A Igreja ou é missionária ou não é Igreja de Jesus Cristo. Celebrar a eucaristia como consumo é ser infiel ao Senhor. Olhar apenas para a torre do seu templo é miopia acentuada que nega os horizontes rasgados do Evangelho.
De facto, a Igreja, animada pelo Espírito Santo, revive com nova frescura o projecto de Jesus. Celebra-o na eucaristia. Proclama-o na palavra. Testemunha-o na doação generosa dos seus membros. Está ao seu serviço no mundo, promovendo a missão sem fronteiras. Este projecto abrange as dimensões fundamentais da pessoa humana e pretende ajudá-la a descobrir a novidade que em si existe: a de, em Cristo, ser filha de Deus, irmã universal de todos os homens e mulheres, responsável por toda a criação. É uma novidade que está em cada pessoa à maneira de semente na expectativa de germinar e se tornar árvore fecunda e robusta.
Cada pessoa é convidada a ser peregrina de si mesma, a mergulhar na sua consciência, a escutar a voz profunda do seu eu, a atender sem mais demora às suas aspirações mais genuínas que brotam com naturalidade e frequentemente são adiadas ou silenciadas. Esta será a primeira e mais urgente missão. Sem tempo para si, como pode sentir-se bem, dar resposta positiva e atempada aos desafios que a assaltam, saber quem é e que sentido tem a vida? Não é raro encontrar quem saiba mais dos outros do que de si mesmo, mostre mais interesse em “fofoquices” do que em assuntos sérios, gaste mais dinheiros com revistas “cor de rosa” do que noutras em que a vida é encarada numa visão mais integral e sadia. Esta dimensão da missão está ao alcance de todos. O coração humano não se satisfaz duradoiramente apenas com migalhas de felicidade.
Em Jesus Cristo, cada pessoa aprende a ser humana, de forma nova e radical, e a crescer em todas as dimensões até à maturidade. Vive a experiência de que Deus é Pai, alimenta a relação filial, reconhece e constrói a comunhão fraterna, participa responsavelmente na sociedade, preocupa-se com a sorte de toda a humanidade, procura vias acessíveis para a partilha de bens que, estando nas mãos de alguns, pertencem a todos.
A missão assim entendida visa iluminar com a mensa-gem tipicamente cristã tudo o que de bom a natureza e a cultura nos proporcionam e fazem viver ou nos mostram em seus desvios que urge corrigir, a fim de salvaguardar e elevar a dignidade humana. Aqui e em toda a parte. Hoje e sempre.
A urgência da missão é inquestionável. Por mandato explícito de Jesus Cristo renovado pela Igreja. Pela situação de tantos cristãos e de suas comunidades ou movimentos debilitados na fé e sem entusiasmo apostólico. Pelo clamor de continentes inteiros que precisam de ganhar confiança na vida, de colocar a pessoa humana no centro das suas reais preocupações, de não ter medo de Cristo nem do seu Evangelho.
Como afirma João Paulo II: “Os desafios sociais e religiosos que a humanidade enfrenta nos nossos tempos estimulam os fiéis a renovarem-se no fervor missionário. Sim! É necessário relançar com coragem a missão ad gentes, partindo do anúncio de Cristo, Redentor de toda a criatura humana”.
A paixão pela missão está entranhadamente vinculada à vivência da eucaristia. A partir da sua força revigorante, a causa missionária ganha outro dinamismo e eficácia.
