Chiara Luce

Poço de Jacob – 51 Tinha 19 anos. Jovem, amava o desporto, a natureza, a família, os amigos e a vida. Vestia ganga como as jovens do seu tempo. Gostava de cantar. Um dia conheceu o movimento dos Focolares. E a sua condição de baptizada tornou-se mais consciente à luz dos ensinamentos e exemplo contagiante de Chiara Lubich. Dela aprendeu o amor universal que leva a uma unidade que não massifica; o respeito pela humanidade e pelos credos e culturas como veículos por onde Deus passa. Aprendeu que a salvação dos homens não é da responsabilidade de alguns, mas o caminho de perfeição, pelo cumprimento da Vontade de Deus. É o contributo que podemos e devemos dar para o mundo ser melhor, a partir de mim.

Sempre na alegria do sorriso de quem se encontrou com o Senhor e vive dele e nele. Assim era Chiara. De tal modo cheia de tudo que Lubich rebaptizou-a, acrescentando a palavra LUZ. “Passas a ser Clara Luz – Chiara Luce”.

Um dia, ao jogar ténis, uma dor no braço revelou-lhe um cancro ósseo. Grande desafio que o Senhor lhe fazia. Chiara acreditava na cura e tratou-se. Mas a cura não aconteceu. Para muitos homens, o amor de Deus revela-se assim: misterioso. Chiara soube, perto dos 19 anos, que estava com pouco tempo de vida. Atirou-se para a cama, conta sua mãe, e foram precisos 25 minutos para ela tomar consciência da sua situação. Em vez de se mostrar revoltada e desesperada, conta sua mãe, ela levantou-se e disse sim a Deus.

Vinte e cinco minutos precisou para dizer esse sim… mas que durou até ao último momento. Nunca aceitou tomar morfina para que não perdesse a lucidez do seu sim. Teve de ver uma perna amputada e disse: Agora ganhei asas… O seu sorriso era tão permanente como as dores lacinantes que sentia. Sentiu que no leito estava a preparar-se para um belo encontro. O seu amado Jesus vinha ao seu encontro e ela tinha de estar preparada. O seu sim era para sempre. Preparou o seu funeral. Quis ir de noiva, que se cantasse muito, que a sua mãe pensasse ao vestir o seu cadáver: “A minha filha está feliz. A minha filha está no céu”. Lubich acompanhava-a embevecida por ver ali mais uma filha da sua fidelidade ao Deus que se lhe revelou no meio das bombas da Guerra Mundial. Morreu a sorrir no dia 7 de Outubro de 1990, dia do Rosário… no regaço da Mãe de Deus… No dia 25 de Setembro de 2010, o Papa declarou-a beata, que quer dizer feliz. Feliz como ela quis que a mãe o considerasse no dia em que morreu. Milhares de jovens veneravam a sua nova intercessora focolarina. Como último gesto, para mostrar a grandeza do seu amor, deixou os olhos para serem utilizados em algum transplante que fosse necessário, dando a possibilidade de um jovem poder ver, ser iluminado pela Clara Luz do dia que dá cores às coisas.

Deu-se ao esposo e deu tudo aos irmãos. Morreu sorrindo e sorridente. Era o seu retrato no dia da sua beatificação. Foi emocionante ver os seus pais, de cabelos brancos, no primeiro banco do templo, vendo sua filha ser declarada beata e modelo para os jovens do mundo inteiro. Cumpriram sua missão e deixaram a graça do Baptismo acontecer. Que epifania do divino aconteceu no dia 25 de Setembro… e tão poucos se deram conta, porque essa matéria não interessa aos telejornais, pois não cheira ao podre de que eles se alimentam, mas ao perfume dos que se deixam seduzir pelo amor de Jesus Cristo.

A santa de calças de ganga vai fazer muito nesta terra e a ela entregamos todos os jovens da Diocese de Aveiro, para que sejam ajudados a marcar encontro com o Senhor que seduz, e possam ser Chiara Luce para os homens do nosso tempo.

P.e Vitor Espadilha