Como são os nossos frutos?

À Luz da Palavra – V Domingo da Páscoa – Ano B A liturgia deste domingo exorta-nos a que demos frutos. Naturalmente, os frutos de uma árvore enxertada em Cristo, com as suas raízes bem mergulhadas na sua Pessoa. Frutos que brotam do Amor, com que Deus nos ama e se nos comunica em dinâmica de reciprocidade.

A primeira leitura, narra-nos, pela boca do apóstolo Barnabé, as resistências que Paulo teve de suportar, por parte dos discípulos do Senhor, em Jerusalém, porque estes não queriam acreditar na evidência que os seus olhos viam e os seus ouvidos ouviam. Era ele, Saulo, o feroz perseguidor dos cristãos, que, agora, destemidamente, pregava com firmeza o nome de Jesus. Porém, Barnabé, homem conduzido pelo Espírito, dá testemunho a favor de Paulo e narra, diante dos discípulos estupefactos, as maravilhas que Jesus ressuscitado fez em favor de Paulo: Cristo entrou na sua vida, transformou-o em instrumento de salvação, em benefício de todos os povos, nomeadamente, dos gentios. Como me situo eu diante dos novos cristãos ou das pessoas que um dia falharam e, depois, se converteram? Estou aberto/a à nova criação que brota do Espírito, ou fico a deplorar, indefinidamente, um episódio que já passou? Como me situo, face aos sentimentos misericor-diosos de Deus? Sou misericordioso/a com os outros ou intransigente?

O evangelho assegura-nos que a única hipótese que temos para viver como Jesus Cristo, em comunhão de sentimentos e de atitudes, é permanecer nele, para que Ele possa permanecer, também, em nós. Só, assim, daremos frutos de santidade, de amor, de misericórdia, de perdão, como os ramos da videira, que só produzem uvas enquanto estão ligados e saciados com a seiva que, brotando da cepa, os percorre até à sua ínfima extremidade. Mas, para dar frutos, e frutos de qualidade, também precisamos de ser podados como a videira. A poda, que o Senhor nos faz, consiste nos contratempos, nas perseguições de que somos alvo, no suor e no sangue da luta que travamos para fazer o bem e evitar o mal. O Pai quer que demos muito fruto e, por isso, como bom agricultor que é, não deixa de nos podar com ternura e amor. Como vivo eu as podas que o Senhor me faz? Com gratidão ou com revolta? Digo: “que mal fiz eu a Deus para assim ser castigado”, ou integro-me no projecto de amor que Deus tem para mim?

A segunda leitura orienta-nos no sentido de discernirmos o que devemos fazer para permanecermos em Cristo. Se amarmos, não apenas de palavras, mas com obras e de verdade, estamos tranquilos diante de Deus e o nosso coração não nos acusa de nada. Podemos estar cheios de confiança diante de Deus, porque dele havemos de receber tudo quanto precisamos para sermos felizes e fazermos, também, os outros felizes. O mandamento de Deus leva-nos a acreditar em Jesus Cristo e a amar-nos uns aos outros. Só assim Deus pode permanecer em nós e nós nele. É alegre e feliz quem ama verdadeiramente; só ama verdadeiramente quem permanece em Deus e se deixa habitar por Ele e pratica as suas obras. É este o meu estilo de vida? Ou passo a minha existência a destruir a vida dos outros com invenções maldosas e intolerâncias descabidas? Permaneço em Deus ou no diabo? Uno as pessoas ou semeio discórdias e divisões?

Leituras do V Domingo da Páscoa – Ano B: Act 9,26-31; Sl 23 (22); 1 Jo 3,18-24; Jo 15,1-8

Deolinda Serralheiro