Última Coluna Em algumas cidades portuguesas, poucas, houve manifestações silenciosas de apoio às crianças abusadas sexualmente. Este crime, que não é só dos nossos dias, infelizmente, tem sido calado pela nossa sociedade, que o mesmo é dizer, por cada um de nós, seja qual for a esfera de influência em que estejamos envolvidos.
A gravidade desta realidade obriga-nos, pois, a uma atenção mais cuidada e mais comprometida, não apenas para denúncia de situações concretas protagonizadas por tarados sexuais, mas sobretudo para a defesa, intransigente, das crianças, que o poeta dizia, e nós acreditamos, serem o melhor do mundo.
Concretamente, pensamos que a nossa sociedade tem sido demasiado permissiva no que diz respeito a este crime hediondo. Tem calado atropelos aos direitos mais elementares das crianças, embora não faltem instituições, estatais e particulares, vocacionadas para as ajudarem a crescer harmoniosamente, quantas vezes à revelia dos pais.
Nas manifestações reivindicou-se que o abuso sexual de crianças deve ser considerado crime público, mas também se pediu o agravamento de penas para os pedófilos e para os casos de lenocínio e de tráfico de menores. Ainda se reclamou mais cuidado no tratamento, por parte da comunicação social, dos casos de abuso sexual de crianças, enquanto se defendeu a criação de dispositivos que favoreçam a investigação, para um total conhecimento da realidade nacional neste âmbito.
F.M.
