Direitos Humanos Dia 15 de Janeiro seria o aniversário natalício do Reverendo Martin Luther King. 75 anos volvidos sobre o seu nascimento em Atlanta, no Estado da Geórgia, é necessário – torna-se urgente! – lembrar este homem que, na sua simplicidade, foi um gigante de convicções e um exemplo de doação até ao martírio.
Não será um desconhecido para a maioria, mas hoje sinto-me obrigado a fazer-lhe reverência, por tudo o que significa para a causa dos direitos humanos.
É difícil destacar alguma coisa – tantas foram as suas virtudes – no homem que, ainda hoje, é uma referência para todos os que, no mundo inteiro, continuam a acreditar que é “ pelo sonho que vamos”. Martin Luther King Jr., o mais jovem prémio Nobel da Paz (1964) merece um lugar especial entre tantos que lutaram, ao longo da história, pela efectivação dos direitos humanos, combatendo destemidamente a desigualdade e a injustiça. A exemplo de Gandhi, Luther King tornou-se defensor da filosofia da não-violência e liderou, desde cedo, uma campanha pacífica pelo reconhecimento dos direitos civis do povo negro americano.
Apostado em fazer desaparecer a segregação racial nos Estados Unidos, obteve a sua primeira grande vitória em 1955 quando liderou um boicote – 381 dias de duração – contra a separação entre negros e brancos nos transportes públicos, conseguindo a revogação da lei que a sustentava pelo Supremo Tribunal do país.
Foi esse mesmo homem que, a 28 de Agosto de 1963 conseguiu reunir mais de 250 mil pessoas na Marcha sobre Washington, durante a qual pronunciou aquele que foi tido como o maior discurso do movimento pelos direitos civis: “I had a dream” (“Eu tive um sonho”), uma visão celestial de um mundo sem discriminação, onde o branco e o negro se sentassem lado a lado, um mundo novo, sem oprimidos nem opressores.
Foi esse sonho que tentaram destruir em Abril de 1968 quando o reverendo King se deslocou a Memphis, para dar apoio a trabalhadores negros que lutavam pela igualdade salarial.
Na véspera do protesto, ele proferiu o seu último discurso, profético, iluminado, como, a meu ver, só o podem ser os discursos dos Homens Santos a quem Deus escolhe para servirem de testemunhas e mártires da justiça – “I see the promise land” (“Eu vejo a terra prometida”) – a antevisão do que aconteceria na noite do dia 4 quando ele foi atingido no pescoço por um tiro assassino disparado por James Ray. Um tiro que não destruiu o sonho do homem destemido. Pelo contrário, fez acordar ainda mais gente para a luta a favor da paz, da justiça e da fraternidade. Este foi um homem cuja vida é lição e de cuja boca saiu uma das mais belas orações de Paz:
“Se eu puder ajudar alguém a seguir adiante
Se eu puder animar alguém com uma canção
Se eu puder mostrar a alguém o caminho certo
Se eu puder cumprir o meu dever cristão
Se eu puder levar a salvação a alguém
Se eu puder divulgar a mensagem que o Senhor deixou…
então, a minha vida não terá sido em vão.”
Cabe-nos a todos continuar a sonhar e fazer com que estas palavras nunca sejam em vão.
