Do Vouga até Ribadouro, de terras salitradas à Serra de Montemuro, da laguna aveirense, cantada pelo poeta Evangelista Vidal, à rota do Malhadinhas de Aquilino Ribeiro, vai um mundo de diversidade de costumes, de viver, de tradições, de monumentos, de grande criatividade cultural, de partilha, porventura de fraternidade, ligada pelo cordão umbilical de um Vouga ou de um Paiva, quiçá, de um Barosa.
Foi, certamente, com estes objectivos, que o clero do Arciprestado de Aveiro resolveu fazer o seu passeio turístico deste ano, relaxan-te, cultural e pastoral, a terras de Lamego, não esquecendo de se deliciar com o bom néctar nas Caves da Murganheira.
Na Várzea da Serra, o Padre José Augusto Matias conta como transformou aquela terra, que nada tinha, nem uma estradinha, e hoje tem um grande Lar, um Centro Comunitário bem familiar, nascido da residência paroquial. Em terra de emigrantes, é preciso tratar dos que não puderam passar fronteiras…
Enrolada na capucha de burel preto, criada na serra, a Paulinha, de 90 anos, surda, encaminha-se para o almoço, no Centro Comunitário.
Deixamos o Centro Comunitário e galgamos, serra arriba, para a Santa Helena, a 1100 metros de altitude. Daqui se abarca toda a grandiosidade do vale do Barosa. Ao largo, as aldeias do concelho do Tarouca. Lá muito ao longe, a grande aldeia de Alvite, já do concelho de Moimenta da Beira.
“Santa Helena é uma referência para a região, temos muita fé nesta Santinha, e na sua Cruz”, diz-nos Cândida Ferreira, com os seus oitenta anos e umas dezenas de catequista em terras de Tarouca, onde também vai nascer um grande Centro Pastoral.
“A presença de padres da minha Diocese”, diz-nos, D. António Francisco, “significa um gosto maravilhoso: conhecerem também as minhas terras, as terras do meu nascimento e crescimento na fé, na vida cristã e no ministério”.
Nesta Diocese nasce, também, o Rio Vouga, na serra da Lapa, ao abrigo de um histórico santuário mariano. Dali desce o rio que tanta riqueza cria nas nossas terras.
“Estas terras fazem-nos sentir um duplo apelo à missão, ao acolhimento e à evangelização das nossas terras de Aveiro, que recebem muita gente desta beira do interior de Portugal. Obriga-nos a sabermos acolher”, desabafa o nosso bispo, há meio ano na pastorícia de serras e vales de Aveiro.
“Gostei muito desta visita, porque vi amigos, vi o vosso bispo. É Sempre bom rever amigos. Aprendemos sempre uns com os outros – o que numa aldeia como esta é difícil. Em Lamego, encontramos sempre as mesmas caras e um grupo de amigos que partilham os mesmos ideais. É sempre bom partilhar com gente de entre a serra e o mar”, diz-nos o Padre Armando, pároco de Britiande, terra de largas tradições. O Pe Armando já andou lá pelo Vaticano, pelo Observatório Romano, e não perdeu o bichinho de ir escrevendo nos jornais, principalmente no que agora dirige, o “Voz de Lamego”, órgão oficial da diocese.
