Bento XVI começa primeira Semana Santa como Papa

Bento XVI deu início, neste Domingo de Ramos, à sua primeira Semana Santa como Papa, afirmando que a verdadeira liberdade só é possível num mundo sem corrupção ou avidez.

“A liberdade interior é o pressuposto para superar a corrupção e a avidez que hoje devastam o Mundo. Tal liberdade só se pode encontrar se Deus for a nossa riqueza, só se pode encontrar na paciência das renúncias quotidianas, nas quais se desenvolve com verdadeira liberdade”, disse o Papa na homilia da Missa que ontem celebrou na Praça de São Pedro.

O Papa centrou a sua reflexão sobre a figura de Jesus, que entra em Jerusalém montado num jumentinho, cumprindo assim a profecia de Zacarias, com as três características por este anunciadas: pobreza, paz e universalidade. Segundo Bento XVI, estas três características “estão resumidas no sinal da Cruz”, que se tornou centro das Jornadas Mundiais da Juventude.

A “pobreza – observou o Papa – entende-se no sentido dos anawim de Israel, daquelas almas crentes e humildes que encontramos à volta de Jesus, na perspectiva da primeira bem-aventurança do Sermão da Montanha”. Ora, advertiu Bento XVI, “uma pessoa pode ser materialmente pobre, mas ter o coração cheio de avidez da riqueza e do poder que deriva da riqueza”.

“No sentido de Jesus – no sentido dos profetas – a pobreza pressupõe sobretudo a liberdade interior… pressuposto para superar a corrupção e a avidez que devastam o mundo. Tal liberdade só se pode encontrar se Deus se tornar a nossa riqueza; só se pode encontrar na paciência das renúncias quotidianas”, prosseguiu.

A profecia falava do Messias como um rei de paz, que fará desaparecer os carros de guerra e os cavalos de batalha, que despedaçará os arcos e anunciará a paz. “Na figura de Jesus, isto concretiza-se mediante o sinal da Cruz. Esta é o arco quebrado, de um certo modo é o verdadeiro arco-íris de Deus, que une o céu e a terra e lança uma ponte sobre os abismos que separam os continentes”, explicou o Papa.

“A nova arma, que Jesus nos coloca nas mãos, é a cruz – sinal de reconciliação, sinal do amor mais forte do que a morte”, acrescentou.

Finalmente, a terceira afirmação do Profeta, o anúncio da universalidade: “O espaço do rei messiânico – recordou o Papa – já não é um determinado país que se separaria dos outros, tomando inevitavelmente posição contra outros países. O seu país é a terra, o mundo inteiro. Superando toda e qualquer delimitação, Ele cria unidade, na multiplicidade das culturas”.

Ainda na sua homilia, Bento XVI assinalou a Jornada Mundial da Juventude, que foi celebrada pela Igreja este Domingo. O Papa destacou a presença da Cruz das JMJ, que iniciou o seu caminho de Colónia a Sidney, “um caminho através dos Continentes e das Culturas, um caminho através de um mundo dilacerado e atormentado pela violência”.

“É o caminho daquele que, pelo sinal da cruz, nos dá a paz e nos torna portadores da reconciliação e da sua paz”, prosseguiu Bento XVI.

A entrega da Cruz das JMJ e do ícone de Maria, que a acompanha, marcou a recitação do Angelus. Dirigindo-se aos peregrinos de língua portuguesa, o Papa saudou “com grande afecto os jovens de língua portuguesa”.

“Convido a todos a aclamar Cristo, luz e vida dos homens, e a escutar com viva admiração as suas palavras de paz e de reconciliação: ‘Tende confiança, eu venci o mundo’. Até Sydney, se Deus quiser!”, concluiu.

Programa da Semana Santa

Na Semana Santa, a Igreja “celebra os mistérios da salvação: a obra da redenção humana e da perfeita glori-ficação de Deus, cumprida por Cristo, especialmente nos últimos dias da sua vida, através do mistério pascal. Ele, ao morrer, destruiu a morte e, ressuscitando, restitui-nos a vida”, como explica o departamento das celebrações litúrgicas do Papa.

Na terça-feira, 11 de Abril, teve lugar uma celebração penitencial, o rito para a reconciliação dos penitentes, na Basílica vaticana. Foi uma iniciativa nova, acompanhada pela Confissão. João Paulo II costumava ir à Basílica, na Sexta-feira Santa, e confessar alguns fiéis.

Na Sexta-feira Santa, deverá ser possível voltar a ver um Papa na Via-Sacra do Coliseu, celebração para a qual, aliás, o então Cardeal Ratzinger escreveu as meditações em 2005. No Sábado, Bento XVI presidirá à Vigília Pascal, tal como fizera no ano passado, enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

13 de Abril – Quinta-feira Santa

Missa Crismal

Basílica de São Pedro, 09h30

O Papa preside à concelebração da Missa Crismal com os Cardeais, os Bispos e os presbíteros presentes em Roma, como sinal de comunhão entre os Pastores da Igreja universal e os seus irmãos no sacerdócio ministerial

Tríduo Pascal

O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor é o “cume de todo o ano litúrgico”.

13 de Abril – Quinta-feira Santa

Missa da Ceia do Senhor

Basílica de São João de Latrão, 17h30

O Papa preside à concelebração eucarística e fará o lava-pés a 12 homens. Durante o rito, os presentes são convidados a cumprir um acto de caridade para apoiar o projecto de reconstrução de casas para as vítimas das enxurradas no território da Diocese de Maasin, nas Filipinas.

Dia 14 – Sexta-feira Santa

Basílica de São Pedro, 17h00

Celebração da Paixão do Senhor

Coliseu de Roma, 21h15

Via Crucis

Dia 15 – Sábado Santo

Basílica de São Pedro, 22h00

Vigília Pascal

Dia 16 – Domingo de Páscoa

Praça de São Pedro, 10h30

Missa do Dia com o rito do “Resurrexit”

Sacada Central da Basílica, 12h00

Bênção “Urbi et Orbi”.