Notas Litúrgicas 9. A celebração da Eucaristia na vida do sacerdote
É importante que os presbíteros tenham bem presente a sua vida de oração. Não só a oração pessoal como a comunitária. Iremos tratar brevemente o que supõe na vida espiritual de um presbítero a celebração da Eucaristia, partindo em particular da sua perspectiva de presidente. Este ministério não é um acrescento à sua vida espiritual, mas, certamente a realidade que melhor exprime e alimenta a sua identidade de ministro ordenado dentro da comunidade. A Eucaristia, com as conotações que tem para todos, e especialmente para o que preside em nome de Cristo, é na verdade o cume e o motor de toda a sua vida. A melhor espiritualidade de um sacerdote tê-la-emos de ver reflectida e realizada a partir desta chave de compreensão da sua presidência eucarística.
10. Razão de ser teológica do presidente da Eucaristia
A motivação teológica do presidente da Eucaristia tem fundamentalmente duas direcções: em relação a Cristo e em relação à comunidade.
Cristo é o verdadeiro Sacerdote e Mediador, o celebrante principal e presidente de toda a Eucaristia, que actualiza aqui e hoje o mistério e a força salvadora da sua Páscoa, glorificando plenamente a Deus e santificando a sua comunidade.
Por outro lado, a comunidade que se congrega para a Eucaristia associa-se a Cristo, como povo sacerdotal de baptizados, para celebrar com Ele o sacramento da sua Palavra e a doação da sua Pessoa na Eucaristia. É a comunidade inteira o sujeito primordial e pleno do memorial do sacrifício de Cristo que é a Eucaristia.
Ora bem, Cristo quis que a Sua presença salvadora fosse visibilizada de um modo sacramental pelos ministros da comunidade, tanto na obra da evangelização como no serviço da caridade e no governo da comunidade. E de um modo muito expressivo na celebração da Eucaristia. Um presbítero, constituído no seu ministério por uma nova configuração com Cristo Pastor e Sacerdote no sacramento da Ordem, converte-se, à frente da comunidade cristã, em sinal vivente de Cristo, actuando «in persona Christi» (cf. LG 28 e OP 2. 6. 12).
E a comunidade, como realização local da Igreja universal, como condensação sempre nova da Igreja local diocesana, não alcança a sua plenitude expressiva como povo sacerdotal, no exercício do culto, sem a presença deste ministro ordenado que faz as vezes de Cristo e a constitui em sinal completo do mistério da própria Igreja, com Cristo como Cabeça, Presidente e Mestre verdadeiro.
Uma dupla relação dá sentido ao ministério da presidência eucarística de um modo complementar e inseparável.
O que preside está estreitamente unido a Cristo, o Sacerdote por excelência, de quem «faz as vezes» (IGMR 27) e cuja presidência contribui para manifestar já desde a saudação inicial da celebração (cf. IGMR 50). O presidente é o instrumento vivo de Cristo na transmissão da Palavra, na comunicação dos seus dons: «quando celebra a Eucaristia, deve servir a Deus e ao povo com dignidade e humildade, e tanto no modo de se comportar como no de proferir as divinas palavras, procurará sugerir aos fiéis a presença viva de Cristo» (IGMR 93). Em nome de Cristo sauda a comunidade a a abençoa, explica-lhe na homilia a mensagem da salvação, eleva confiadamente sobretudo a Oração Eucarística, proclamando os louvores do Pai, invocando a força do seu Espírito e repetindo as palavras ternas de Cristo que se referem ao mistério da sua autodoação no Pão e no Vinho da Eucaristia.
Por sua vez, o sacerdote está também intimamente unido à comunidade celebrante, fazendo-lhe o nobre serviço de visibilizar sacramentalmente a presença da sua Cabeça e Senhor. Actua em nome dos seus irmãos, «dirige as orações a Deus em nome de todo o Povo santo» (IGMR 30), «preside à assembleia reunida, dirige a sua oração, anuncia-lhe a mensagem da salvação, associa-se ao povo na oferenda do sacrifício por Cristo no Espírito Santo a Deus Pai, dá aos seus irmãos o pão da vida eterna e participa do mesmo com eles» (IGMR 93). Sente-se servidor da comunidade: não está “sobre” ela nem “fora” dela, mas dentro, como representante de Cristo, que se chamou a Si mesmo o Servo. Assim a assembleia e o ministro presidente completam-se mutuamente: o ministro que preside em nome de Cristo completa a comunidade, tornando-a realização sacramental da Igreja inteira, e por sua vez é completado por ela, porque não actua só, mas com ela e para ela.
SDPL
