Síndrome de West

Deficiências A Síndrome de West pode manifestar-se pela primeira vez em crianças entre os três e os dez meses, até aos três anos de idade. Trata-se de um tipo específico de ataque epiléptico, cujas crises se manifestam por contracção súbita e generalizada, normalmente lenta, dos músculos da cabeça, do pescoço, do tronco e dos membros (sobretudo superiores). Por vezes são acompanhadas de pequenos gritos. Ocorrem ainda, embora com menor frequência, os “espasmos em extensão” em que a criança estica os braços, inclina a cabeça para a frente e revira os olhos, alterando os movimentos oculares. Estes dois tipos de espasmos podem ocorrer na mesma crise, em-bora sejam muito breves – três a dez espasmos durante dois a três segundos. A frequência das convulsões varia em cada crise. As crises desencadeiam-se geralmente ao adormecer ou ao acordar. Podem ainda verificar-se alterações de consciência.

O comportamento da criança poderá dar-nos alguns indicadores (embora nem sempre) de que uma crise vai acontecer. Geralmente a criança manifesta alguma indiferença e apatia face a estímulos externos e diminui a sua actividade motora.

Esta Síndrome poderá estar relacionada com patologia cerebral, de causa formativa, traumática ou infecciosa, ou ainda de alterações metabólicas do encéfalo.

O electroencefalograma regista um excesso de actividade eléctrica.

O tratamento farmacológico é aconselhado, no sentido de controlar a frequência das crises, diminuindo desse modo os seus efeitos secundários.

Nos casos mais graves, sobretudo quando não se verificou uma adequada intervenção, podem surgir distúrbios visuais e um acentuado e irreversível retrocesso psicomotor, bem como deterioração mental.

O desenvolvimento de uma criança com Síndrome de West apresenta características semelhantes ao de uma criança com epilepsia. Alguns autores referem comportamentos situados em dois pólos opostos – por um lado apatia e lentidão, por outro, impulsividade e agitação. Muitas vezes estas crianças apresentam uma grande instabilidade comportamental passando rapidamente de uma superexcitação para um desinteresse, despropositado em relação aos estímulos externos.

Apresentam frequentemente comportamentos regressivos, numa tentativa de chamar a atenção sobre si. A sua instabilidade emocional é notória, a par de dificuldades no relacionamento com os colegas, sendo por vezes conflituosos.

As dificuldades de atenção e concentração, as perturbações emocionais e comportamentais, associadas a uma linguagem muitas vezes deficitária (discurso descontextualizado, vocabulário reduzido e frases mal construídas) conduz frequentemente a dificuldades acentuadas ao nível das aprendizagens e inclusão escolar e social. Em alguns casos as dificuldades acentuam-se, pela associação à deficiência mental.

É fundamental que o diagnóstico seja precoce e conduza a uma intervenção adequada, perspectivada para cada situação, pensada a partir da criança e do seu contexto familiar e social. Esta intervenção e este contexto fazem a diferença, permitindo ou não que cada criança seja um ser humano feliz, realizado, eficiente, participativo. E isso depende também de cada um de nós.