Crises em destaque na última mensagem de Ano Novo do Presidente Sampaio

Jorge Sampaio sublinhou as crises que atravessam o país, a justiça e a Europa, na sua última mensagem de Ano Novo como Presidente da República. Em primeiro lugar, o Presidente da República (PR) lembrou que o ano de 2005 ficou marcado por “dificuldades internas e externas” e que as eleições legislativas antecipadas deram a maioria a um só partido, criando “condições de estabilidade política e institucional para combater a crise” e “recuperar o caminho de crescimento e desenvolvimento”.

Realçando que “a própria democracia é posta em causa quando a justiça não protege os direitos fundamentais”, Sampaio disse que reflectiu sobre o tema ao longo dos dois mandatos e que procurou “antecipar a crise (…), para a evitar”. “Tenho contribuído para conter os piores efeitos da crise”, afirmou.

De seguida, referiu-se à independência das nações africanas que falam português, cujo 30º aniversário se comemorou em 2005, e a Timor-Leste (que também proclamou a independência pela primeira vez em 1975). Reconhecendo que houve “períodos de sombra”, devido à instabilidade revolucionária no pós 25 de Abril em Portugal, o PR afirmou que “podemos ter orgulho na nossa história e na forma dos nos vínculos com as nações que falam a mesma língua”.

“2005 foi o pior ano da crise europeia”, destacou Jorge Sampaio, defendendo que, se houve um tempo em que o “nosso nacionalismo arcaico nos distanciou da UE”, agora “o nosso destino está indissociavelmente ligado” à Europa, pelo que “Portugal tem de poder contribuir para a resolução da crise”, no conjunto dos Estados-membros.

Jorge Sampaio saudou os portugueses fora de Portugal, mas que “mantêm intacta a sua ligação” ao país, os militares portugueses em missões de paz e os cidadãos estrangeiros que vivem em Portugal.

A última palavra do PR foi para o acto eleitoral que se aproxima. Apelando à participação na eleição do próximo Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio afirmou que existe um “consenso nacional sobre o estatuto do PR” e que este tem “pesadas obrigações de defender os interesses nacionais do Estado e garantir a democracia portuguesa”. O PR é “factor indispensável de unidade entre todos os portugueses” e o “responsável último da independência nacional”.

As últimas palavras da mensagem presidencial de Ano Novo foram: “Por maiores que sejam as dificuldades do momento, vamos vencê-las. Tenhamos confiança no futuro de Portugal”.