À Luz da Palavra – XVI Tempo Comum – Ano A A palavra deste domingo situa-nos diante de uma questão existencial comum: O Bem e o Mal coabitam no mesmo indivíduo e em todos os meios onde nos movimentamos. Isto é assim desde os primórdios da humanidade. Porém, a palavra também nos diz que Deus sabe conduzir-nos do Mal ao Bem com a sua força e sabedoria.
A primeira leitura faz um elogio ao poder e à sabedoria de Deus, que não se vinga, não se desilude, não desespera. Ele actua de modo totalmente diferente de nós, conduzindo-nos com perseverança até que desistamos do Mal e adiramos ao Bem. O cristão e a cristã são as pessoas mais felizes do mundo, porque o nosso Deus é clemente e compassivo para com todos. É bom conhecer este nosso Deus e entrar em relação íntima e amorosa com Ele, sem medo do pecado que cometemos por fragilidade. Ele ensina-nos a viver na feliz esperança de que, após o pecado, Ele nos concede o arrependimento.
Como vivo a minha relação a este Deus maravilhoso?
O evangelho apresenta-nos três parábolas. A primeira, a “do trigo e do joio”, acaba por ser explicada pelo próprio Senhor aos seus discípulos. É uma advertência a cada um e a cada uma de nós. A vida que vamos vivendo neste mundo, mais ou menos despreocupadamente, é o único tempo propício para cultivarmos o nosso terreno interior, o qual se vai manifestar nas boas obras que produzimos. Cada pessoa é chamada a ser boa semente pela vivência dos valores evangélicos, aqui e agora, e por conseguinte, a fazer morrer em si a má semente, não se deixando dominar pelos impulsos mortíferos e pecaminosos, que tentam abafar a boa semente que em nós foi depositada no dia do nosso baptismo. Esta primeira parábola também nos garante que o mal não vem de Deus, mas sim do Demónio ou Maligno. As outras duas parábolas, a “do grão de mostarda” e a “do fermento”, ambas nos ensinam que todos somos chamados a constituir o Reino, a ser «filhos do Reino», pela força da palavra de Deus, semeada abun-dantemente por Jesus e, hoje, pela comunidade cristã. Só não entra nesta dinâmica quem não quiser, porque a todos é dado o Espírito de Jesus.
Acredito que estou vocacionado/a a ser “boa semente” a ser “trigo”, a ser “ramo da árvore da mostarda”, a ser “massa fermentada”, em suma, a ser Reino de Deus com Jesus?
Na segunda leitura, Paulo insiste nesta ideia. De facto, somos fracos e muitas vezes nem sequer sabemos o que mais nos convém para pedir nas nossas orações, mas é o Espírito Santo que intercede em nós e por nós, por vezes de forma tão subtil que é preciso muita atenção interior para o entender. Deste modo, não é fatal que tenhamos de viver a dicotomia Bem/Mal em igual medida, pois que o Espírito de Jesus nos foi dado para actuar no nosso coração e dele ir arrancando as raízes do Mal, deixando o terreno limpo e livre para que o Bem se desenvolva e acabe até por dominar o Mal.
Confronto-me, de modo habitual, com os santos e as santas da história e até com os nossos contemporâneos, que se tornaram santos, porque colaboraram com o Espírito de Jesus, na obra da sua própria santificação e na do mundo?
Domingo do XVI do Tempo Comum: Sb 12,13.16-19; Sl 86 (85); Rm 8,26-27; Mt 13,24-43
Deolinda Serralheiro
