Campanhas para os pobres

Última coluna Somos os primeiros a reconhecer que em horas de infortúnio todos nos devemos mobilizar para ajudar os que mais precisam. Vezes sem conta demos cobertura neste jornal às mais diversas campanhas em favor dos que mais sofrem, em Portugal e no mundo. Assim aconteceu, recentemente, com as vítimas dos incêndios do último Verão.

Duma maneira geral, o povo português tem provado à saciedade que é generoso, mostrando sempre um empenho muito grande em colaborar com os que tomam a iniciativa de avançar com as campanhas. Dá sempre o que pode e muitas vezes o que não pode, e a prova disso está nos êxitos alcançados.

Acontece, porém, que há sempre quem, fingindo ter espírito de caridade, pretenda enganar os outros, enganando-se a si próprio, ao aproveitar as circunstâncias para fazer uma limpeza geral à sua habitação.

A denúncia desta realidade, decerto não correspondente à maioria dos que assumem no dia-a-dia a solidariedade e a caridade, veio do responsável da Delegação de Aveiro da Cruz Vermelha Portuguesa, Mário Silva, em declarações ao JN, a propósito da campanha para as vítimas dos incêndios. “Houve gente que nos deu coisas boas, que certamente irão ser úteis a quem perdeu tudo. Mas, infelizmente, também houve quem aproveitasse a campanha para fazer uma limpeza em casa, mandando-nos todo o lixo que por lá havia”, disse.

De facto, e como confirmou ao JN, ali entregaram as coisas mais inacreditáveis: “sapatos sem sola, roupa suja e rasgada, mesas semidestruídas, fogões sem bicos e sem portas, carpetes imundas, entre outras coisas em péssimo estado.”

Afinal, o verdadeiro espírito de caridade e de solidariedade ainda anda muito arredio de certa gente.

F.M.