a matéria-prima, ou seja, a argila ali trabalhada na produção de telhas e tijolos”.
As argilas retiradas daquele barreiro são, de acordo com Galopim de Carvalho, “sedimentos muito finos trazidos por via fluvial e acumulados numa área plana, próxima do mar, que caracterizou toda esta região, no final da Era dos Répteis, mais precisamente, no topo do Cretácico, há cerca de 65 a 70 milhões de anos. No seio destas argilas foram encontrados fósseis animais e vegetais que nos permitem reconstituir uma paisagem tropical, alagadiça, onde, entre outros, viveram dinossáurios, crocodilos, tartarugas e peixes de grandes dimensões. O barreiro em causa é o único testemunho, na região, desse tempo antigo, imediatamente anterior à grande extinção que marcou o fim da Era Mesozóica e o começo dos tempos modernos, com grandes mudanças no clima, na flora e na fauna”.
“Porque estes dois tipos de património – o industrial e arquitectónico (a antiga fábrica), por um lado, e o natural (o que resta do barreiro), por outro – se complementam e valorizam mutuamente”, Galopim de Carvalho afirma: “Tenho vindo, vai para uma década, a desenvolver, junto da autarquia e na comunicação social, diligências no sentido da salvaguarda e valorização do referido barreiro”. O “pai” da paleontologia dos dinossauros em Portugal considera obrigatório preservar o local.
Cardoso Ferreira
