Como anunciar Cristo nas cidades?

Congresso em Paris à procura de respostas Como evangelizar nas cidades? Como anunciar Jesus Cristo nos dias de hoje? Como não deixar apagar a chama cristã nas grandes cidades? Em Paris, na última semana de Outubro, juntaram-se cerca de três mil pessoas, entre as quais cerca de duzentos portugueses, à procura de uma resposta.

A Cidade das Luzes, ao contrário de Viena em 2003, quase não deu por nada, apesar dos grupos, principalmente de jovens, que pela cidade liam a Bíblia em voz alta, interpelavam as pessoas que passavam com frases como “Deus ama-te” ou assistiam e rezavam em concertos de rock. Nas palavras do jornalista do Público António Marujo, em Paris, “a ideia de organizar um acontecimento que mexesse com as pessoas da grande metrópole não tem passado de uma boa intenção”. “Parece só convencer quem está convencido”. No entanto, para lá desta “espécie de folclore religioso”, em que “o acento é colocado na epiderme”, foram chegando ecos interessantes das comunicações proferidas no congresso.

Os cristãos estão verdadeiramente evangelizados?

D. José Policarpo afirmou que “não é antidemocrático ser testemunha da fé”. E D. Manuel Clemente secundou essa afirmação: “Antidemocrático seria eu não me interessar pelos outros. Ou seja, saber que Jesus é o sinal da minha esperança e não O dar a conhecer”. “Antes, evangelizar significava ir pregar para terras longínquas. Hoje, percebemos que a distância ocorre nas nossas terras, entre as pessoas que estão ao nosso lado e que não conhecem Cristo”, afirmou o bispo auxiliar de Lisboa.

O problema está enunciado. Falta saber como resolvê-lo. Numa entrevista ao Diário de Notícias, Alfredo Teixeira, professor da Universidade Católica Portuguesa e participante no congresso, deu algumas pistas do que deve ser um cristianismo urbano: “Não há estratégia pastoral eficaz se não se tiver em conta que a cidade é plural também nos modos de identificação cristã. A Igreja tem de perceber que o católico constrói o seu caminho e que tem de lhe oferecer propostas diversas para ele o traçar. E tem de saber acolher as pessoas, independentemente do estado de adesão e fé em questão. Essa sensibilidade ainda falta”. Enzo Bianchi, padre italiano, por seu turno, questionou se os cristãos estão verdadeiramente evangelizados “ao ponto de chegarem a ser evangelizadores eficazes”; e acrescentou que, afinal, a Igreja pode estar a criar ateus: “A questão séria é que não sejam os próprios cristãos e as Igrejas – pelas suas atitudes desumanas e intolerantes, pela prática da auto-suficiência e da não escuta – a produzir ateus”. No Outono de 2005, em Lisboa, o debate continua.

Congresso da Nova Evangelização

Próxima etapa: Lisboa 2005

O Congresso Internacional para a Nova Evangelização (ICNE, inglês) é a resposta de cinco cardeais ao apelo de João Paulo II na década de 1980: “A Europa precisa de uma nova evangelização”. José Policarpo, de Lisboa, Jean-Marie Lustiger, de Paris, Godfried Dannells, de Bruxelas, Cristoph Schonborn, de Viena, e Peter Erdo, de Budapeste, decidiram então realizar um congresso sobre como evangelizar a Europa descristianizada. De certa forma, trata-se de um único congresso com cinco etapas, duas já realizadas: Viena, em 2003, e Paris, de 23 de Outubro a 1 de Novembro deste ano.

A próxima etapa será em Lisboa, em Outubro/Novembro de 2005. Em 2006, o congresso vai para Bruxelas. A última etapa será na Hungria: Budapeste 2007.