Católicos na crise

Questões Sociais Segundo o Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, a «Igreja (…) intervém na sociedade a três níveis»: a livre «participação e intervenção política», própria dos leigos; a participação de cristãos, membros do clero ou leigos, nas instituições «com particular ligação à hierarquia»; e a ação específica do clero. Acerca da ação própria dos leigos, João Paulo II e Bento XVI afirmaram que os «fiéis leigos (…) são chamados a participar pessoalmente na vida pública. Não podem, pois, abdicar «da múltipla e variada ação económica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover, orgânica e institucionalmente, o bem comum» (encíclica «Deus Caritas Est», nº. 29).

Desde o final do Concílio Vaticano II, os cristãos têm-se caracterizado por uma participação significativa na vida da Igreja – liturgia, catequese e ação social. Além disso, têm-se empenhado na sua vida pessoal, familiar, profissional, associativa…; tudo isto é positivo, sem dúvida, mas subsistem duas graves insuficiências: uma respeita à formação social; e a outra ao diálogo social e político, no interior da Igreja. Quanto à formação, verifica-se que, em geral, ela escasseia nos domínios da análise social, económica e política, bem como no conhecimento e aplicação da doutrina social da Igreja (DSI); relativamente à doutrina, até se observa que os leigos, que a conhecem, se caracterizam sobretudo por a proclamar – à semelhança do clero – em prejuízo da imersão organizada nas «realidades terrestres». Quanto ao diálogo social e político, no interior da Igreja, verifica-se que ele praticamente não existe: os cristãos empresários não dialogam, de maneira organizada, com os trabalhadores por conta de outrem, acerca dos problemas comuns e vias de solução, à luz da DSI; e, por outro lado, os cristãos leigos pertencentes aos diferentes partidos políticos também não dialogam na procura plural e complementar do bem comum, à luz da mesma doutrina. (Continua)