Catequese em renovação (II)

“A catequese é um itinerário que tem em vista a vida cristã adulta”. Há-de, por isso, desaguar na participação na Eucaristia e no compromisso na Comunidade. Esta progressiva conversão, dos ídolos à identificação com Jesus Cristo, tem “uma fase fundamental, em que se lançam os alicerces da vida cristã e que, portanto, condiciona o edifício futuro da fé: é a iniciação cristã.”

Em torno dos sacramentos do Baptismo, Confirmação e Eucaristia, a catequese precisa de: “educar no conhecimento e na vida de fé”, de modo orgânico e sistemático; “promover a comunhão com Jesus Cristo”, mostrando claramente a identidade cristã e motivando a escolha progressiva do projecto de Jesus, em meio de um mundo plural e hostil; se apresentar como um itinerário escalonado em fases de crescimento, marcadas por competências, conhecimentos, gestos e ritos próprios; “levar a viver na celebração litúrgica e na oração” o que se aprende sobre a vida cristã.

A Comunidade cristã é o ambiente vital da catequese: “constitui o lugar ou o quadro habitual da catequese”, já que esta não é uma função individual, mas fruto e realização da afeição e da responsabilidade comunitária. Com uma responsabilidade diferenciada, dos pastores aos catequistas, da família – de novo chamada, mesmo em circunstâncias distintas, a retomar o seu dever primordial – ao conjunto dos fiéis. Todos empenhados em “fazer da Igreja a casa e escola de comunhão” – o desafio que J.P. II anunciou para este Milénio.

Passou o tempo de se considerarem as crianças os destinatários privilegiados da catequese. Em todas as fases etárias se encontram pessoas que precisam de uma catequese de iniciação, que procuram uma catequese de iniciação. Por outro lado, já não vivemos, de modo algum, uma situação de fé apoiada na tradição social; hoje, crer, exige uma opção pessoal, esclarecida, convicta, radical. Eis por que se reclamam da comunidade propostas de catequese diferenciadas, segundo níveis etários, circunstâncias culturais, situações pessoais ou grupais diversos.

Naturalmente que os catecismos, fiéis ao essencial cristão e à dinâmica catecumenal – isto é, de aliança permanente da aprendizagem de conteúdos com as atitudes coerentes de conversão e os gestos celebrativos, terão de contemplar esta diversidade de destinatários e de condições específicas.

Concluindo: Sem novidades de conteúdo, estamos perante um documento da CEP que sistematiza algumas questões fundamentais para renovar a catequese nas nossas comunidades, como serviço imprescindível à nova evangelização.

Q.S.