“Conflito… ou encontro de civilizações?”

Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas no CUFC a 7 de Dezembro Rui Marques é o primeiro convidado do Fórum Universal, um espaço criado pelo CUFC (Centro Universitário Fé e Cultura), que nas primeiras quartas-feiras de cada mês se propõe abordar um tema da actualidade

O Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) estará no Centro Universitário para falar de “Conflito… ou encontro de civilizações? França, Europa, Portugal inclusivo e multicultural”. Um olhar sobre a problemática social da Imigração”.

O encontro está marcado para as 21h de 7 de Dezembro, uma quarta-feira, no salão do CUFC, e é aberto a toda a comunidade. O moderador desta primeira sessão de Fórum Universal será Ângelo Ferreira, antigo dirigente da associação de estudantes da Universidade de Aveiro e durante vários anos voluntário em Timor.

Mais do que palestra, o Fórum Universal pretende pôr em diálogo os participantes sobre uma questão candente, neste caso, a partir da violência urbana, que, no último mês, atingiu Paris e depois se alargou a outras cidades francesas e a algumas belgas e alemãs.

Rui Marques considera improvável que Portugal assista a episódios do género. “Apesar das nossas limitações, apesar de sermos um país recente de imigração, creio que Portugal conseguiu situações de equilíbrio e de acolhimento razoáveis. (…) O comissário Europeu dos Direitos Humanos fez um relatório, em 2004, onde dizia que era extraordinário como Portugal, em três anos, duplicando o número de imigrantes, não teve qualquer crise xenófoba ou tensão social”, afirmou recentemente no programa Diga Lá Excelência (Rádio Renascença / Público / Dois).

Canadá é o país modelo

No entanto, há muito a fazer. O ACIME defende que a integração dos imigrantes não passa pelas regularizações extraordinárias, mas pela criação de um circuito de imi-gração legal e pelo fim de burocracia do Estado, e afirma que Portugal deve assumir um modelo de integração dos imigrantes semelhante ao do Canadá. “O Canadá assumiu de uma forma muito clara o verdadeiro modelo multicultural, ou melhor, intercultural: no sentido de dupla pertença. Propõe a todos os imigrantes que rapidamente atinjam o estatuto de plena cidadania, fazendo parte integrante da nação canadiana e assumindo-se como canadianos, e, ao mesmo tempo, aceita e estimula a diversidade cultural”.

Um exemplo elucida bem a essência do modelo multicultural: sentados à mesma mesa, cada um usa (ou não) os talheres que entender, ao contrário do raciocínio: “ou estás connosco, és como nós, e pertences à nossa comunidade; ou, se és diferente, não pertences à nossa comunidade”. “O grande perigo é querer que toda a gente se sente à nossa mesa comendo com os nossos talheres e com a nossa culinária”, diz Rui Marques, que publicou há poucos meses o livro “Uma mesa com lugar para todos – Para uma visão humanista da imigração”, onde expõe o modelo intercultural nas suas várias facetas, incluindo a educação.

O Convidado

Rui Marques, casado, quatro filhos, sucedeu, em Setembro de 2005, ao Pe Vaz Pinto como Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas. Desde 2002 era Alto Comissário Adjunto. Médico de formação, com mestrado em Ciências da Comunicação, Rui Marques fundou e coordenou o grupo Fórum (edição das revistas Fórum Estudantes, Idéias e Negócios, Fórum Ambiente, entre outras) de 1991 a 2000. Esteve na direcção do “Banco Alimentar contra a Fome” (1993), foi presidente da associação CAIS (Círculo de Apoio à Integração dos Sem Abrigo) (1994/99) e passou ainda pela Rádio Renascença e TVI, entre outras actividades. Em 1992 dirigiu a “Missão Paz em Timor – Lusitânia Expresso”.