Calendário para melhor conhecer as religiões

Dias positivos 1. A forma como as religiões se relacionam mudou muito nas últimas décadas. Não me refiro apenas ao ecumenismo, o movimento de aproximação das confissões cristãs, que de inimigos de morte passaram a “irmãos separados” e cuja semana de oração acabámos de viver. Refiro-me ao diálogo inter-religioso, isto é, o diálogo entre as grandes tradições religiosas: o hinduísmo, o judaísmo, o budismo, o cristianismo e o islamismo. Bem longe vão os tempos em que, para os católicos, as outras religiões eram vistas como criação do diabo. Hoje, a valorização das diferenças religiosas só pode ser outra, bem mais tolerante e democrática: Deus, o paraíso, o que nos espera para lá da morte, o sentido da vida… tudo isto são realidades tão ricas que não se podem resumir numa única tradição religiosa. Seria um empobrecimento terrível se apenas houvesse uma religião.

2. Claro que o reverso da medalha da existência de várias religiões são os conflitos. E esses conflitos tanto podem ser países em guerra devido às diferenças culturais (e onde a religião é o factor predominante da diferença), como discussões sobre a vida em sociedade – como está a acontecer em França com a proibição do uso de símbolos religiosos ostensivos nos locais públicos. Na escola, por exemplo, as meninas muçulmanas não podem usar o tchador (o véu islâmico). Este tipo de problemas vai surgir com mais frequência, porque cada vez há mais pessoas deslocadas. E a globalização, ao contrário da homogeneidade que alguns anunciam, faz valorizar as diferenças culturais.

3. É neste contexto de necessidade de convivência das religiões e de partilha da sabedoria milenar, que há em cada uma, que surge o calendário das edições Paulinas “Celebração do Tempo”. O que tem este calendário de especial? Ao longo dos dias do ano ficamos a par das principais festas das cinco grandes tradições religiosas já referidas, dos princípios dogmáticos, do modo como contam o tempo e mesmo de alguns crentes mais destacados.

Na primeira semana de Fevereiro, por exemplo, quanto às festas, no dia 1, os Ortodoxos iniciam o Triodion (cíclo pré-pascal); no dia 2, os muçulmanos celebram o Id-al’adha (obediência de Abraão a Deus), enquanto ortodoxos, católicos e anglicanos comemoram a apresentação de Jesus no templo; no dia 6 os budistas lembram o Buda Amithaba; no dia 7 os judeus celebram a Tu B’shevat (entrega do dízimo); e no dia 8 os budistas têm o seu dia do Nirvana (libertação da alma). A explicação destas datas, aqui naturalmente resumida, vem no verso e permite-nos entrar um bocadinho no mundo fascinante de cada religião.

4. Elaborado com a colaboração dos líderes em Portugal de cada uma da religiões, este calendário já teve uma edição em 2003 e custa 3,5 euros. Em casa, na sala de aulas ou na sala de catequese, será certamente um sinal de tolerância e respeito pelas outras religiões. É um modo de as conhecer (e só se ama o que se conhece). Por outro lado, conhecendo as outras religiões, em vez de pensarmos “é tudo igual”, podemos certamente viver melhor a nossa.