Calendário em contínuo vs. sucesso escolar

Educar… hoje A meio do ano lectivo, começa a contagem decrescente para as férias do Verão. Mas… é verdade, Julho e Agosto ainda vêm longe. Pensar no calor e no sol quente e abrasador, que nos alegra a alma e nos faz retemperar energias, parece um exercício pouco consistente nestes dias de frio, invernosos e tão gélidos, como há muito não nos lembrávamos, por termos memória curta.

O que é certo é que o calendário não pára. Daqui a pouco mais de dois meses, sairão as notas do segundo período, as avaliações intercalares vêm um mês antes, mas há pais e encarregados de educação (EE) que ainda não sabem as informações relativas aos primeiros três meses de aulas, vulgo primeiro período. Sim, sei que o facto de não comparecerem na escola não é condição sine qua non de desinteresse e falta de acompanhamento dos educandos. Sim, sei que, se todos os EE se dirigissem à escola para uma entrevista de 15 minutos com o Director de Turma (DT) (do 2º e 3º ciclos e do ensino secundário, já que no primeiro ciclo – antiga escola primária – quase todos, senão todos, acompanham o dia-a-dia escolar dos seus meninos), faltariam aos empregos cerca de uma hora, o que lhes descontaria no ordenado mensal. Sim, sei que os 15 minutos por período não seriam suficientes para a maioria dos pais, que gosta de conversar com os professores e ouvir contar os aspectos positivos dos seus filhos. Que pena que muitos dos EE só vão à escola para ouvir queixas!

Mas não, não sabia que muitos pais, não tendo ido buscar as notas, desconhecem as classificações que os seus filhos obtiveram no primeiro período. Pensava eu que um DT não ficaria surpreendido com a surpresa (redundância aqui propositada) de um EE, quando lhe anunciasse as negativas que o seu educando tinha. Não sorriam perante a minha ingenuidade! Aliás, a ingenuidade dos alunos que escondem as notas aos pais é que me faz sorrir! Agora, sorrio eu perante a vossa incredulidade: e quando um aluno diz ao seu DT as notas que teve, omitindo uma negativa?! Omite-a, porque não viu a pauta ou porque pensa que o DT não sabe?! E quando diz ao DT que não teve negativa na disciplina dada pelo DT?! Estranho? É verdade, mas acontece!

A meio do ano lectivo, há pais e EE que seguem os seus educandos, todos ou quase todos os dias: ou na meia-hora de estudo supervisionada pelo adulto; ou no tempo estipulado para grandes e pequenos lerem ou fazerem os trabalhos de casa, na mesma mesa que depois servirá para lhes alimentar o corpo; ou é a conversa à refeição, em que uns e outros se inteiram do que sucedeu nos respectivos empregos: porque a escola é o emprego dos filhos (muitos não respondem positivamente à solicitações de pais e professores, pensan-do que lhes bastará um trabalho afincado a dois meses do final do ano. Ilusões muitas vezes concretizadas, com graves consequências para o presente, mas sobretudo para o futuro). Há múltiplas formas de acompanhamento dos educandos: uma conversa a caminho da escola, comentários sobre o que se passa na sociedade, leitura de jornais e visionamento de filmes, telenovelas e notícias em conjunto.

Cada vez mais EE vão à escola, mas há ainda um grande número que se omite desse dever e, simultaneamente, direito na educação dos seus filhos. Porém o objectivo é comum a todos: o sucesso escolar. E porque o calendário é contínuo, já estamos a meio do ano lectivo: a contagem decrescente começou.