Em S. Bernardo – Aveiro Krasilhchuk V., cônsul da Ucrânia, visitou a Associação de Apoio ao Imigrante, em S. Bernardo, Aveiro. O objectivo da visita do domingo passado foi conhecer a comunidade imigrante, dar-se a conhecer, visto que está há pouco tempo no cargo, e ouvir os problemas dos seus compatriotas.
Nas poucas palavras que dirigiu em português, Krasilhchuk agradeceu a ajuda dos que trabalham junto das comunidades de imigrantes e realçou “o conhecimento mútuo que nos enriquece”. No início do encontro, Élio Maia, que enquanto presidente da Junta de Freguesia de S. Bernardo esteve na origem da Associação de Apoio ao Imigrante (AAI), há seis anos, acolheu o diplomata e sublinhou que “todos têm o dever de fazer aos que cá estão o que gostaríamos que nos tivessem feito na emigração”. O actual presidente da Câmara Municipal citou Madre Teresa de Calcutá, para dar relevo aos pequenos gestos de acolhimento: “Faz pelo mundo qualquer coisa. O que fizeres não muda o mundo, mas passa a haver menos um inútil na terra, porque fez algo pelos outros”.
Lyudmila Bila, presidente da AAI, contou ao Correio do Vouga os principais assuntos do diálogo entre cônsul e ucranianos: “O novo cônsul veio ver como estamos a trabalhar na região de Aveiro e informou que a Ucrânia vai abrir um consulado no Porto”. Outro assunto: as eleições legislativas da Ucrânia, nos dias 25, 26 e 27 de Março. O cônsul revelou que, para poder votar, o processo será muito mais simples, bastando uma declaração. Refira-se que na AAI de S. Bernardo costuma funcionar uma mesa de voto, quando há eleições em Países de Leste, como foi o caso da última eleição do presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Imigrantes sentem-se
cada vez mais portugueses
Porém, o assunto que mais prendeu a atenção dos ucranianos, que redigiam numa folha as questões que a seguir eram respondidas pelo cônsul e por dois funcionários que o acompanhavam, foi a possibilidade de chamar os pais para virem viver para Portugal. “Muitos imigrantes desejam voltar, mas muitos outros querem ficar em Portugal e convidam os seus pais”, afirma Lyudmila Bila. Sentem-se cada vez mais portugueses. Nesse sentido, a dirigente associativa vê com bons olhos a proposta de Rui Marques. O Alto-Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas defendeu, a seguir às eleições presidenciais, que os residentes de longa duração (mais de cinco anos) possam participar activamente em todos os actos eleitorais. Lyudmila Billa considera que “é um sinal de que estamos mais próximos da comunidade portuguesa. Muitos imigrantes interessam-se pela vida política portuguesa. Sabem de política portuguesa. Isso aproxima-nos uns dos outros”.
Por seu turno, António Baptista, vice-presidente da AAI, congratula-se porque os imigrantes “já não vivem uma situação tão negra como há cinco anos”, visto que já “têm estabilidade, compram casa, têm os filhos a estudar, têm acesso à saúde”, mas alerta para dois problemas que precisam de ser resolvidos. Actualmente, um imigrante que faça descontos para a Segurança Social, se ao quinto ou sexto ano tiver de regressar ao seu país por não ter conseguido autorização permanente de residência, não usufrui de nenhum benefício. Descontou, mas nada recebe. A outra questão prende-se com as pessoas que vieram para Portugal ao abrigo do reagrupamento familiar. “No caso de divórcio, que acontece entre cidadãos brasileiros, de leste ou dos PALOPs? Quebrado o vínculo conjugal, a autorização de residência fica sem efeito e a pessoa tem de regressar ao país de origem?”, interroga-se António Baptista. “Tudo isto são problemáticas que continuam a existir e para as quais ainda não foram dadas respostas”, afirma o vice-presidente da AAI.
