Presença em S. Jacinto desde 1917 O Chefe do Estado Maior da Força Aérea (CEMFA), general Manuel Taveira Martins, no discurso que proferiu na cerimónia militar, chamou a atenção para alguns problemas que afligem aquele ramo das forças armadas, nomeadamente a “generalizada carência de pilotos aviadores, facto que, a persistir, concorre para a diminuição do seu grau de prontidão operacional”.
Apesar dos contratempos, a Força Aérea tem conseguido “dar cumprimento à sua nobre missão de garante da soberania nacional, a qual se caracteriza na satisfação das missões clássicas do poder aéreo, das outras missões nacionais de interesse público e das missões decorrentes dos compromissos assumidos pela nossa política externa”. Missões que, no dizer do CEMFA, requerem “uma Força Aérea expedicionária, de fácil e rápida projecção, auto-sustentável e com elevado grau de sobrevivência, que lhe permita actuar em diversos teatros de operações. É para satisfação deste objectivo, em conjugação com o ambiente estratégico prevalecente, que procuramos criar uma Força Aérea moderna e com carácter expedicionário”.
Após pormenorizar algumas das missões da Força Aérea, o general Taveira Martins destacou a presença no Afeganistão, dizendo que “em Agosto próximo, Portugal assumirá pelo período de quatro meses, o comando do Aeroporto Internacional de Cabul, sendo da responsabilidade da Força Aérea assegurar a gestão e a segurança desta importante porta de acesso, duma área tão sensível por todos nós conhecida”.
Dirigindo-se aos oficiais, sargentos, praças e civis da Força Aérea, o general CEMFA afirmou que “uma Força Aérea vale aquilo que valerem os homens e mulheres que nela servem, numa demonstração inequívoca de apego de dedicação em prol do bem comum, determinados a lutar por um ideal que abraçaram e a vencerem o aparentemente insuperável”.
Taveira Martins aproveitou ainda para historiar a presença da aviação militar em S. Jacinto, desde que, em 1917, oito hidroaviões da Aviação Marítima Francesa aí se estabeleceram. Em 1934, a Aviação Marítima Portuguesa transferiu para esse local a Escola de Aviação Naval Almirante Gago Coutinho. Após a criação da Força Aérea Portuguesa, em 1953 aí foi instalada a Base Aérea nº 5, a qual, em 1959, passou a designar-se Base Aérea n. 7. Em 1978, passou a ser Base Operacional de Tropas Paraquedistas n. 2.
Na cerimónia foram recordados os militares da Força Aérea falecidos, tendo também sido homenageados e condecorados alguns militares.
A cerimónia terminou com um desfile das forças em parada, constituídas por membros da Polícia Aérea (com os respectivos cães), pilotos, pessoal de comando e serviço, cadetes da Academia da Força Aérea, banda da Força Aérea e veículos militares. O desfile foi sobrevoado por dois helicópteros da Base Aérea do Montijo, e aviões F16 e Alpha Jet, das Bases Aéreas de Monte Real e de Beja, respectivamente.
Entre a UA e a Academia da Força Aérea
Primeiro passo de uma futura cooperação
A Universidade de Aveiro poderá estabelecer colaborações institucionais com a Academia da Força Aérea e a Escola Superior de Tecnologias Militares e Aeronáuticas, de acordo com as declarações prestadas pelo vice-reitor da universidade aveirense e pelo comandante da Academia da Força Aérea, na sessão de encerramento da Jornada de Conferências “Aeronáutica: Ensino, Investigação e Indústria”, realizada no anfiteatro do Departamento do Ambiente da Universidade de Aveiro, integrada nas comemorações oficiais do 53º Aniversário da Força Aérea.
Em Portugal, anualmente, são licenciados cerca de sessenta en-genheiros aeronáuticos, número que, no presente, é superior às necessidades do mercado nacional. No entanto, como reconheceu o general Saúl Pascoal, da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, há projectos de investimento estrangeiro para a criação de novas indústrias neste sector, o que poderá mudar essa situação. No presente, de acordo com os dados avançados por este oficial, há cerca de quatro mil pessoas a trabalhar neste sector, metade das quais nas oficinas de manutenção da TAP, cerca de 1500 na OGMA e uma centena na Listral, uma empresa que trabalha exclusivamente para a OGMA.
Em paralelo com a jornada, decorreu, no átrio da Reitoria, uma exposição onde, entre outro equipamento, estiveram expostos dois UAV (Unmanned Air Vehicle / veículos aéreos não tripulados) usados pela Força Aérea Portuguesa, enquanto que no relvado esteve estacionado um helicóptero.
Ministro da Defesa garante
Força Aérea está bem equipada
Em declarações à comunicação social, no final da visita à exposição, após a cerimónia militar comemorativa do Dia da Força Aérea e do 53º aniversário daquele ramo das Forças Armadas, o ministro da Defesa Nacional, Luís Filipe Marques Amado, garantiu que “a Força Aérea está muitíssimo bem equipada”.
Apesar disso, o governante referiu que a Força Aérea está a “reequipar-se ao nível do que há de mais moderno”, dizendo ainda que “a Força Aérea andou mais depressa nos programas de modernização”, pelo que “está mais avançada do que os outros ramos” das forças armadas portuguesas. Incluído nesse programa de modernização está a aquisição de mais aviões caças F16.
O ministro Luís Amado revelou que, até ao final do ano, haverá uma resolução no processo que visa a substituição das velhas espingardas G3.
Sobre a saída precoce de pilotos da Força Aérea para companhias de aviação civil e comercial, o ministro reconheceu que o governo não pode impedir essa situação, mas pode exigir uma indemnização como forma de compensar a Força Aérea pela formação que lhes prestou.
Na cerimónia e na visita à exposição, Luís Amado esteve acompanhado pelo secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Lobo Antunes, pelos mais altos dignatários da Força Aérea e por representantes dos outros ramos das Forças Armadas, por adidos militares estrangeiros, e ainda por entidades autárquicas, civis e religiosas da região.
Exposição para ver até ao dia 10 de Julho
Dois aviões, modelos F16 e Alpha Jet, dois helicópteros Alouette III, viaturas de socorro e assistência, são alguns dos principais atractivos da exposição, que se encontra patente ao público, até ao dia 10 de Julho, no Parque da Fonte Nova.
No interior da tenda maior, estão os stands temáticos, que dão a conhecer 22 serviços e actividades da Força Aérea – Saúde, Recrutamento, Formação, Defesa, Operações de transportes aéreos, Operações em ambiente marítimo, Cooperação com os outros ramos, Busca e salvamento, Missões de interesse público, Segurança militar, Apoio às operações, Informática, Tecnologias aeronáuticas, Infra-estruturas aeronáuticas, Abastecimento, Segurança e ambiente, Banda da Força Aérea, Museu do Ar, Associação de Especialistas, Assistência e socorro, Centro de Treinos e Sobrevivência. Para além desses stands, há ainda a Loja Aeronáutica.
No exterior, está montada uma estrutura para a prática de desportos radicais (parede de escalada, slide e rapell). Diariamente, há demonstração de cães da Polícia Aérea.
Na tenda mais pequena, denominada Aerolândia, os mais novos têm à sua disposição material de pintura, jogos, consolas e um parque infantil.
