A “Cimeira do TGV” insistiu na ligação Aveiro-Salamanca em comboio de alta velocidade. Sugeriu-se a criação de um conselho para evitar que as decisões sobre transportes mudam constantemente
A necessidade de um Conselho Estratégico para a Política de Mobilidade Nacional foi a principal conclusão da “Cimeira do TGV”, que reuniu na antiga Capitania, no sábado passado, autarcas portugueses e espanhóis, representantes das associações industriais e especialistas em transportes.
Capão Filipe, o dinamizador da iniciativa pela autarquia de Aveiro, defendeu que esse conselho estratégico deve orientar-se exclusivamente por critérios técnico-científicos e não por “lobbies das regiões”, para evitar a instabilidade das decisões do governo central. Várias vezes foram referidas no encontro as contradições entre os sucessivos anúncios sobre o TGV dos governos de Durão Barroso e de José Sócrates.
Nas diferentes intervenções, o Traçado Aveiro-Salamanca foi considerado prioritário em detrimento do de Lisboa-Madrid, uma vez que é no corredor do IP5/A25 que se concentram 70 por cento das exportações nacionais. A existência do Porto de Aveiro e do Porto de Leixões, assim como a possibilidade de criar uma plataforma intermodal para distribuição de mercadorias foi outro dos factores considerado determinante para a opção deste traçado, que assim serviria o Eixo Atlântico (via Ciudad Rodrigo e Salamanca) até à Europa Central. Recorde-se que em Salamanca está a ser construído um porto seco, isto é, um centro de recolha e distribuição de mercadorias que chegam aos portos marítimos, neste caso, principalmente a Aveiro e Leixões.
Nas sucessivas intervenções alertou-se para o facto da construção do aeroporto da OTA não ser prioritário face à Rede de Alta Velocidade (RAV) e de desviar os recursos financeiros disponíveis. A RAV, na opinião dos oradores, deve ser encarada como um investimento público, recorrendo se necessário a fundos comunitários para a sua implementação – a exemplo do sucedido em Espanha. O país vizinho foi várias vezes apontado como exemplo a seguir na implementação da rede, visto que tem cumprido o seu plano sem grandes hesitações.
Ontem o governo português apresentou oficialmente o projecto da RAV. Para já, avançam as ligações Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid, que implicam um investimento de 7200 milhões de euros (14 milhões por quilómetro). As linhas Aveiro-Salamanca, Algarve-Huelva e Porto-Vigo estão adiadas.
