AVEIRO – Museu da República extinto O Museu da República – Arlindo Vicente, foi extinto, por deliberação do executivo municipal aveirense, de 18 de Setembro, data em que foi aprovada a criação do Museu da Cidade, a instalar nos dois edifícios até agora ocupados pelo Museu da República.
O Museu da Cidade terá “uma dupla função: agir em favor da investigação, estudo e salvaguarda do património cultural aveirense e agir enquanto elemento gestor do património cultural fomentando a sua promoção e atraindo visitantes e divisas”, conforme refere uma nota informativa emitida pela autarquia.
De acordo com esse documento, o Museu da Cidade “terá como objectivos gerais: criar pólos culturais activos e interligados; salvaguardar a identidade cultural de Aveiro; incentivar a transmissão de memória colectiva; fomentar o desenvolvimento da comunidade local em actividades culturais; descentralizar políticas culturais; atrair públicos e visitantes; gerir de forma concertada os diversos equipamentos culturais; rentabilizar recursos e meios; fomentar o turismo cultural na região de Aveiro; criar novos produtos turísticos e fomentar novos espaços culturais”.
As principais funções do Museu da Cidade agrupam-se em três áreas: programação, gestão e gestão de colecções. A programação inclui: definição dos conteúdos programáticos anuais, realização das exposições no âmbito da programação anual, desenvolvimento das actividades do Serviço Educativo, difusão e publicações. A gestão visa essencialmente os recursos humanos, a promoção e o desenvolvimento, enquanto que a gestão de colecções tem a ver com a conservação, o restauro e a documentação.
A autarquia aveirense tem um importante espólio, que só muito esporadicamente e de forma limitada tem sido exposto ao público, oriundo de antigos edifícios que foram demolidos na cidade, como azulejos e outras peças decorativas de interesse para a história da evolução arquitectónica do concelho. Mas há também um acervo de interesse para áreas tão diversificadas como a etnografia, a arte, a arqueologia, entre outras. A par disso, há também um vasto espólio documental e cartográfico.
Arlindo Vicente na toponímia aveirense
Quando os dois edifícios foram restaurados e remodelados para acolherem um espaço museológico, no projecto inicial já havia referência a um Museu da Cidade. Mais tarde, a opção foi para o Museu da República ocupar os dois edifícios, que interiormente podem funcionar como um único. Apesar de inaugurado, o museu nunca chegou a existir como tal. Nos últimos anos, era “tradição” a promessa do Museu da República abrir, como museu, no dia 5 de Outubro, data em que se comemora a implantação da Re-pública.
Com o fim do Museu da República – Arlindo Vicente, a Câmara Municipal de Aveiro acordou com os doadores – António Pedro Vicente e Maria Lurdes Marques, a devolução do espólio destinado a constituir o núcleo base do Museu da República. E isso porque, de acordo com a referida nota de imprensa, “o acordo de 5 de Outubro de 2002 não foi cumprido” e também porque a autarquia aveirense “não dispõe de meios para criar as condições essenciais à abertura do museu nos termos acordados”.
Apesar do acervo regressar aos seus proprietários, a autarquia reconhece o valor desse espólio, deixando em “aberto a possibilidade de doação do acervo documental, em forma e condições a definir posteriormente”. A par disso, o executivo municipal “reconhece a enorme dedicação de Arlindo Vicente a Aveiro” e também como “se sente grato pela grande generosidade demonstrada pelos seus doadores”, pelo que se propõe “que uma das artérias da cidade seja denominada de «Arlindo Vicente».
