Olho de Lince Acabáramos de fazer a oração de despedida dos restos mortais do seu marido. E antes de lhe dar o último beijo, aquela mulher simples, que vi com frequência na igreja da sua paróquia, interpelou-me serenamente, para me dizer: “Lembre o meu marido na Eucaristia de logo à noite, por favor”.
Surpreendeu-me sobretudo a insistência, ante a objecção de uma familiar: “Precisa de repousar; precisa de sossego”. “Não! Ponha a intenção, por favor! Eu vou arranjar força para ir à celebração”.
E foi a primeira coisa que fiz, logo que cheguei à igreja. Diante de tantas situações de cristãos, de prática dominical, que encontram na morte de um familiar, no velório, no cansaço das preocupações e da dor da separação – legítimos, sem dúvida – motivos para se dispensarem da Missa, até da Eucaristia dominical, aquela mulher entendia, certamente, que a melhor forma de continuar a comunhão de vida com o seu marido era ir participar na celebração por excelência da comunhão dos santos, a Eucaristia, a única realidade que permite a verdadeira continuidade de intimidade com os que partem, aquela que proporciona o benefício da caridade de uns com os outros, os que ficam e os que partem.
Q.S.
